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vinho natureza
Ao escolher o vinho, cada vez mais os seus elementos naturais são levados em conta.| Foto: Bigstock

O foco das atenções hoje em dia quando falamos de vinho é a natureza. Cada vez mais a natureza. Quanto mais o rótulo e a bebida que está dentro da garrafa falarem aos elementos naturais do vinho, maior é o encanto e o atrativo. Até algum tempo atrás, a tendência focava na adega. Tanques de aço inox com controle de temperatura, barris de carvalho, leveduras empregadas na fermentação, tempo de curtimenta, estágio, fermentação malolática, bâttonage, gramatura e tosta dos barris de madeira novos e assim por diante. O vinhedo rendia baixa atenção. Vinhas e métodos de cultivo ficavam em segundo plano.

Mais do que compreensível, já que as novidades mais vistosas trazidas pela revolução enológica que mudou – para muito melhor – a criação dos vinhos, iniciada nos anos da década de 1960, eram focadas nos trabalhos e equipamentos de adega. Estiveram em plena efervescência até recentemente, quando, consolidadas e difundidas universalmente, passaram a ser assunto corrente.

Agora, a palavra de ordem é a vinha. Tanto o cultivo dos parreirais quanto as peculiaridades das plantas, como as diferentes castas e suas personalidades próprias. E os solos onde frutificam, em cada região, com encantos especiais que os tornam mais atraentes para certas cepas e tipos de bebida. É a cultura do terroir, com suas colorações únicas. Em suma, a natureza em sua manifestação direta, para formação do fruto que depois, trabalhado na adega, dará o vinho.

O foco não se limita aos nichos dos vinhos ditos naturais, orgânicos ou biodinâmicos. Volta-se a todo e qualquer vinho. Os consumidores cada vez mais querem saber de que solo e região saiu a bebida, quais as castas utilizadas, como foi o ano agrícola, quais os métodos empregados pelo produtor para o manejo do vinhedo e assim por diante. Por exemplo, a mesma casta plantada em um solo de xisto dará um vinho diferente de quando cultivada em solo granítico, calcário ou aluvial. Parreirais bem cultivados produzirão uvas melhores e mais completas, que farão um vinho superior. Com a internet na palma da mão, clica-se no nome do produtor ou do vinho e já se sabe com que cuidados ele foi feito.

Dentro desse conceito, nasce a tendência para que os vinhos sejam feitos a partir de uvas muito bem amadurecidas, da melhor saúde e qualidade possível. Também que o vinicultor não abuse dos artifícios químicos e sintéticos, defensivos e fertilizantes, no cultivo do vinhedo. Ainda, que as técnicas de vinificação e estágio privilegiem o encanto natural da bebida, evitando as fortes maquiagens possíveis na adega.
Ou seja, o público e os conhecedores apostam cada vez mais na personalidade da uva que dará o vinho e de sua relação íntima com a natureza. . Para que a pureza de sua expressão natural única seja o mais possível preservada com o cultivo do vinhedo e no processo de fermentação e estágio da bebida.

Temas dentro da tendência

  • Terroir: expressão francesa que significa uma casta (ou mais de uma) adaptada a determinado solo, produzindo um vinho de identidade singular. Num sentido amplo pode englobar uma região vinícola e num sentido mais estrito um determinado vinhedo.
  • Vinho orgânico: Produzido com uvas oriundas de cultivo orgânico, sem uso de defensivos ou adubos sintéticos nem organismos geneticamente modificados. Já a vinificação é livre e permite uso de aditivos, filtragens e os demais recursos.
  • Vinho natural: difícil e custoso de fazer, além de arriscado pois pode desandar. Significa que a uva é orgânica e que na vinificação não se usam aditivos. Difíceis de encontrar e, por enquanto, ainda um nicho cult de aficionados.
  • Vinho biodinâmico: processo que emprega elementos do cultivo orgânico e do vinho natural, mesclados com ingredientes esotéricos e astrológicos.
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