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Por que a França é o terreno ideal para a semente da intolerância islâmica

  • 29/10/2020 14:30
O islamismo se apropria de um valor muito caro ao Ocidente, a tolerância, para impor sua doutrina baseada na submissão.
O islamismo se apropria de um valor muito caro ao Ocidente, a tolerância, para impor sua doutrina baseada na submissão.| Foto: Pixabay

Escrever sobre o terrorismo islâmico e associá-lo a uma estranha visão de mundo que, apesar do discurso prafrentex, prefere uma doutrina que determina que homossexuais sejam mortos, mulheres adúlteras sejam apedrejadas e infiéis sejam degolados é óbvio demais. Você vai ler isso aos montes por aí - e não há nada de mau nisso. Até porque é preciso reforçar essa curiosa afinidade eletiva, investigá-la e até se indignar com ela.

Também seria fácil falar da ironia histórica que é ver a França, berço do Iluminismo, sucumbir à barbárie de outro ismo, o do terror que corta as cabeças das pessoas em nome de Alá. Menos fácil é explorar a relação entre uma coisa e outra, mas nada impossível. Michel Houellebecq fez bem isso em seu romance satírico Submissão. Aliás, nada mais fácil do que, em meio a notícias de ataques de terroristas islâmicos na França, evocar Houellebecq e seu Submissão.

Fácil e irresistível. Porque, se por um lado Submissão padece do que chamei recentemente de croniquificação do romance, tratando de temas muito próximos do presente e sem aspirar muito à imortalidade, por outro ele consegue expressar toda a sutileza da qual o islamismo faz uso para dominar uma sociedade - no caso, a francesa. Sutileza que, paradoxalmente, inclui a explosão de uma bomba aqui e uma decapitação acolá.

É. Não adianta. Mesmo sendo óbvio, vou ter que dizer. O islamismo se apropria de um valor muito caro ao Ocidente judaico-cristão, a tolerância, para impor sua doutrina baseada na submissão – o que pressupõe uma relação de força entre Alá, opressor, e fiel, voluntariamente oprimido. É um problema incontornável, porque de um lado há toda uma tradição baseada no princípio da misericórdia e do perdão. Do outro, a tradição fala em "guerra santa", punição e danação.

Menos óbvio é o voluntarismo com que parte da inteligência se submete aos Islã, ainda que informalmente. Há explicações possíveis para isso. Há quem fale numa espécie de birra iluminista em relação à cultura cristã. Algo como “o islamismo é ruim, mas é melhor do que o que temos hoje”. Outros, como o próprio Houellebecq, veem na sujeição dos intelectuais ao islamismo apenas uma conjunção de interesses muito pequenos e muito mundanos.

A promessa de revolução do islamismo, ainda que seja uma “revolução para trás”, seduz tanto quanto qualquer ideologia secular extremista. Tanto quanto qualquer peste. Porque, assim como a peste e os regimes políticos assassinos, o Islã promete refundar a sociedade, substituindo os valores vigente por outros que, apesar de caquéticos, são outros. Não há consequência neste raciocínio. O que importa, num primeiro momento, é apenas o desejo de apertar o botão “reset” da civilização.

Isso sem falar na “terceirização da responsabilidade” que o islamismo, em sua faceta mais extrema, usa para conquistar esses guerreiros covardes capazes de cortar a cabeça de uma pessoa que não estava fazendo mal a ninguém. É uma característica bastante semelhante às promessas da religião secular do socialismo, na qual a submissão à vontade do grupo isenta o indivíduo das consequências morais de seus atos. Mata-se em nome de Alá, assim como se mata em nome do proletariado, do feminismo, das causas identitárias.

De uma forma ou de outra, tudo isso está em Submissão, de Michel Houellebecq. E é deveras assustador, ainda que não surpreendente. O escritor francês, contudo, consegue no romance algo que não consegui nem tentei neste texto: extrair algum humor dessa tragédia toda. E Houellebecq só faz isso porque, em sua obra, abdica da imortalidade e, se mira o futuro, é com a resignação sábia de quem se reconhece herdeiro livre de toda essa cultura de tolerância e aceitação. Mas só por enquanto.

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Comentários [ 10 ]

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    Marcelo M

    ± 11 horas

    Paulo, li ano passado Submissão e fiquei assustado pela quase-realização daquela distopia a epoca, o cenário agora é pior e a pandemia, com o avanço do totalitarismo berra nas nossas caras: reajam, ataquem, lutem, defendam-se de décadas de covardia, passividade e fartura desormonizante. "Civilizado" virou sinônimo de "Acovardado", pra não dizer "Sodomizado"...

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  • M

    Manuel J O Guerra

    ± 12 horas

    Sem duvida, o ocidente hoje é em grande parte uma sociedade pusilânime e covarde, em nome do liberalismo e progressismo esta aceitando todo e com isto auto se destruindo, o islamismo é uma religião obscurantista e atrasada buscando a implantação forçada que menospreza as religiões "inferiores" e somente busca aniquilara-las, e a Europa de hoje é um caldo de cultivo perfeito. Uma lastima.

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  • E

    E. Kuhnen

    ± 3 dias

    Paulo, como sempre, seus textos são coerentes e esclarecedores. Parabéns. Siga sendo um verdadeiro jornalista !

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    E. Kuhnen

    ± 3 dias

    Paulo, como sempre, seus textos são coerentes e esclarecedores. Parabéns. Siga seno um verdadeiro jornalista !

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    Orlando Tambosi

    ± 4 dias

    Tomo a liberdade de recomendar, caro Paulo, o duro texto de Roger Scruton sobre o Islã, que republiquei no blog (. Em resumo, diz o filósofo: O Ocidente precisa defender seus valores e princípios "sem concessões àqueles que desejam trocar a cidadania pela submissão, a nacionalidade pela conformidade religiosa, a lei secular pela sharia, o patrimônio judaico-cristão pelo Islã, a ironia pela solenidade, a autocrítica pelo dogmatismo, e o alegre beber por uma abstinência censurante. Devemos desprezar todos os que exigem tais mudanças e convidá-los a viver onde a forma política que preferem já esteja estabelecida. E devemos reagir à sua violência com toda força necessária para contê-la".

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    Lucano

    ± 4 dias

    Daqui a 30 anos, quando a EUROPA for muçulmana, vão levantar uma estátua para o Trump nos EUA.

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  • G

    Giba12

    ± 4 dias

    E é pelo exposto no texto que a esquerda se cala e até apoia o Islamismo, pois vê nele um aliado para a submissão do rebanho tão manso e tolerante.

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  • R

    Rafael França de Souza

    ± 4 dias

    A esquerda odeia o cristianismo pq Deus primeiro criou o "verbo", no grego LOGOS, razão, sentido. Deus é onipotente, mas o universo que ele criou tem uma razão de ser; no universo do Islã tudo é vontade. As coisas são pq Allah quer, e isso o esquerdista ama: se o líder tem vontade tudo acontece, e se não acontece é por culpa do diabo/infiel/blasfemo/traidor de classe/ kulak.

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    Einsiedler

    ± 4 dias

    Reflexao sadia, para eles somos infieis e descartaveis.E nos submissos e dispostos a perdoar.

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    Regina Célia Baldin

    ± 4 dias

    Paulo, meus cumprimentos. Seu texto elucida a questão e torna-a até palatável. Gostei muito.

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