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Restaurante Con.
Chef e sushiman Regis Shighematsu é responsável por toda a gastronomia do Bee.O e, em particular, do Con., o restaurante japonês.| Foto: Anacreon de Téos

Quando trocou São Paulo por Curitiba, Regis Hideki Shighematsu veio disposto a apresentar aqui a mesma qualidade da gastronomia que proporcionava em São Paulo, a meca da comida japonesa no Brasil.

Afinal de contas, tinha sido sócio e chef do restaurante Nakka, na capital paulista (Itaim Bibi), que, na ocasião (2013) competia de frente com outras referências, como Nagayama, Geiko-San e Kinoshita. Regis, aliás, tinha tido passagem pelo antigo Kinoshita, da Liberdade, e do sushi-bar do Empório Santa Maria, onde começou, descendo pratos.

Veio a proposta da mudança para Curitiba e ele aceitou comandar a equipe que se formava, então, para inaugurar o Aizu, compondo com o sushiman Billy Tatsushi (ex-Kinoshita e Nagayama e que, recentemente, deu consultoria para a abertura do Tokyo Milano, em Curitiba) e Marcos Furtado, que, por aqui, se destacava nos balcões do Tako e do Kan (escrevi sobre a inauguração, na época).

Ficou por lá até 2018, quando foi convidado para coordenar toda a estrutura gastronômica de uma nova proposta de alimentação que surgia na cidade, o Empório Bee.O, focado basicamente nos ingredientes e insumos orgânicos e naturais.

Restaurante Con.
Atum enrolado, azeite de baixa acidez, shiso e flor de sal - para começar o omakase.| Anacreon de Téos

Feito isso, lançado com sucesso, o criativo chef percebeu que ainda seria possível mais. O andar de cima do imóvel (onde, tempos atrás, funcionava o Supermercado das Bandeiras), que se prestava basicamente à cozinha e à linha de produção, também poderia ter um melhor aproveitamento.

E por que não um restaurante japonês? – foi o que Regis Shighematsu sugeriu à empresária Clemilda Thomé, proprietária do empreendimento.

Proposta aceita na hora e começou a nascer o Con., nome que surgiu de uma conversa em conjunto, criando assim um conceito, no qual a culinária japonesa, a culinária contemporânea, alguns ingredientes orgânicos e toda a atmosfera desse ambiente gastronômico fazem parte do Conceito de todos aqueles envolvidos.

E veio para disputar de frente com os melhores de Curitiba. Afinal de contas, o chef e sushiman do empreendimento tinha sido o aríete da grande transformação de linha dos restaurantes especializados na cidade e, consequentemente, tinha todo o caminho aberto para o sucesso.

Cores e sabores

Restaurante Con.
Chawanmushi de camarão e shiitake, da parte dos pratos quentes. | Anacreon de Téos

Desde os primeiros dias a casa vive cheia, ocupando todos os seus 70 lugares, mais 40 no piso inferior. Exceto pelos momentos mais difíceis da pandemia, o Con. respondeu a todas as expectativas. Mais ainda: superou.

Chegar sem reserva é sempre um risco de precisar aguardar um bom tempo para chegar a vez de saborear tudo o que de bom é oferecido ali, entre frios e quentes. Afinal de contas, degustar comida oriental demanda tempo e paciência, longe da pressa.

O menu à la carte oferece sugestões interessantes, no sushi bar ou na cozinha, entre carpaccio, entradas, pratos quentes e uma página de pratos autorais, onde estão incluídos, entre outros, o Pargo crocante ao molho de limão siciliano (R$ 82), o Wagyu grelhado, com molho rôti, cogumelo eryngue e batata duchesse (R$ 162), o Confit de pato, com jus agridoce, creme de cebola assada e mini cenouras (R$ 145) e o Ravióli de caccio cavalo ao molho cremoso de trufas negras (R$ 82) – Caccio cavalo é um queijo originário do sul da Itália.

A cozinha quente é de responsabilidade de Wallison Carneiro, que começou na parte exclusiva da cozinha japonesa e agora abrange todas as variantes.

Restaurante Con.
Criatividade solta: Niguiri de bottarga, saquê e rabanete. | Anacreon de Téos

Quer dizer: o Con. é um restaurante contemporâneo, não apenas japonês, e pode conquistar, com as mesmas propostas de sabor, os apreciadores de ambos os estilos de gastronomia.

Mas é impossível ir a um lugar desses e não desafiar o sushiman com o omakase, o menu confiança dos japoneses. O Menu Sete Tempos (R$ 372) é o caminho para isso, intercalando três entradas, três pratos principais e uma sobremesa. Que pode ser harmonizado com uma seleção de vinhos clássicos e saquês (R$ 178), selecionados pelo maitre e sommelier Marcelo Haro.

No balcão

Restaurante Con.
O trio: Tartare e foie gras, Cromesqui recheado de demi glace de wagyu e Robata de vieira. | Anacreon de Téos

Mas também é possível desafiar Regis e seu pessoal do balcão com aquele pedido de “surpreenda-me”. Sempre funciona.

E foi assim que desfrutei de momentos de grande prazer ao paladar, não só apreciando a montagem do que me seria servido, como também o intenso ritmo do sushiman e de sua brigada, que tem Ronaldo Fogaça como braço direito.

Como não poderia deixar de ser, o omakase começou muito delicado, com Rolinhos de atum envoltos em azeite de baixa acidez, shiso e flor de sal. Melhor boas-vindas, impossível. Daí veio um trio: Tartare e foie gras, Cromesqui (croquete) recheado de demi glace de wagyu e Robata (espetinho) de vieira.

A etapa seguinte foi um quente: Chawanmushi (creme de ovos cozido no vapor) de camarão e shiitake, que desmanchava na boca, dividindo as nuanças de cada elemento do prato. Aí surgiram os sashimis de pargo, robalo e atum, com uma bolinha de wasabi natural que vem congelado do Japão, bem diferente dessa pasta verde que se serve por aí.

Restaurante Con.
O Sushi de Uni que passou por mim e não parou. | Anacreon de Téos

Nesse meio tempo passou por mim, pelo balcão à frente, um Sushi de uni (o ouriço do mar), pelo qual me derreto de apreciar, mas que seria destinado a alguma mesa. Insinuei, mas fiquei sabendo se tratar da última unidade disponível. Fiquei na saudade.

Mas, tudo bem, nada a abalar, seguimos em frente.

A vez dos niguiris: de hamachi (yellow tail, olhete), de atum e de robalo com shiso. Antecipando a chegada do Tamagoyaki (uma espécie de omelete em camadas) e de um incrível Niguiri de bottarga, saquê e rabanete. Mas ainda teríamos o de vieira canadense com ovas de caranguejo e um sushi de pargo com gengibre ralado.

Restaurante Con.
Niguiri de vieira canadense com ovas de caranguejo.| Anacreon de Téos

Para arrematar, Ostras frescas.

Um banquete, é possível dizer. O que garante poder afiançar estar hoje o Con. seguramente incluído no rol dos Top 5 da gastronomia japonesa em Curitiba.

E a casa, lotada a cada dia, é a prova mais evidente desse sucesso todo.

Restaurante Con.
Pargo, robalo e atum, com wasabi natural. | Anacreon de Téos

Serviço:
Con. Cozinha Autoral, no Bee.O
Av. do Batel, 1665, Batel
(41) 3095-6330

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