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Casal bebe vinho na mesa de jantar.
| Foto: Bigstock

Um bom pedaço de pão, outro de queijo, um fio de azeite, escoltados por um revigorante copo de vinho. Um prazer inigualável, do qual as grandes civilizações desfrutam desde os tempos da antiga Pérsia. Faz parte da sabedoria dos povos mediterrânicos há milênios. Espalhou-se pelo mundo depois que os navegadores portugueses desvendaram e uniram todos os pontos do globo terrestre. Junte outros ingredientes, como legumes, carnes, azeitonas, embutidos... diversos modos de preparo, uma enorme diversidade. Prova de que vinho é inseparável na arte de bem comer e bem viver.

Tudo muito fácil. Por exemplo: a massa que seria o pão, mais queijo e tomate. Nasceu uma crocante e voluptuosa pizza – ou encomende-a pronta, comodidade moderna. Um belo pedaço de carne: asse-o sobre as brasas ou ao forno; ou grelhe na chapa. Escolha uma boa garrafa para escoltar.

O vinho faz toda a diferença. Ilumina as refeições e eleva o espírito, de modo a transcender os sentidos. Aliás, um grande prazer é juntar a família em torno de uma refeição. Desfrutar de um bom vinho enquanto a conversa flui. Valoriza a comida, a presença de todos à mesa. Até faz bem para a saúde, como ensinam os médicos – desde que não se exagere.

Por bom vinho não digo um vinho caro nem barato. Há bons e maus vinhos em todas as faixas de preços e de todos os tipos. Um bom vinho é antes de tudo aquele que agrada a quem o bebe. Combina com o ambiente e a comida, libera boa conversa entre os convivas, desprende o espírito das preocupações e estimula o bem estar. Certamente um vinho defeituoso ou mal feito não agradará às pessoas. Por isso, procure garrafas de bons produtores e de boas origens. Traga à mesa, tire a rolha, sirva em copos bem limpos. Todos se animam, a bebida é um prazer e valoriza a refeição, a vida muda e melhora no mesmo instante. De repente, você é um rei sem sair de casa.

Vinho em casa

Em questão de harmonizar vinho e comida, prevalece o gosto de cada um. Sempre haverá novidades e alternativas. Experimente e selecione o que mais aprecia. A seguir algumas indicações para referência.

Massas e pizzas: tintos de corpo médio e boa fruta, de preferência sem muito amadeirado. Se não tiver tomates no molho, um vinho branco pode ser uma bela surpresa. Brancos ou rosés também nas massas com frutos do mar. Nada de vinhos caros, até porque costumam ser mais intensos e complexos: brigam com esses pratos. Salvo alguma exceção, como por exemplo um macarrão fino na manteiga e trufas de Alba raladas em cima – feito para um grande Barolo maduro, um majestoso Corton Charlemagne, um soberbo Champagne de boa idade.

Carne de boi: tintos mais encorpados. Por exemplo, os tintos à base de Merlots ou Tempranillo, ou cortes em que sejam relevantes, são perfeitos com carnes vermelhas. Também os tintos do Douro. Mas não confunda corpo com peso e adstringência. Vinhos mais pesados, muito cheios ou adstringentes, mais carregados, não casam bem com as carnes de boi.

Carne de porco: tintos com mais energia e vigor, além de boa fruta. Como um bom Bairrada, tintos no estilo de Bordeaux, à base de Cabernet Sauvignon. Brancos vigorosos.

Carneiro e cabrito: os melhores tintos, como Bordeaux, Rioja, Ribera del Duero, Douro, Dão, Bairada, Barolo.

Galinha e frangos: o paraíso para os Pinot Noir, mesmo os mais intensos. Também os brancos de bom corpo. A Chardonnay é grande referência. Outros tintos a corpo médio.

Pato e marreco: tintos à base de Syrah, Grenache. Brancos de bom corpo à base de Riesling e no estilo dos vinhos alemães e alsacianos.

Sanduíches: o paraíso são os bons Beaujolais. Mais difíceis de encontrar no mercado. Na falta, tintos frutados de corpo médio. Se o recheio for predominante de embutidos, brancos de corpo médio também vão lindamente. Vinhos rosés adoram sanduíches. Com hamburgueres mais ricos, um Malbec argentino, tintos do sul da Itália. Nada de vinhos mais caros.

Saladas: desde que sem vinagre ou leve de vinagre. Rosés, brancos vivazes, tintos leves ou a meio corpo. Com mais vinagre, mata o vinho; melhor outra bebida.

Espumantes e Champagne: esse tipo de vinho é acompanhante universal de quase todas as refeições. Nunca decepcionam.

GUILHERME RODRIGUES é advogado, enófilo, membro de importantes confrarias internacionais. Dedica-se ao estudo e à degustação de vinhos há 25 anos.

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