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“TUTTO VERO!”. A capa da edição da Gazzetta dello Sport em 10 de julho de 2006 foi emblemática. A seleção italiana havia conquistado o seu quarto título mundial na véspera e a manchete refletia o estupor da nação. Era tudo verdade, ainda que parecesse um sonho.

À semelhança daquele momento, nossa realidade também parece ficcional. À diferença, porém, é tão ruim quanto os fatos revelam.

Diante da obra do governo até aqui — marcada por flagrante incompetência, episódios de afronta ao humanismo e tantos descalabros institucionais que nem parecem ter acontecido em apenas dois anos —, precisamos despertar do estupor. Ou jamais teremos a real dimensão do dano causado por Jair Bolsonaro.

Em entrevista recente ao jornal O Globo, Miguel Nicolelis, médico, neurocientista e professor na Universidade de Duke (EUA), afirmou que o Brasil enfrenta o terceiro maior flagelo de sua história. Segundo ele, a pandemia só perde para o genocídio indígena e a escravidão. Nicolelis está certo.

O impacto do morticínio imposto pela Covid-19 e a atuação de um governo tão caótico como o de Bolsonaro têm o condão de empanar situações antes impensáveis.

Parece ter acontecido em outra vida, contudo foi sob a égide do atual presidente da República que um secretário da Cultura emulou Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler.

Muitos de nós já terão se esquecido, entretanto há menos de um ano Bolsonaro estava empoleirado em cima de uma caminhonete, Quartel-General do Exército como pano de fundo, discursando para populares que pediam intervenção militar.

Pouco tempo depois o mito avisou que interferiria no comando da Polícia Federal. Dito e feito: não só trocou o diretor-geral como removeu o superintendente do Rio de Janeiro. A pressão se deu após o avanço de um inquérito eleitoral contra um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro.

Além desses e de inúmeros outros casos em que Jair atropelou as instituições, a liturgia do cargo que ocupa e a própria democracia, sua recusa em defender as diretrizes científicas no enfrentamento do Sars-CoV-2 expõem uma crueldade incomum.

Caminhamos a passos largos para o patamar de 300 mil mortos, o sistema de Saúde está colapsando e apenas 3% da população foi vacinada. É uma calamidade. Tragédia costurada com esmero por um presidente que, desde o primeiro dia de mandato, só pensa em se reeleger.

Cedo ou tarde, Bolsonaro e o ministro escolhido por ele de modo a viabilizar uma criminosa agenda negacionista, general Eduardo Pazuello, terão de responder judicialmente por seus atos.

O discurso antivacina, a propaganda da cloroquina, as incitações a aglomerações e o desincentivo ao uso de máscaras estão documentados. Assim como todos os atos indignos de um líder praticados antes da pandemia.

É tudo verdade.

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