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Polzonoff

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"Para nós, há apenas o tentar. O resto não é da nossa conta". TS Eliot.

Cansei de ler livros que explicam como chegamos a este atoleiro. Só me interessa sair dele

  • 22/11/2020 19:19
Já está na hora de usar essa pilha de escombros para erguer algo de admirável.
Já está na hora de usar essa pilha de escombros para erguer algo de admirável.| Foto: PIxabay

Meu Kindle está entupido de livros que explicam como chegamos a este atoleiro. Mark Lilla, por exemplo, fala do reacionarismo e de seu apelo à nostalgia e às glórias falsas do passado. Oquei. John Gray parece um diabo-da-Tasmânia, demolindo igualmente o darwinismo e o cristianismo em seu “Cachorros de Palha”.

Em “The Righteous Mind”, Jonathan Haidt fala um monte de abobrinha para chegar à mesma conclusão que minha avó já proclamava nos natais da família: todo mundo acha que tem razão em tudo. Em “Espiritualidade para Corajosos”, Pondé aponta para a falência espiritual do Ocidente e põe a culpa na nossa herança cultural riponga.

Chesterton vai além em “O Que Há de Errado Com o Mundo”, livro que bem poderia ser resumido em uma palavrinha: tudo. Isso sem falar em Caplan, em Rothbard, e em todos os livros que falam da decadência da democracia, da ascensão do autoritarismo e até na tirania dos especialistas.

Mundão véio sem porteira

Acho que, depois de tudo o que li nos últimos dois anos, a imagem está bem clara para mim. Chegamos a este estado de coisas a que dou o nome pouco criativo de “atoleiro” por causa do Iluminismo e da Revolução Industrial e do marxismo e do cientificismo eugenista (apud Jeffrey Tucker) e de Foucault & Marcuse e da ameaça existencial das bombas atômicas. Ah, sem falar na macabra tecnologia das redes sociais.

Ótimo. Maravilha. Agradeço a esses e tantos outros escritores vivos ou mortos que tive o questionável prazer de ler e até traduzir por me explicarem por que a realidade é assim e por que fico deprimido se ligo a TV ou abro o celular para acompanhar o noticiário. Mas agora quero mais e, se pudesse, pediria que todos esses gênios que sabem ligar os pontos como ninguém se dedicassem a descobrir uma saída deste labirinto em que nos encontramos.

Gostaria de pedir que eles ou algum outro escritor que agorinha mesmo está fazendo fichamento para escrever mais um livro explicando a semelhança entre o jacobinismo e as milícias digitais me dessem um pouco de esperança. Pode ser até esperança falsa. Não ligo. Que me dissessem que o mundo vai, aos trancos e barrancos, continuar sendo o mundão véio sem porteira da minha infância – cheio de mistérios e fascínio.

Pilha de escombros

Onde estão os livros, à esquerda ou direita, provando por a + b que o tal de mundo moderno, apesar de todos os inegáveis defeitos, ainda é bem melhor do que o mundo antigo, quando se morria por causa de um abcesso, havia execuções públicas e, bom, a vida estava longe de ser divertida como é hoje? Onde estão as longas e até tediosas exposições sobre o incrível sucesso do homem e da Humanidade – contra todas as probabilidades?

As perguntas são evidentemente retóricas. Sei que há vários livros que mostram o sucesso do homem enquanto espécie. “O Otimista Racional”, de Matt Ridley, por exemplo, é um que me vem à mente. Isso sem falar nas milhares de biografias, romances e até poemas que são, em si, um atestado de nossa incrível capacidade criativa e das virtudes da nossa busca por redenção. É nesses livros que vale a pena buscar sabedoria. Sabedoria, não conhecimento. São eles que nos dão alguma esperança. Esperança de verdade, não promessas vazias.

Mas esses livros raramente encontram espaço na prosa pessimista, digo, sadofatalista dos analistas contemporâneos, que devem achar divertido e até prazeroso disseminar a desesperança entre os homens. De minha parte, que é uma parte minúscula, mas é minha e ninguém tasca, simplesmente cansei dessa obsessão por descobrir qual caminho nos trouxe à suposta ruína.

Já está na hora de usar essa pilha de escombros para erguer algo de admirável.

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Comentários [ 13 ]

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  • J

    João Martins Donizete

    23/11/2020 20:18:55

    Bravo. Taí uma boa ideia. De notícias de TV e a maioria dos jornais já quase aboli "in totem". Tais mídias que dizem que os outros propagam "fakes" são elas mesmos fakes na grande maioria. Elas e as grandes "tech" querem na verdade o discurso de um só lado. Isso é - sim - censura.

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    • P

      Paulo Santos

      23/11/2020 17:13:42

      Em Deus eu deposito minha esperança em mundo melhor, não coletivo, mas totalmente individual.

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      • I

        Irineu Berestinas

        23/11/2020 16:16:33

        É o trem... Me desculpe, mas não posso perder o trem... Não, não, me leve a mal, que não é isso! Compromisso é compromisso! O apito é coisa que não posso abandonar! Estou a postos. Vigilante! É que anuncia a minha chegada, de horário marcado! É um encontro que tenho comigo mesmo... Não posso perder! Nem deixar o maquinista na mão!

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        • P

          Paulo Kunzel

          23/11/2020 12:46:31

          Gostei do "sadofatalista" , mais um aprendizado!! Texto muito divertido!! Parabéns PP

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          • C

            chico

            23/11/2020 12:33:58

            excesso de informação é nenhuma informação

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            • W

              Wiliam Righi

              23/11/2020 12:23:03

              Recomendo o livro Factfullness de Hans Rosling sobre como ter uma visão clara sobre o mundo, baseada em fatos, e que demonstra que, se seguirmos fazendo o que ja fizemos ao longo do ultimo século, continuaremos avançando. Como o autor se define, não é um otimista, mas um possibilista. Vale a leitura.

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              • M

                Michel Carvalho

                23/11/2020 11:58:46

                O mesmo mundo está bom ou ruim a depender de quem se ouça. Por exemplo, se for assistir à ainda maior emissora de TV do país, estará tudo péssimo, com o vírus mais mortal da História, com a maior violência racial, de gênero, de política, da História. Se forem analisados dados do mundo real a conclusão é bem diferente. Acho que estamos apenas perdendo tempo ouvindo as pessoas erradas.

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                • F

                  FRANCIELY

                  23/11/2020 11:56:33

                  o reerguimento da nossa sociedade depende dessa mesma coletividade, que infelizmente está acostumada com a vida cheia de direitos e poucos deveres, que se acostumou a reclamar de tudo e fazer nada. Enquanto eu sempre estiver esperando que o outro aja para tornar a minha vida melhor, continuaremos patinando como coletividade. Isso explica o sucesso de algumas pessoas que resolvem arregaçar as mangas e trabalhar, por si só, para o alcance de seus objetivos.

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                  • G

                    Gerson Luis Maciel

                    23/11/2020 11:21:09

                    Ótimo e bem-humorado texto, um bálsamo. Sempre haverá algo para reconstruir de um escombro e sempre haverá motivos de otimismo para a humanidade. Conhecimento é importante, mas a sabedoria é fundamental. Só a encontramos em bons livros.

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                    • K

                      kukafe

                      23/11/2020 10:52:36

                      Gente do céu! Quando eu tinha instagram/facebook e queria me referir a situação atual da humanidade usava essa expressão: "OOOhh Mundão Véio sem porteira" ou "Mundo véio e sem porteira" - e hj, lendo esse artigo divertido, me deparo com a nostalgia. Quanto a sair do atoleiro só a transcendência. Leia John Bunyan - O Peregrino, um clássico da literatura cristã.

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                      • A

                        Ana Luiza

                        23/11/2020 10:27:31

                        Um homem sem transcendência é um homem morto, mas ainda vivo na modernidade.

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                        • S

                          Saber é poder

                          23/11/2020 3:56:27

                          Tenho sentido exatamente isso em minhas últimas leituras. Quanto aos filmes e músicas, sinto o mesmo. Quando a gente é pai (pai de verdade), e pensa na família (família mesmo), passa a ser muito mais criterioso. Somos aquilo que consumimos. Ler, escutar, ver e comer lixo - nunca mais. Passo grande tempo garimpando otimismo. Tenho lido clássicos, como a Odisseia e a Torah, com meu filho. As músicas gospel também têm me inspirado alegria, paz e saúde mental (como a música da Erika Natyelle, por exemplo). Me sinto muito melhor em consumir saúde e otimismo.

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                          • J

                            J. MOACIR

                            23/11/2020 2:29:21

                            PP , concordo em Gênero , Número e Grau com seu texto ! Muito se fala de quem não lê . Mas e os que lêem ? Gostei do recorte de dois anos , realmente em dois anos de leitura o que vi foi - geralmente - o descrito no texto. Cito ( como excessão ) a trilogia - muito criticada - do Yuval Noah Harari , principalmente o terceiro : 21 Lições para o Século 21, como uma leitura " otimista " ou mais próxima da realidade...

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