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Pedro Menezes

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Descaso antigo

Qual é o plano para resolver a emergência educacional?

  • Por Pedro Menezes
  • 30/06/2020 19:15
Sala de aula educação
| Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo

Há uma emergência em curso. Só uma contumaz ação por parte do Estado pode resolver o problema. Infelizmente, pouca gente parece preocupada com isso. Me refiro ao crescente prejuízo gerado pela paralisação de escolas públicas durante o resto do ano letivo de 2020.

Ivan Lessa dizia que três dentre quatro políticos não sabem que país é este; o quarto acha que é a Suíça. Portanto, vale relembrar: durante 4 dos 5 séculos de nossa história, ter escravos era mais importante do que ter educação. Nos últimos 100 anos, a maioria das crianças brasileiras não teve sequer acesso aos níveis básicos de ensino. A universalização do Ensino Fundamental é coisa recente, obra da Nova República.

O resultado dessa história de descaso com educação não poderia ser diferente do país pobre e desigual onde vivemos. O passado é a herança que limita as nossas possibilidades no presente. E o futuro só será aquele que queremos – um Brasil tão próspero quanto as grandes nações ocidentais e repleto de oportunidades para todos – se nunca mais negligenciarmos a importância da escolaridade.

Diversos sindicatos de professores rejeitam qualquer volta às aulas antes de uma vacina ser disponibilizada. Me solidarizo com esses professores e entendo as exigências. De fato, dada a escassez de testes e o rápido avanço da Covid-19, voltar à sala de aula é arriscado. Mas parar as aulas por um período indeterminado é simplesmente inaceitável sob o ponto de vista da sociedade, dado o imenso prejuízo que a medida impõe aos estudantes.

Os danos que a paralisação pode causar aos estudantes são inestimáveis e permanentes. Quantos jovens desistirão do Ensino Médio por causa da paralisação, interrompendo precocemente a própria formação? Qual será o impacto da pandemia na renda futura dos brasileiros que precisam das escolas públicas?

Se a volta às aulas é arriscada, cabe ao Estado criar as condições para que isto seja possível. Governos estaduais e prefeituras, gestores diretos de milhares de escolas, precisam apresentar saídas para o problema. Ao governo federal cabe a coordenação de esforços e liberação de verbas para que a volta às aulas se concretize.

Será presencial? Se sim, o que será feito para diminuir ao máximo o contágio dentro do espaço escolar? Como sabemos, a estrutura da maioria das escolas públicas é precária. Caso se opte pelo ensino à distância, é importante identificar quais alunos não possuem computador ou acesso a internet, encontrando soluções para aproveitar alguma coisa do ano letivo.

Nas universidades públicas, em sua maioria fechadas, o mesmo trabalho precisa ser feito. Se um estudante carente abandona os estudos por causa do tempo sem aulas, ele terá um prejuízo permanente incorporado à própria renda, enquanto a universidade deixará de formar um profissional. Todos perdem.

Qual será a solução encontrada? Não sei. Duvido que seja fácil. Minha certeza é que se trata de um desafio de importância econômica primordial. Além de todo o prejuízo causado aos alunos e à sociedade, uma solução para o problema poderia se transformar numa ferramenta permanente de auxílio ao aprendizado virtual nas escolas e faculdades públicas. Também é uma ótima oportunidade para mapear com precisão inédita as parcelas da população que seguem excluídas do ambiente digital.

Sem dúvidas, trata-se de um dos desafios mais importantes do momento. Estranhamente, o assunto não se faz presente no noticiário. As manchetes abordam, no máximo, os conflitos entre sindicatos e governadores. Pouco se escreve sobre os custos de manter grande parte das escolas e universidades públicas fechadas. Triste país onde o perigoso PL das Fake News é prioridade do Senado, enquanto os estudantes são escanteados do debate. Infelizmente, trabalhar pelo potencial das crianças brasileiras não rende tantos votos quanto fazer pose nos debates vazios que povoam as redes sociais.

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Comentários [ 13 ]

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    Niva Alice de Oliveira Barbosa Guedes

    ± 0 minutos

    Artigo muito bom . É realmente lamentável a falta de posicionamento dos governantes a esse respeito.

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    Alexander

    ± 19 dias

    Perfeito, o texto de Pedro Menezes. Mas não me espanto quando a inércia dos entes políticos e federativos do nosso País, prevalece mais que a as ações em prol do Ensino no país. Nenhum governante/político levou em conta isso. Muitos são analfabetos funcionais em cargos políticos e, mesmo assim, não querem mudar ou sair dessa situação. Triste e lamentável.

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    ANDRE.

    ± 19 dias

    Ótimo artigo. Mencionei no artigo do Guido sobre os sindicatos dos profissionais da educação, algo que vc trouxe no seu artigo. Acho interessante os professores simplesmente se eximirem, ao invés de cobrar meios de atuação com redução de danos, já pensaram os profissionais da saúde agindo iguais aos da educação???

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    Alex Martins

    ± 19 dias

    Muito bom texto, com alertas pertinentes sobre o presente e o futuro da nossa educação. O pior é que sequer temos um ministro decente faz tempo. Educação e Saúde não são prioridade nesse desgoverno, nem mesmo no discurso, tal a incompetência que estamos vivenciando. Serão tempos sombrios até a sociedade civil acordar e exigir governantes realmente capazes em todos os níveis, além de fazer sua parte para evitar o sucateamento das escolas públicas e melhorar o ensino básico, sem o que jamais iremos progredir de fato.

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    Gerson Luis Maciel

    ± 19 dias

    Interessante o ponto de vista do articulista. Mas há muito tempo que os sindicatos perderam o poder de barganhar com o governo, portanto os sindicatos não têm qualquer responsabilidade sobre a péssima educação no Paraná e no Brasil. Agora o novo culpado é Paulo Freire. Jamais se culpam os verdadeiros responsáveis: péssimos ministros, péssimos secretários, péssimos governadores, péssimos presidentes. "Um rei fraco, faz fraca a forte gente".

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    DENISSON HONORIO DA SILVA

    ± 19 dias

    A pandemia apenas agudizou um quadro que já era caótico . Tenho para mim, que primeiro um currículo mais enxuto para a crianças é o básico. Portugues, matematica e ciências e história do Brasil. As outras, todas facultativas. Para ser um pedreiro, carpinteiro ou balconista de loja é mais do que suficiente. Alguém poderá dizer que isso impediaria ascensão social. Meu Deus. Todos precisarão ser esquerdistas? Todos querem ir para a faculdade? Sigamos o exemplo de Portugal. Universidades são públicas, sim, apenas para os pobres. O restante paga. Por que ninguém discute isso? Os professores deverão ser cobrados se realmente dão o conteúdo. Avaliados sua performance. E bem pagos.

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    Elias Quadros

    ± 19 dias

    Não eleger asnos.

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    Nilson Macan

    ± 19 dias

    A crise na educação vem de muito tempo, agravada agora pela pandemia. O método de Paulo Freire acabou de enterrar o pouco que restava de respeito aos professores em sala de aula. É comum as materias de agressão física à professores em sala de aula. No meu ver deve-se começar pela restauração da DICIPLINA e eliminação de coisas como a IDEOLOGIA DE GÊNERO... há que se levar em conta o imenso passivo herdado pela gestão petista.

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  • A

    ANA CAROLINA CARIUS

    ± 19 dias

    A situação é muito mais grave, além de questões sanitárias. Me pergunto se, após a vacina, os sindicatos não irão puxar uma greve, de qualquer forma. Ninguém está preocupado com a falta de aulas, a começar pelos estudantes, suas famílias e por alguns professores. Os políticos só refletem o comportamento da base.

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    Alfred Carstens

    ± 19 dias

    A Educação vem em declínio, estudei o antigo Primário e Ginásio em escola pública. Há tempos que a educação deixou de ser uma prioridade. Senado e Câmara nada farão pois quanto pior for a educação e a escolaridade mais fácil se elegem e perpetuam.

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  • R

    Rosa vermelha

    ± 19 dias

    assunto tão importante mas é invisível, mais bois indo para o matadouro, para que se preocupar, salve-se quem puder.. o meu primeiro, não acredito que minha geração va mudar...

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    Anderson

    ± 19 dias

    Planejamento nesse governo perdido? Não são nem capaz de analisar o curriculum antes de contratar um ministro da educação, vale tudo, até mentir doutorado, pós doutorado, Brasil Vergonha mundial com esse governo perigoso e incompetente

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    1 Respostas
    • C

      Clarisier Azevedo Cavalcante de Morais

      ± 19 dias

      Qualquer tentativa de qualquer esfera de poder de retomada de aulas presenciais nas escolas públicas (e alguns casos até das online, onde ela é possível), está sendo objeto de judicialização. E o Judiciário está referendando o pleito dos professores. Portanto, sem que os professores e a Justiça abram os olhos para o que diz o articulista, não há como isso acontecer

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