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inovação vinho
| Foto: Bigstock

Comprar uma garrafa de vinho, guardá-la e a seguir desfrutar da bebida, de um vinho límpido, fresco e isento de defeitos, parece algo tão natural que nem nos damos conta de que nem sempre foi assim. Aliás, foram precisos milênios na história da humanidade para chegar a esse ponto. E olhe que muitos dos melhores atributos da arte de criar, transportar e armazenar os vinhos não têm mais de uns 300 anos, ou menos ainda em muitos casos.

Ao olhar imagens de gravações do antigo Egito ou das civilizações ainda mais velhas, associadas ao vinho estão sempre as ânforas de barro. Eram o meio largamente empregado na antiguidade para armazenar e transportar a bebida. As ânforas foram uma das primeiras grandes inovações. Uma vez abertas, o vinho era, aos poucos, vertido para odres (recipientes menores de pele de animais, em geral cabra), jarras de serviço ou copos. O problema era que daí em diante as chances da bebida, em contato com o ar, azedar e perder qualidade eram enormes. As ânforas também eram pesadas para o transporte. De todo modo, serviram lindamente, por milênios, à humanidade.

Durante a Idade Média, as coisas melhoraram muito, especialmente graças às pesquisas e trabalhos dos monges e conventos. Talvez a mais notável inovação tenha sido a ampla utilização da madeira nos utensílios para a fabricação e armazenagem do vinho. O barril de madeira substituiu definitivamente as ânforas da antiguidade. Tonéis de vinificação e cubas passaram a ser todos em madeira. O barril servia muito melhor: era mais leve e tinha melhor vedação. A madeira passou a ser como uma irmã do vinho, vivendo sempre ao seu lado. Até hoje, insubstituível para o estágio e educação dos vinhos de maior qualidade nas adegas.

Outro salto fantástico veio a ser dado na Idade Moderna. A revolução industrial permitiu o fabrico de garrafas de vidro resistentes e baratas, em larga escala. Associada com o uso da rolha para vedação, foi descoberto o melhor meio para guarda do vinho. Sem risco de estragar e possibilidade de longo armazenamento. Foi uma das inovações mais importantes, que permitiu a popularização e a ampliação do consumo dos vinhos a níveis jamais pensados. Sem falar na preservação da qualidade da bebida, antes sujeita a arruinar-se rapidamente, especialmente após abertas as ânforas ou barris para o serviço.

A segunda metade do século 19 seria pródiga em inovação no vinho. As pesquisas e descobertas de Louis Pasteur quanto à existência e atuação das leveduras e bactérias no vinho, permitiram entender e melhor controlar a fermentação, evolução e armazenagem da bebida. Nos vinhedos, o método de poda introduzido por Guyot foi outro salto, aprimorando em muito a técnica milenar. Aliás, a poda da videira, tão antiga que se perde nas brumas da história, é uma das maiores descobertas e inovações para a qualidade dos frutos e para a saúde das vides.

Também do final do século 19 vem o plantio das parreiras com a parte que vai ao solo, o cavalo, de vide americana, variedade que não se presta a fazer vinho, mas resistente a uma praga que ataca as raízes e dizima os vinhedos nobres, como os dizimou em toda Europa no final do século 19, a filoxera. Atualmente, praticamente todos os vinhedos do planeta têm as raízes de vide americana e a parte de cima, enxertada sobre o cavalo, aí sim da variedade nobre da vitis vinifera.

Por fim, notável inovação do vinho, bem recente, é o emprego de tanques de aço inoxidável para vinificação e armazenagem dos vinhos nas adegas. A prática iniciou aos poucos nos anos de 1950 e a seguir disseminou-se rapidamente. Permite maior sanidade do recipiente, bem como o controle de temperatura, utilizando-se cintas ou outros meios estanques para circulação de água gelada. E, com isso, resfriando e controlando a temperatura do mosto em fermentação e posteriormente na armazenagem.
Outras tantas inovações poderiam ser mencionadas, mas creio que estas aqui ressaltadas são das mais relevantes através dos tempos, mostrando quão importante foram e são as grandes descobertas para melhorar a qualidade dos vinhos que nos chegam à mesa.

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