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Vinhos gregos servidos em noite de jantar harmonizado no Restaurante Nomade.
Vinhos gregos servidos em noite de jantar harmonizado no Restaurante Nomade.| Foto: @aescoladefotografia

Nas degustações e harmonizações corriqueiras, garantia de sucesso é incluir vinhos franceses, italianos, espanhóis ou portugueses (nessa ordem). Isso só para ficar no Velho Mundo, embora já haja respeito pelo que se faz também nas outras plagas.

Mas quando se foge um pouco desses rincões, exigindo despertar maior curiosidade em torno do que vem pela frente, há sempre o receio de não se obter o mesmo resultado. Claro que, aos poucos, essas barreiras vão caindo, com a chegada de alguns exemplares de outros países a mostrar que a qualidade de seus produtos também chega a patamares do alto, ocasionando boas surpresas para o paladar.

Sem contar com momentos esporádicos (um aqui, outro ali... ) há dois anos os eslovenos vieram com tudo, importados pela Rootstock Vinhos (fiz o registro aqui). E agora nos chegaram os gregos.

Já havia provado alguns, mas nada que significasse uma unidade e pudesse passar a verdadeira noção de qualidade e sabor. O que ocorreu dias atrás, com a possibilidade de estar presente em um jantar harmonizado no Restaurante Nomade, do Nomaa Hotel. E com a bela constatação da continuidade da cozinha de qualidade da casa, com o jovem chef Luan Honorato seguindo as trilhas de seu mentor, Lênin Palhano, de quem foi sous chef por um bom tempo.

O sommelier Guilherme Balbino foi quem apresentou e discorreu sobre os vinhos da noite.
O sommelier Guilherme Balbino foi quem apresentou e discorreu sobre os vinhos da noite. | Foto: @aescoladefotografia

O evento foi organizado pela KOS Vinhos Especiais e GRK Products, com patrocínio da Comunidade Européia. Tento como anfitrião Nelson Loureiro Alves, a apresentação dos rótulos foi do sommelier Guilherme Balbino.

Por mais que a gente por aqui ainda conheça pouco dos vinhos gregos, foi importante saber que por lá existem pelo menos 300 uvas autóctones, além de outras clássicas francesas, que foram plantadas por lá na época da grande praga da filoxera, que arrasou os vinhedos da Europa Ocidental.

Então, não é estranho encontrar vinhos gregos com uvas internacionais, como Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Merlot – não por acaso alguns dos vinhos servidos na noite da harmonização.

A Grécia segue as definições da União Europeia para a produção de vinhos, produzidos, processados e preparados em uma específica área geográfica, utilizando know-how reconhecido. Suas qualidade e propriedades são significativamente ou exclusivamente determinadas pelo seu ambiente, em ambos os fatores naturais e humanos.

O chef Luan Honorato foi quem concebeu o cardápio para harmonizar com os vinhos gregos.
O chef Luan Honorato foi quem concebeu o cardápio para harmonizar com os vinhos gregos. | Foto: @aescoladefotografia

A harmonização

No evento do Nomade, os vinhos apresentados eram da Domaine Costa Lazaridi, fundada em 1992, em Adriani, na região de Drama. São 200 hectares de vinhedos, com 15.000m2 de construção e 100 pessoas no staff de produção.

A vinícola tem, entre os consultores, o papa Michel Rolland, considerado o guru na vinificação de tintos e que presta consultoria em algumas das mais importantes vinícolas do mundo. Para os brancos, outro destaque francês, Florent Dumeau, enólogo master, ex-diretor técnico de SARCO laboratórios em Bordeaux e principal autoridade em vinificação em brancos.

E foi exatamente com um branco que nós começamos. O Okeanos Sauvignon Blanc/Moscato (R$ 176) chegou bem, como um vinho de entrada, refrescante e aromático, levando aromas de frutas amarelas e boa acidez com equilíbrio na boca. Foi perfeitamente harmonizado com um Croquete de polvo e tucupi e, principalmente, com Ostras e maracujá, combinação perfeita. Ainda vieram o Nori com peixe cru (a alga deliciosamente tostada e crocante) e o Tempura de espinafre e bacalhau.

Croquete de polvo e tucupi e Nori com peixe cru.
Croquete de polvo e tucupi e Nori com peixe cru. | Foto: Anacreon de Téos
Tempura de espinafre e bacalhau; Ostra e maracujá.
Tempura de espinafre e bacalhau; Ostra e maracujá. | Foto: Anacreon de Téos

O segundo vinho também foi um branco e o único autóctone da noite. O Domaini Costa Lazaridi Malagouzia (R$ 330) remete a vinhedos jovens e traz uma das castas mais celebradas no momento. Malagouzia são uvas da região de Drama, a 900m de altitude, no extremo norte da Grécia. Variedade branca autóctone, redescoberta nos anos 70 pelo professor Logothetis, da Universidade de Thessaloniki. Originária da Etoloakarnania (centro oeste do país) e plantada num vinhedo experimental em Halkidiki, Macedônia, hoje é cultivada em várias regiões, incluindo Drama.

Seu aroma lembra os muscat, porém menos floral, com toques cítricos e até mesmo herbáceos, com uma coloração amarelo/palha e perfumes cítricos. Na boca, também traz frutas amarelas e um final bem longo e agradável. Chegou para fazer companhia ao primeiro prato, o Polvo com texturas de batata-doce e cítricos. Um prato com o polvo no ponto correto e as batatas em três divisões: purê de batata-doce branca, batata-doce roxa na brasa e chips transparentes de batata-doce laranja. Completando com granola de salsinha e cambuci e gomos de laranja.

Polvo com texturas de batata-doce e cítricos.
Polvo com texturas de batata-doce e cítricos. | foto: Anacreon de Téos

Chegou, então, o vinho mais interessante da noite. Quando o sommelier comentou trata-se de um Cabernet Sauvignon logo se imaginou um daqueles com o porte do francês ou a personalidade de um sul-americano. Qual nada, era um vinho completamente diferente do que eu já havia provado até então. Mais ainda para um Cabernet Sauvignon. O Thalassa tinto Cabernet Sauvignon (R$ 176) também vem de uvas da região de Drama, só que de menor altitude. É envelhecido em barril de carvalho francês por seis meses e tem filtração leve, com um teor alcoólico de 14%. É intensamente frutado, mas agradável, sem ser enjoativo. Frutado também no sabor, tem corpo médio madeira discreta e taninos muito macios. Recebeu com galhardia o Arroz de costela defumada, com aïoli de salsinha, aïoli de páprica e farofa de pão de fermentação natural e deixou vontade de quero mais.

Arroz de costela defumada, com aïoli de salsinha, aïoli de páprica e farofa de pão de fermentação natural.
Arroz de costela defumada, com aïoli de salsinha, aïoli de páprica e farofa de pão de fermentação natural.| Foto: Anacreon de Téos

Para o terceiro prato, que foi um belo e saboroso Lombo de porco Moura grelhado na brasa, caldo de porco, caqui assado com sal, pimenta e manteiga e couve kale temperada com limão, o vinho de escolta foi o Okeanos Cabernet Sauvignon/Merlot (R$ 184), também de Drama, com envelhecimento em barris de carvalho por 10 meses e teor alcoólico de 14%. Também puxa para frutas vermelhas e especiarias, no olfato e no paladar, tem final suave e se deu muito bem com a delicadeza da carne de porco.

Lombo de porco Moura grelhado na brasa, caldo de porco, caqui assado com sal, pimenta e manteiga e couve kale temperada com limão.
Lombo de porco Moura grelhado na brasa, caldo de porco, caqui assado com sal, pimenta e manteiga e couve kale temperada com limão.| Foto: @aescoladefotografia

Todos esses vinhos (e mais outros tantos) gregos podem ser encontrados para venda na KOS Vinhos Especiais e na Adega Curitiba Cellar. É um bom caminho para se iniciar (ou prosseguir) nos vinhos gregos e conhecer todo o potencial vinícola daquele belo país.

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