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Reinaldo Bessa

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A dama das orquídeas: a colorida vida de Rosita Beltrão Rischbieter

  • PorReinaldo Bessa
  • 20/11/2020 16:23
A dama das orquídeas nem sempre dedicou sua vida às flores.
Rosita Beltrão Rischbieter com suas orquídeas, uma paixão antiga.| Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Tenho um desafio pela frente: contar a história de uma mulher que passou parte da vida à sombra de um homem poderoso. Ela é a curitibana Rosita Beltrão Rischbieter, nascida Rosa Maria de Castro Beltrão. O poderoso em questão é o falecido empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, fundador da CR Almeida, com quem foi casada por 30 anos. Um casamento exótico, segundo ela. Os dois se casaram em 1956, ela com 18 anos, de uma beleza incomum, a lembrar uma diva do cinema italiano, e ele com 25, recém-formado em engenharia civil e empregado de uma empresa de obras públicas de Curitiba.

Para noivar, Cecílio fez uma exigência: que ela desistisse da ideia de prestar vestibular para Medicina. Apaixonada, Rosita, que sonhava ser pediatra, aceitou. Tiveram seis filhos, cinco homens e uma mulher. “Deus foi tão bom comigo que me deu seis filhos impossíveis. Fui pediatra deles”, diz com um sorriso maroto. Além do sexteto de filhos, tem 22 netos e seis bisnetos. Mas nem tudo foram flores para ela. Teve um filho sequestrado ainda adolescente e anos depois o perdeu. Mais tarde passou três meses no hospital acompanhando outro filho, acometido de um grave problema de visão.

O Rischbieter de seu sobrenome vem do último marido, o também engenheiro civil e ex-ministro da Fazenda Karlos Rischbieter, que era viúvo. O casamento durou 20 felizes anos.

Enquanto esteve casada com Cecílio Almeida, Rosita foi acionista da empreiteira do marido. Com o fim do casamento e, mais tarde, com a morte do empresário, ela se viu no meio de uma intensa disputa judicial. Chegou a ir sozinha a São Paulo para enfrentar os advogados do ex-marido em uma audiência. Venceu a parada. Hoje não tem mais nada a ver com a empresa. E o diz com o semblante aliviado.

Antes de prosseguir na saga dessa mulher altiva e elegante de assumidos 83 anos, tenho que registrar que ela me surpreendeu pela acessibilidade e franqueza com que tratou de todos os assuntos que lhe foram perguntados, sem exceção. A dona da Orquidaria Rosita exala savoir vivre. Nossa conversa foi em sua sala no espaço que comanda na Rua Mateus Leme e que leva seu nome. Ao iniciar a conversa, ela me mostra dois grossos álbuns de família minuciosa e cronologicamente organizados. Neles está registrada sua história desde que nasceu.

Em seu acervo, Rosita conta com sete mil orquídeas.
Em seu acervo, Rosita conta com sete mil orquídeas.| Fernando Zequinão

Seu pai, Alexandre Gutierrez Beltrão, também engenheiro, fundou os municípios de Ibiporã, Engenheiro Beltrão e Francisco Beltrão e foi prefeito de Curitiba duas vezes durante o governo do interventor Manoel Ribas. Completam os álbuns fotos do casal em colunas sociais e cartas dos filhos e netos a ela. “Dona Rosita é a mulher mais alinhada, mais elegante do Paraná”, escreveu um colunista. As aparições, sempre ao lado do marido, em festas elegantes do jet set curitibano, eram o máximo de exposição que se permitia. Entre as cartas, uma chama a atenção. Cecílio Almeida viajava em seu avião e percebeu que algo não ia bem com a aeronave. Achando que iria acontecer uma tragédia, escreveu uma carta apaixonada à mulher e pediu que todos ficassem unidos com sua ausência.

Pouco antes de começar a entrevista acompanho-a em um pequeno tour pelo orquidário. Elegantemente vestida e com os braços cheios de pulseiras, ela distribui orientações aos funcionários que cuidam de suas orquídeas. Algumas clientes a abordam para parabenizá-la pelo empreendimento. Rosita é só sorrisos. Voltemos à história. “Meu casamento foi muito exótico. Ele [Cecílio] vivia fora de segunda a sábado trabalhando na construção de estradas. Chegava em casa cabeludo e sujo como um gambá e era muito ciumento”, entrega.

Quando o empresário morreu, em março de 2008, aos 78 anos, já estavam separados havia anos e ela já estava casada com Rischbieter desde 1993. “Casamos só no civil porque eu era divorciada, mas, depois da morte do Cecílio, nos casamos na igreja Santa Teresinha. Foi a maior farra da vida”, diz com uma expressão alegre. Amigas, as filhas de ambos atuaram como cupido para aproximar os dois. Karlos Rischbieter morreu em 2013, aos 85 anos. “Foi um casamento muito tranquilo, alegre. Com Cecílio era grande paixão e grande briga”, recorda. Pergunto se um novo casamento está fora dos planos e a resposta sai enfática: “Nããão!!!”. Tem pretendentes?, insisto. “Ihiiiii”, responde rindo.

A paixão por flores vem da época em que morava na fazenda dos pais, em Ibiporã, Norte do Paraná. Já casada, chegou a trabalhar como paisagista. Mas as orquídeas entraram em sua vida quando, décadas atrás, ganhou uma de presente de um dos filhos num dia das mães. Cuidou com tanto carinho que no ano seguinte ela deu mais flor ainda. A partir de então começou a ganhar mais e mais e a comprar também. Todas iam para a garagem da mansão dos Almeida na Mateus Leme.

O envolvimento foi tão grande que chegou a comprar três orquidários em Santa Catarina e dois em Curitiba. Hoje seu acervo é de sete mil orquídeas entre a orquidaria e a residência, do outro lado da rua, onde mantém cinco estufas. A casa original já não existe mais. Rosita mora em uma construção menor, no imenso terreno. Enquanto foram casados, Rischbieter a ajudava na classificação de cada uma. E sempre que viajavam ele a levava a orquidários.

A ideia de abrir um orquidário próprio surgiu há cerca de quatro anos em Londres, onde estava a passeio. Ligou na hora para o arquiteto Jayme Bernardo e encomendou o projeto. Queria que tivesse um café junto. Hoje, a orquidaria divide espaço com a panificadora gourmet Prestinaria, de seu filho Marcelo. O empreendimento floral não mira exclusivamente no lucro. “A pessoa que for ver não tem obrigação de comprar”, diz. Rosita fala com propriedade sobre orquídeas, inclusive as selvagens. Diz que uma orquídea bem cuidada dá flor por dois anos, “sem trocar de vaso”.

Reclama que muitas pessoas colhem a planta na mata para vender como se fosse laranja. Lamenta não ter conseguido passar a paixão a nenhum dos filhos ou netos. Além das orquídeas, sua grande paixão é o carnaval. “Desde os 9 anos”, faz questão de dizer enquanto procura num dos álbuns fotos vestindo fantasia. Nos últimos 15 anos foi à Marquês de Sapucaí, o sambódromo carioca, e chegou a desfilar pela Mangueira uma vez. Pergunto como se sente hoje. “Sou realizada, tenho mais amigos que inimigos e me dou muito bem com meus filhos e netos. Tá bem boa a minha vida. Acho que a idade que tenho não é verdade”, finaliza essa senhora que fez das orquídeas sua razão de viver

REINALDO BESSA é jornalista, colunista, apresentador e diretor do portal www.reinaldobessa.com.br

rbessa@reinaldobessa.com.br

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