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Alarmismo ou extremismo? Como ler as impressões sobre o novo normal

  • Por Roberto Indech
  • 18/05/2020 22:20
Alarmismo ou extremismo? Como ler as impressões sobre o novo normal
| Foto: Miguel Medina/AFP

Enquanto alguns países da Europa anunciam retorno gradual, no Brasil parte dos governadores falam e atuam em favor de um lockdown, ou seja, um confinamento ainda maior. Na China, o movimento é distinto, apresentado até nos últimos indicadores econômicos reportados. Por aqui, apesar de termos tido tempo para planejar, o cenário atual indica não haver plano de saída, dadas as divergências entre as esferas Federal e estaduais. Neste momento em que se percebem avanços nos testes para vacinas e remédios e se aguarda a cura do novo coronavírus, grande parte da economia nacional segue fechada.

Por esta razão verificamos no Boletim Focus mais recente do Banco Central expectativa de mais queda para a economia em 2020: de -5%. Vale ressaltar que este dado é divulgado semanalmente e tem piorado à medida que o tempo passa. Muitos dos resultados corporativos reportados pelas empresas de capital aberto e referentes ao primeiro trimestre estiveram abaixo do que o mercado esperava apesar dos meses de janeiro e fevereiro normalizados no país.

Será a partir dos números de abril que poderemos ver realmente o quanto as empresas foram impactadas. Por enquanto, ficamos apenas com os indicadores mensais da economia como um todo que trouxe, entre outros revezes, uma produção de carros praticamente nula para o mês. Por outro lado, temos setores que tem performado bem, seja pela apreciação do dólar em relação ao Real ou pelo momento de estarmos em casa e a demanda online crescendo exponencialmente no período. Ao mesmo tempo que nem tudo são flores, não podemos afirmar também que todas as empresas do país irão quebrar, apesar da gravidade do momento. Mensagens drásticas ou extremistas nunca são positivas. E digo isso com clareza, pois tenho recebido mensagens neste sentido.

Outras negativas que também tem chegado a mim se referem à máxima "a renda fixa morreu". Mais uma vez afirmo categoricamente que qualquer extremismo não nos leva a conclusões reais. Investimentos mais conservadores seguem normalmente e devem ser utilizados por pessoas que possuem perfil mais conservador, por aqueles que buscam alocar parte do seu capital em reserva de emergência, que tenham em vista uma diversificação de carteira ou até mesmo oportunidades que venham a surgir.

Possivelmente quem deveria receber uma nota de repúdio seriam aqueles que seguem colocando dinheiro na poupança, dado que a captação líquida ficou positiva em R$ 30,5 bilhões em abril, recorde para qualquer mês na série histórica do Banco Central iniciada em 1995. Vale lembrar que, com a taxa de juros em 3% ao ano, o rendimento da mais tradicional aplicação financeira no país irá render 2,1%. No entanto, importante ressaltar que para a próxima reunião do Copom, a ser realizada em 17 de junho, ou seja, daqui exatamente um mês, a expectativa é de novo corte da Selic, desta vez para 2,25% ao ano, o que traria o retorno da poupança para míseros 1,58% enquanto a inflação esperada para este ano é de 1,6%. Dessa forma fica evidente que cerca de 100 milhões de brasileiros terão seus recursos com retorno real nulo no período.

Mais alarmismos também chegam sobre os fundos imobiliários, modalidade de investimento em que o pequeno investidor pode comprar frações de imóveis. Com toda essa mudança que estamos vivenciando, há quem acredite que o segmento corporativo estaria fadado ao fracasso no médio prazo. Não enxergo desta forma e vejo novamente pensamentos extremistas e inconclusivos. Obviamente alguns modelos precisarão ser revistos, mas com o retorno pujante da economia nacional podemos esperar novas empresas e crescentes que poderão tomar espaços antes não ocupados.

Outro fato que tem vindo à tona refere-se aos funcionários frequentarem escritórios de duas a três vezes por semana, o que poderá ser uma nova realidade após a descoberta de medicamentos que combatam o vírus. No entanto, os escritórios continuarão existindo, mesmo que vejam diminuir sua frequência no dia a dia. Ademais, é necessário ter ciência de que há casos e casos, mesmo dentro do sub segmento de lajes corporativas no mercado de fundos imobiliários.

Por fim, o que se vê, infelizmente, é a falta de tranquilidade diante de tal momento, o que pode acabar passando mensagens nada alentadoras e fora da realidade. Isso, de fato, não contribui nem para o momento, nem para o novo normal que teremos nos próximos meses.

Roberto Indech é estrategista-chefe da Clear Corretora.

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Comentários [ 2 ]

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  • M

    Maquiavel

    ± 7 horas

    A maioria das pessoas que aplicam seu dinheiro na poupança, não estão interessadas em rendimento, mas sim uma forma de guardar seu dinheiro para emergências, para simplesmente não gastá-lo ou com intuito de comprar alguma coisa em um futuro próximo, sem contar que é uma aplicação com liquidez imediata e baixíssimo risco, sem contar que no momento atual também estão fazendo uma reserva financeira para um futuro incerto, com altas taxas de desemprego!

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  • M

    Marcos eisenschlag

    ± 8 horas

    Com juros nominais a 2%, prefiro aplicar em ouro que tem media de rendimento maior e me imuniza de carregar o risco de um pais com relação divida/PIB de 80% e de um Congresso descompromissado.

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