Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
  • Ícone FelizÍcone InspiradoÍcone SurpresoÍcone IndiferenteÍcone TristeÍcone Indignado
App faz-tudo na China, WeChat investe pesado em social commerce
| Foto: Unsplash

É por meio dos superapps que os chineses acessam os mais variados serviços. Desde conversar online até pedir táxi, fazer supermercado, transferir dinheiro e reservar mesa no restaurante, tudo é possível ao alcance de um ou dois cliques. Tem mais: superapps como o WeChat (conversa), Alipay (pagamentos) e Meituan (compras) também permitem que o usuário procure emprego e até paquere online!

Pegando os exemplos mencionados, cada um deles foi projetado inicialmente para funções específicas, como conversar, pagar ou comprar online. Ocorre que todos os grandes players chineses, como Tencent (comunicação), e e-commerces, como Alibaba, JD.com e Pinduoduo, investem muito em funcionalidades novas, como parte da estratégia de fidelizar e reter os usuários nas respectivas plataformas.

Pois nessa feroz disputa pela preferência do consumidor no e-commerce da China, a líder em serviço de mensagens Tencent investe pesado para deixar o seu superapp de conversas WeChat mais interativo e preparado para o social commerce, que vem a ser a promoção e venda de produtos pelas redes sociais.

Na China, o potencial do social commerce é assombroso. Segundo a agência de inteligência de mercado Emarketer, as vendas no varejo via social commerce devem atingir 242 bilhões de dólares em 2020 e praticamente dobrar em 2023, movimentando 475 bilhões de dólares. Outro dado da agência é que as vendas por meio de aplicativos sociais representam 11,6% das vendas totais do comércio em 2020 e devem chegar a 14,2% até 2023.

Para aperfeiçoar o social commerce dentro do WeChat, a Tencent adquiriu o motor de busca Sougou e incluiu a opção dentro das janelas de bate-papo. Além da pesquisa no aplicativo, a Tencent lançou no fim de novembro um recurso de hashtag que redireciona os usuários de uma janela de bate-papo ou postagem do serviço WeChat Moments (imagens) para o tópico escolhido. As hashtags também podem fazer referências de conteúdo no Wechat Channels, o serviço de feeds de vídeo que começou a oferecer funções de livestream em outubro.

A Tencent não nasceu como empresa de e-commerce. Mas, dada a característica do mercado chinês de concentrar várias funções em plataformas, o caminho das vendas online é visto como natural pelo mercado. Com 1,2 bilhão de usuários ativos, o WeChat é o maior serviço de conversas da China e um grande ponto de contato social para publicidade e promoções.

Mesmo sem ter nascido como e-commerce, no ano passado a Tencent gerou vendas de 800 milhões de renminbi (em torno de 120 milhões de dólares) em GMV – gross merchandise value, indicador que mede o volume bruto de mercadorias vendidas em uma loja virtual. O resultado comercial produzido pelo WeChat foi três vezes maior que o de 2019 e faz da Tencent a quarta maior plataforma online de vendas da China, ficando atrás apenas dos varejistas online Alibaba, Pinduoduo e JD.com.

O objetivo da Tencent é cobrir todo o ciclo de e-commerce dentro do seu aplicativo e oferecer um ambiente virtual completo para que as marcas tenham um lugar para vender, interagir e se envolver com usuários. A Tencent tem um “DNA social” que se torna uma grande vantagem competitiva, disse George Xie, alto executivo de marketing da Tencent. "Sempre que há menos redirecionamento no processo de compra do consumidor, há uma conversão maior", disse Xie.

Quando a jornada de compra do usuário começa com conteúdo compartilhado por amigos ou comentários das lojas online, a descoberta e o engajamento são mais naturais, acrescenta o executivo. Na China, a cultura de compartilhamento e pesquisa de opiniões de compra é muito forte. “Referências de amigos ou promoções de lojas autorizadas são reconfortantes para os consumidores chineses, que estão muito conscientes da qualidade e autenticidade do produto.”

O sucesso do social commerce na China mostra um caminho aberto para o e-commerce brasileiro. De acordo com a Nielsen, as redes sociais são a segunda referência de compra online dos brasileiros. Só perdem para os sites de busca. Aqui, o Facebook e o Instagram são os grandes impulsionadores de compras em ambientes sociais e os usuários brasileiros têm alto grau de sociabilidade virtual.

A vantagem é que não é preciso esperar por ferramentas integradas nos aplicativos para investir em social commerce. A marca que souber conversar e gerar o melhor conteúdo na rede social preferida dele vai sair na frente.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]