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A Carne de Onça do Mas Será o Benedito?, feita exatamente como determina a receita original. Está no 5º Festival de Carne de Onça de Curitiba.
A Carne de Onça do Mas Será o Benedito?, feita exatamente como determina a receita original. Está no 5º Festival de Carne de Onça de Curitiba.| Foto: Gean Cavalheiro

Fui comer uma Carne de Onça.

Claro, pois estamos em plena vigência do 5º Festival de Carne de Onça de Curitiba, que, iniciado em 21 de setembro, já traz números bem expressivos: 5 mil unidades vendidas, o que é motivo de júbilo e comemoração por parte dos organizadores.

Para entrar no pique do festival, fui ao Mas Será o Benedito?, onde ela é servida exatamente como foi concebida. Ou quase, apenas com um pouco de linguiça blumenau na mistura com a carne. E que, por isso mesmo, Maurício Fontana e sua turma chamam-na de “Carne de Urso”.

Sem mais anexos desnecessários, apenas temperada com sal, pimenta-do-reino e azeite, cebola roxa (a original leva cebola branca, mas naquela época não existia a roxa, bem mais suave e saborosa) e cebolinha, sobre a fatia de broa. Essa era exatamente a fórmula quando surgiu em Curitiba, oito décadas atrás.

A Carne de Onça do gastrobar Mas Será o Benedito? faz parte do rol dos 30 estabelecimentos da cidade que servem o prato típico curitibano, patrimônio cultural oficial do município, na quinta edição do Festival de Carne de Onça, que acontece desde o fim de setembro e vai até o próximo domingo (10/10).

As versões de cada bar são livres, desde que se respeite os princípios básicos do prato, incluindo os adereços que melhor entender agregar sabor. E muitos deles também preservam a fórmula original. Em qualquer um dos 30 bares da cidade o valor fixo é de R$ 19 a porção.

A Carne de Onça lembra quatro receitas internacionais muito conhecidas: o Hackepeter alemão, o Steak Tartare francês, o Battuto italiano e o Quibe Cru libanês. Porém, como surgiu e é servido em Curitiba, é algo próprio da cidade. É feita da seguinte forma: uma fatia de broa preta, coberta com carne bovina moída (normalmente patinho), cebola branca cortada fininha, cebolinha verde picada, temperada com sal, pimenta-do-reino e regada com bom azeite de oliva extra virgem.

A origem

A carne de onça tornou-se Patrimônio Cultural e Imaterial Curitiba em setembro de 2016. A pesquisa e o encaminhamento foram feitos por Sérgio Medeiros, um entusiasta da gastronomia curitibana. Na pesquisa, Medeiros descobriu a verdadeira história da carne de onça.

Na década de 40, existia um time que foi várias vezes campeão paranaense, o Britânia – foi o único decacampeão. Seu diretor era o Cristiano Schimidt. Além do time, ele era dono de um bar na Avenida Marechal Deodoro, chamado Toca do Tatu – seu apelido. Para comemorar as vitórias do Britânia, o Schimidt, que não pagava bicho (a premiação), fazia uma baciada de carne crua e nacos de pão ou broa, junto com cebola branca e cebolinha picadas, e servia para os jogadores.

Um belo dia, Duia, o goleiro, reclamou: “Poxa, Schimidt, você só serve essa carne aí que nem onça come!”. Pronto! Estava criado o nome do petisco que todos os clientes da Toca do Tatu começaram a pedir e que hoje é servida nos bares da cidade.

Porém, há outra versão, que era contada contava pelo jornalista e publicitário João José Werzbitzki, já falecido. Dizia ele que seu pai, Leonardo Werzbitzki, conhecido como Onha, dono do Restaurante Embaixador, na Rua Riachuelo, preparava a Carne de Onça do jeito que conhecemos desde os anos 50. Antes disso a carne era servida sem temperos, em nacos de pães – na versão do Tatu -, segundo registraram alguns jornalistas mais antigos. Foi o Onha que deu forma ao prato, usando broa úmida e seus ingredientes, mais o azeite de oliva, que era uma raridade nos anos 50.

Onha não sabia ao certo como surgiu o nome, mas contava que prato ficou conhecido assim por causa do “bafo de onça” que a carne crua, cebola e temperos deixavam no hálito de quem comia.

Duas versões, portanto. E uma completa a outra.

Ah, em tempo, antes que venham os protestos dos desatentos – que continuam protestando nas redes sociais a cada publicação sobre o prato curitibano: Carne de Onça não é feita de carne de onça e sim de carne bovina. Certo?

Os participantes

A versão de Carne de Onça do Baroneza.
A versão de Carne de Onça do Baroneza. | Foto: Gean Cavalheiro

Confira aqui a lista dos participantes do 5º Festival de Carne de Onça de Curitiba, que estarão servindo a iguaria consagrada até o próximo domingo. Em ordem alfabética: A Ostra Bêbada, Academia das Cervejas, Armazém Santa Ana, Bar do Dante, Barbaram, Baroneza, Bodesza, Brasil Craft Food, Burguer Bar, Canabenta, Cartolas, Charles Burguer, Dom Cervantes, Green Gate, Hamburgueria Água Verde, Hamburgueria das Américas, Jabuti, Jackson Assados, Maia Box & Oba Gastronomia, Mas Será o Benedito?, Mavy Pub – São José dos Pinhais, Mavy Pub Mondri – São José dos Pinhais, Quermesse, Quintal 68, Rancho da Joaninha (delivery),  Silzeu’s, The Barbecue, Ushuaia, Wit Bar e Zeppe Focacceria.

Para conhecer todos as receitas e endereços e poder escolher onde ir, basta acessar o site do evento, clicando aqui.

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