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2019 ainda não foi o ano da volta dos IPOs
| Foto: Bigstock

IPO é a sigla em inglês para Inicial Public Offering, o que na tradução significa Oferta Pública Inicial. Basicamente é quando uma empresa toma a decisão por listar suas ações na Bolsa de Valores. É por meio desse processo que a empresa passa de “limitada” (Ltda) a sociedade anônima (S/A). No entanto, aqueles que desconhecem o mercado de capitais não entendem o porquê de isso ocorrer. Como objetivo, as empresas, que buscam sucesso à longo prazo, precisam continuamente investir em novos projetos, ou seja, ter em vista a expansão. Recursos para isso podem ser captados através de dinheiro próprio, empréstimos bancários ou investidores dispostos a oferecer os montantes desejados. Em geral, ocorre em momentos de boas perspectivas para a economia. E por essa razão acredito que este texto vem no timing correto.

Desde o início dos anos 2000, o Brasil viveu um boom na bolsa de valores. Porém, foi a partir de 2004 que muitas empresas começaram a reconhecer essa possibilidade. Desde então, 169 companhias realizaram o IPO na B3. Se entrarmos no detalhe, 2007 foi o ano mais pujante, com 64 aberturas de capital. Empresas do setor de construção civil conhecidas no cenário nacional listaram suas ações no mercado de renda variável, tais como PDG, Tecnisa, Even, JHSF, Eztec, MRV e Helbor. No ano anterior, o segundo maior quando o assunto foi adesão de empresas a esse mercado, o número de ofertas foi de 26, com companhias como Copasa, MDias Branco e Positivo.

Com a crise do subprime nos EUA e consequentemente o estouro global em 2008, no entanto, não vivemos mais períodos de ouro no mercado de IPO, pelo menos não por aqui. Para se ter ideia, se somarmos os últimos quatro anos, desde o início de 2015, tivemos no mercado nacional “apenas” mais 17 IPOs, sendo um em 2015, um em 2016, dez em 2017, três em 2018 e somente três até esse momento de 2019 – apesar de ainda haver perspectivas de que outras empresas sigam este caminho e possam tomar o mesmo rumo nos próximos dois meses.

O que chama a atenção, em contrapartida, é que com a expectativa da melhora de cenário, poderíamos ter tido ao menos 30 IPOs no país em 2019, segundo estimativas de especialistas. E qual a razão de isso não ocorrer? Basicamente falta de confiança na economia, política e na segurança jurídica para alguns casos. Quando uma empresa aciona o mercado, a perspectiva é de que os negócios melhorem de maneira expressiva, até porque serão mais cobrados. Eficiência, geração de resultados melhores em comparação aos anteriores e rentabilidade, a partir de então, passam a ser cobranças diárias feitas por milhares de investidores.

Outros caminhos

Outra forma de captação de recursos no mercado é por meio do follow-on, que ocorre quando uma empresa de capital aberto volta a buscar por recursos para expandir suas operações. Também conhecido como oferta subsequente de ações, ele pode ocorrer com uma oferta primária (ou seja, quando a companhia emite e oferece novas ações aos investidores) ou por meio da oferta secundária de ações (que acontece quando os próprios acionistas colocam sua participação à venda no mercado).

Como objetivos para isso ocorrer podemos listar a possibilidade de aumento da capacidade de produção da empresa, a expansão de seus negócios, aquisições, pagamento de dívidas, entre outros. Nesse sentido, foram registrados 164 follow-ons no mercado nacional desde 2004. Mas, diferentemente do que ocorreu com os processos de IPO, essa modalidade foi pulverizada ao longo dos anos, não tendo grande concentração como ocorreu em 2007 no outro caso. Somente em 2019 vimos um número “expressivo” de 22 ofertas, que somadas totalizaram R$ 53 bilhões. O maior número anterior a este tinha sido em 2009, com 18 ofertas na atual B3, antiga Bovespa.

Em 2020, com a taxa de juros, a Selic, no menor patamar da história, inflação estável na casa de 3,5%, melhora nos índices de desemprego e economia voltando a crescer satisfatoriamente, poderemos ver novamente empresas acessando o mercado, mas isso só ocorrerá com o ajuste fiscal sendo concretizado – mesmo se Reforma da Previdência for aprovada - e com segurança jurídica para novos e grandes projetos, em especial no segmento de infraestrutura. Caso contrário, será mais um ano que poderemos iniciar com expectativas positivas e encerrar com números bem abaixo do cenário possível para o país.

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