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Nos próximos cinco anos, a China dará passos largos para a produção doméstica de microchips.
Nos próximos cinco anos, a China dará passos largos para a produção doméstica de microchips.| Foto: Unsplash

O que seria da vida moderna sem o microchip? Essas minúsculas placas eletrônicas que fazem funcionar todo tipo de celular, notebook, carros e outros aparelhos eletrônicos são as grandes viabilizadoras do estilo de vida atual das pessoas. Sem chips, não dá para conversar com pessoas do outro lado do mundo, comprar coisas com um clique no celular e, futuramente, viajar de carro para qualquer lugar sem ter que encostar na direção.

Tanto é que os chineses correm para desenvolver seus próprios semicondutores e não depender dos americanos, os líderes mundiais da tecnologia que já deixaram bem claro que farão de tudo para continuar reinando sozinhos nesse campo. A autossuficiência em chips críticos é prioridade na China, conforme declarado no 14º plano quinquenal de desenvolvimento anunciado em outubro do ano passado para o período de 2021 a 2025.

O planejamento de Estado prevê investimentos anuais de cerca de 7% do PIB em tecnologias avançadas, como chips de última geração a inteligência artificial (AI) e computação quântica. O objetivo de Pequim é que até 2025 o país produza 70% dos chips que tanto necessita.

A estimativa do governo central dificilmente será alcançada, de acordo com a consultoria IC Insights. Hoje, a China compra 70% dos chips mundiais, mas somente 6% desse volume é abastecido pela indústria local.

Mesmo com todo o esforço público e privado no desenvolvimento da indústria de semicondutores, a consultoria estima que a China deve atingir uma produção interna de 20% até o final do 14º plano de metas. É um dado muito abaixo do objetivo de Pequim, mas que, mesmo assim, seria um impressionante desenvolvimento exponencial (mais de três vezes a produção doméstica atual), se confirmada a projeção da IC Insights.

Independente disso, já existe uma grande mobilização por semicondutores na China. No ano passado, fundos públicos e privados chineses investiram US$ 35,6 bilhões em startups e grandes empresas domésticas de semicondutores. Isso representa um aumento de cinco vezes (407%) o volume de investimentos de 2019. Um ritmo que vai continuar aquecido neste e nos próximos anos.

O desafio é do tamanho da ambição chinesa. Para produzir mais e melhores chips, a China precisa de duas coisas: a primeira é criar uma cadeia produtiva completa de semicondutores, a exemplo da vizinha Taiwan. Apesar de a China estar algumas gerações atrasadas em relação ao país, o progresso tem sido rápido.

Empresas como a startup Changxin Memory Technology começaram a produzir em massa o seu primeiro chip de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM) - um componente de alto desempenho e mais barato usado na memória principal de computadores e placas de vídeo. Outra startup de destaque é a HiSilicon, filial de design de chips da Huawei, que apareceu entre os 10 maiores fornecedores mundiais de semicondutores pela primeira vez em agosto.

O segundo e mais crítico ponto é desenvolver cérebros qualificados. Segundo a Associação da Indústria de Semicondutores da China, para que o país consiga se transformar em uma fabricante de semicondutores de classe mundial, vai precisar formar ou atrair pelo menos 300 mil especialistas em produção, design de chips e outras especialidades.

Mesmo que a China não atinja totalmente o seu objetivo de autossuficiência nos próximos anos, vai dar passos importantes para tanto. À medida que o país diminuir sua dependência de chips estrangeiros, vai mudar a dinâmica do mercado de semicondutores mundial. Quando a China ganhar volume, vai começar a exportar componentes e aumentar ainda mais a sua influência no mercado tecnológico mundial.

O gigante asiático superou os EUA em muitos segmentos, mas ainda está atrás quando o assunto é processamento de dados e precisa desesperadamente dos chips que fazem suas torres de telefonia 5G funcionarem, assim como nos projetos de inteligência artificial e carros autônomos, por exemplo.

A sanção americana à transferência de chips para o mercado chinês atingiu em cheio a Huawei. Foi o caso mais emblemático da tensão comercial entre os dois países. Sem receber os componentes americanos, a Huawei não conseguiu produzir novos celulares e perdeu a liderança mundial do mercado.

Diante da urgência, o plano quinquenal reafirma a meta da China de se tornar uma nação produtora de semicondutores. É um passo crucial para o objetivo de construir aeronaves, dispositivos de robótica e veículos movidos a novas energias.

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