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Leilão da tecnologia 5G abre possibilidades de aplicações
Leilão da tecnologia 5G abre possibilidades de aplicações| Foto: Reprodução

Com data para acontecer no dia 4 de novembro, o leilão da tecnologia 5G abre possibilidades que vão além de uma nova e mais veloz geração de comunicação móvel e de internet. Entre as vantagens estão aplicações envolvendo inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual. A chegada da tecnologia no país vai beneficiar setores variados como a Educação e o Agronegócio, mas também vai fazer diferença no cotidiano dos brasileiros, dentro do projeto Cidades Inteligentes, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

A iniciativa busca trazer para o espaço urbano as tecnologias de ponta como forma de mostrar à população que elas são indispensáveis para a melhoria da qualidade de vida, segundo define Igor Calvet, presidente da ABDI. “As cidades serão muito impactadas. Essa nova tecnologia, além da velocidade, trará um tempo de resposta muito mais baixo, o que viabilizará muitas tecnologias e inovações. Então, as tecnologias 5G habilitam as cidades, a indústria, o campo em uma nova era de inovações.”

O 5G permite uma comunicação mais rápida, com mais terminais para uma mesma torre e também com uma latência menor – o chamado delay, o tempo entre a informação sair de um aparelho e ir para internet, e vice-versa.

Vale lembrar que a agência já possui um plano de ação a partir de 2022, quando o 5G enfim chegar ao país. A tecnologia será fornecida em caráter experimental para seis municípios brasileiros (ainda não escolhidos) para demonstrar para as pessoas e empresas como o 5G pode impulsionar seus negócios.

Como bem enfatizou recentemente Alexandre Gomes, diretor de marketing B2B da Embratel, a geração de valor com a chegada do 5G também traz impactos em 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O Fórum Econômico Mundial dá como exemplos a contribuição para a boa saúde e bem-estar com a melhoria da infraestrutura, a promoção de indústrias sustentáveis e o fomento à inovação.

Já para as indústrias, são três os pilares contemplados com as oportunidades de inovação: a inteligência preditiva, que promove agilidade no monitoramento das operações; locais de trabalho e a segurança do colaborador aprimorados; e o aumento da eficiência operacional, ao mesmo tempo em que se reduz a pegada de carbono.

Investimento em infraestrutura

Outro ponto importante a ser mencionado sobre o leilão do 5G é que ele não será arrecadatório: todo o valor será investido em infraestrutura de conectividade e comunicação no país. Segundo dados do Ministério das Comunicações, serão R$ 50 bilhões destinados para ampliar a internet móvel e até o ano que vem todos os estados já terão a tecnologia disponível. Ao todo, são oito mil localidades que o leilão vai beneficiar, começando pelas grandes cidades, depois acima de 500 mil habitantes, 300 mil, 100 mil, até todas as localidades acima de 600 habitantes.

A estimativa do governo federal é que, até julho de 2022, todas as capitais tenham 5G standalone funcionando (o chamado 5G “puro”), com número de antenas estabelecido pelo ministério. Existem dois tipos de rede: o 5G standalone e o 5G “no estado para o qual foi desenvolvido, um 5G real”, como esclarece Abraão Balbino, superintendente da Anatel.

Cidades 4.0 e Projetos Pilotos IoT

Lançada em dezembro de 2019, a Câmara das Cidades 4.0 é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O objetivo da Câmara – da qual faço parte – é elevar a qualidade de vida nas cidades por meio da adoção de tecnologias e práticas que viabilizem a gestão integrada dos serviços para o cidadão.

Em paralelo, o BNDES concluiu a etapa de enquadramento de planos de projetos piloto no âmbito do BNDES Pilotos IoT. Os planos foram selecionados por Grupos Multidisciplinares de Avaliação, um para cada ambiente, formados por integrantes internos e externos ao BNDES.

Dentro do Ambiente Cidades, fui convidado pelo MCTI a integrar essa relatoria. Entre as iniciativas promissoras estão projetos de uso de câmeras e visão computacional para segurança pública; predição avançada do clima; provimento do serviço de veículos elétricos compartilhados; e implantação de telegestão na rede de iluminação inteligente e integração com videomonitoramento para segurança pública.

Com o avanço do 5G, muitas outras soluções irão compor o quadro para construção de uma verdadeira Smart City.

*Beto Marcelino é sócio-fundador e diretor de relações governamentais do iCities, hub de negócios em smart cities que realiza a edição brasileira do maior evento de cidades inteligentes do mundo: o Smart City Expo Curitiba. Em 2020, a empresa lançou o iCities Academy, que traz para o campo da formação profissional a expertise em smart cities aplicada em projetos para empresas e municípios de todo o Brasil.  

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