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Galeto al  primo canto, maionese, polenta e queijo doré – começa o show na Galeteria Di Paolo.
Galeto al primo canto, maionese, polenta e queijo doré – começa o show na Galeteria Di Paolo.| Foto: Anacreon de Téos

Durante toda a minha (longa) carreira no jornalismo esportivo um dos maiores prazeres estava em poder viajar o mundo, conhecer lugares e provar outros sabores.

Quando a viagem era pelo Brasil, difícil resistir aos encantos da comida nordestina, das coisas do Norte e das mineirices. Além de todos esses eu acrescentaria ainda mais um local: Caxias do Sul. Torcia para minha escala permitir pelo menos uma passadinha anual lá pela Serra Gaúcha. Pela beleza da região, pelos vinhos e, principalmente, pela oportunidade de saborear o Galeto al primo canto em uma dentre aquelas tantas galeterias existentes na cidade.

Aquele galeto macio por dentro, dourado por fora, o cappelletti, as saladas, as massas caseiras... era tudo um encanto que ficou cuidadosamente guardado na minha memória gustativa. Aí o Caxias sumiu, o Juventude caiu e eu nunca mais fui a Caxias do Sul.

Mas não deixei de buscar os galetos, onde quer que estivessem. Como nesse último fim de semana, aqui mesmo, em Curitiba, no recém-inaugurado restaurante Galeto di Paolo, ali no Capanema (para os mais antigos, como eu) ou Jardim Botânico.

Trata-se de uma rede de galeterias, com base em Caxias, mas já se espalhando pelo país. Atualmente, o Di Paolo possui dez unidades em território brasileiro, sendo seis no Rio Grande do Sul, uma em Santa Catarina e três em São Paulo. Fundada em março de 1994, por Paulo Geremia, no Rio Grande do Sul, a marca é uma das mais renomadas dentre as galeterias do país, pois alia a influência da cultura gastronômica da Serra Gaúcha com charmosos restaurantes, especialmente decorados, que não só atraem o público pela tradição, como também pelo cardápio e a presteza no atendimento.

Um dos salões da Di Paolo. A galeteria tem bela ambientação e capacidade para até 200 clientes.
Um dos salões da Di Paolo. A galeteria tem bela ambientação e capacidade para até 200 clientes. | Foto: Divulgação

A Di Paolo de Curitiba está funcionando desde a semana passada e tem como sócio de Geremia o paranaense (de Barracão) Jandir Dalberto, que, por um bom tempo, foi presidente da famosa churrascaria Fogo de chão (São Paulo) e entrou na sociedade ao abrir outros restaurantes da rede de galeterias no estado de São Paulo (três), estendendo agora suas ações também ao Paraná.

A nova unidade tem capacidade para receber até 200 pessoas, com salões separados e até propícios para a eventos – um deles tem capacidade para 100 pessoas.

O menu

Os pratos são os clássicos, os mesmos originados nas galeterias gaúchas, apresentados à vontade, à medida que o cliente vai consumindo. Ao chegar, o cliente é recebido e direcionado à mesa – reservada ou não. Logo em seguida vem um cestinho do pão colonial, muito macio, que dá para ir beliscando com azeite, enquanto não vêm os pratos. Junto, um prato, com algumas fatias de um Copa muito bem e alguns cubos de queijo prato.

Tempo de nada, pois aí já chegam as saladas. Alfaces, folhas verdes e roxas, outra travessa com radicci e bacon e ainda batatas em maionese. Só pra começar.

Como sou saladeiro dos bons, aproveitei, temperando com o azeite de oliva, um aceto de boa qualidade e sal moído na hora – senti falta da pimenta-do-reino.

Cappelletti in brodo. Não é para qualquer um. A do Di Paolo é irrepreensível.
Cappelletti in brodo. Não é para qualquer um. A do Di Paolo é irrepreensível. | Foto: Anacreon de Téos

Nem bem havia terminado as saladas (sim, como muito devagar) e já vinham chegando as atrações principais: começando com a Sopa de capelletti, uma instituição desse tipo de cardápio. Perfeita, sem qualquer ajuste, massa consistente e caldo cristalino.

Aí veio o galeto – ou meio, na primeira pedida -, dourado, perfumado, rico em aromas e sabores. O galeto ao primo canto, antes de ir ao fogo, recebe um banho de vinho branco, para dar mais perfume e sabor e, então, é temperado durante 12 horas em uma mistura de sálvia, manjerona, salsa, cebola, alho, sal, orégano, pimenta e cerveja. Por fim, é assado na brasa de carvão e pesa cerca de 500g, o que confere maior maciez, chegando a uma carne crocante por fora e suculenta por dentro.

Fiquei curioso quando soube dessa combinação de vinho antes, cerveja depois. Mas quando experimentei, adorei. Principalmente o sabor que confere a sálvia – vêm algumas folhas junto e comi todas, muito bem impressionado. Também chegaram, como guarnição, polentas fritas, em dois formatos, e um queijo à doré, macio, dentro da casca crocante.

E os garçons ali, circulando em torno da mesa, sempre atentos, perguntando se falta algo ou se há necessidade de repetição. E aí entregam o pequeno cardápio de massas e molhos, para que os clientes escolham as combinações preferidas. E chegam sempre em pequenas porções, medida inteligente, para evitar desperdício e permitir o maior número possível de experiências aos clientes.

Nhoque com molho tradicional.
Nhoque com molho tradicional. | Foto: Anacreon de Téos
Tortei de abóbora com molho de manteiga e sálvia.
Tortei de abóbora com molho de manteiga e sálvia. | Foto: Anacreon de Téos

Pedi três: Nhoque com molho tradicional (tomate e frango), Tortei de abóbora com manteiga e sálvia e Tagliarini alho e óleo. Todos muito bem feitos, saborosos.

De sobremesa, como sempre fiz lá na Serra Gaúcha, Sagu ao vinho, com creme, mais típico, impossível.

O preço? R$ 79 por pessoa, para comer à vontade e repetir quantas vezes quiser. Mais bebidas e taxas.

Como tinha assuntos a resolver em seguida, fiquei na água mineral, mas, claro, pedi para ver a carta de vinhos. Impressionante! Pela quantidade e pela qualidade. São quase 200 rótulos, entre nacionais – alguns de produção própria -, de Novo Mundo e de Velho Mundo, em taças e em garrafas. E a preços bem atraentes de mercado.

Ficou para uma próxima, inclusive para culminar com uma grappa, também de produção deles.

Sobremesa típica da Serra Gaúcha: Sagu ao vinho, com creme.
Sobremesa típica da Serra Gaúcha: Sagu ao vinho, com creme. | Foto: Anacreon de Téos

O empório

Terminada a refeição, fui dar um giro pela casa. No tour, meu cicerone foi exatamente o Jandir Dalberto, que me mostrou os espaços, os salões – há um espaço kids que a gente sempre torce para as crianças não fazerem barulho, martelando os brinquedos –, a exposição dos vinhos, dos azeites (de fabricação nacional, que a empresa quer valorizar), num cantinho de empório. E sucos de uva, tintas e branca, claro, não poderia faltar.

Sim, também é possível comprar a grappa e também cachaças, que, conforme explicação de Dalberto, são feitas com cana de açúcar de dois ou três anos, mais maduras e saborosas.

Do outro lado daquele mesmo pequeno espaço, um freezer com alguns produtos prontos. Inclusive o saboroso cappelletti e seu brodo (o caldo que acompanha). Quanto custa? R$ 50, para descongelar em casa e servir até quatro pessoas.

Cappelletti e caldo congelados no empório, Para levar e fazer em casa.
Cappelletti e caldo congelados no empório, Para levar e fazer em casa. | Foto: Anacreon de Téos
Algumas cachaças e a grappa de produção própria. À venda do empório da Di Paolo.
Algumas cachaças e a grappa de produção própria. À venda do empório da Di Paolo. | Foto: Anacreon de Téos

As outras

Curitiba tem mais outras três galeterias em funcionamento. A Galeteria Caxias é a mais antiga, tem mais de 30 anos de funcionamento, ali no Jardim das Américas. Mais recentemente, pouco antes da pandemia, começou a funcionar a La Campesina, no centro da cidade (veja aqui), também com a proposta de oferecer os sabores da Serra Gaúcha.

A terceira não seria bem especializada só em galetos, mas também oferece no cardápio além disso. É o Italy Caffé (veja aqui), que começou com um espaço pequeno no centro e abriu outro ponto no Juvevê (aqui). E o galeto é a principal estrela.

Nesse meio tempo, entre uma e outra, também surgiu, na década passada, a PapaPollo Galeto & Pasta, com uma proposta bem interessante, louças exclusivas, e uma exposição diferente dos galetos à mesa (leia aqui). Durou pouco, não foi muito longe.

Mas, seja como for, a Di Paolo chega agora com uma proposta mais ousada, com um lindo e amplo espaço, para conquistar o coração do curitibano. Quando fui, por exemplo, tinha sido oficialmente inaugurada fazia apenas dois dias. E lotou, a ponto de os garçons terem perdido alguns bons quilos na correria para lá e para cá.

Bom sinal, para um início de trabalho na cidade que tanto preza a boa comida. E ali, certamente, o retorno de sabor é garantido.

A galeteria funciona de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 15h30 e das 18h às 23h. Sábados, das 11h30 às 23h. Domingos e feriados, direto, das 11h30 às 22h.

A Galeteria Di Paolo está estabelecida no bairro Jardim Botânico, em Curitiba.
A Galeteria Di Paolo está estabelecida no bairro Jardim Botânico, em Curitiba. | Foto: Divulgação

Galeteria Di Paolo

Avenida Prefeito Omar Sabbag, 461 - Jardim Botânico

Fone: (41) 99229-1107

Instagram: @dipaolocuritiba

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