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Para retorno de investimento em smart cities, é preciso mudar como se opera cidades
| Foto: Ryoji Iwata / Unsplash

A pandemia precipitou muitas mudanças na estratégia organizacional tanto das empresas quanto da gestão de cidades. A busca pelo chamado Retorno sobre o Investimento (ROI, da sigla em inglês “return on investment”) tem sido frequente nas análises de especialistas em smart cities. Para obter o ROI, é preciso uma mudança de mentalidade e operação — não apenas tecnológica, mas principalmente no engajamento dos atores do setor privado e público.

É preciso se afastar da forma tradicional de trabalho compartimentalizada e promover uma colaboração mais estreita entre os principais serviços e grupos interessados. Os gestores estão percebendo que a busca por se tornar uma smart city não é o objetivo final e definitivo, e sim um caminho a ser percorrido.

Essa reflexão vem aparecendo nos debates do Smart City Expo Curitiba, que já teve duas edições na capital do Paraná, com cerca de dez mil participantes do Brasil e de fora.

As ações de curto, médio e longo prazo – no tempo de uma gestão pública de quatro ou oito anos, por exemplo – devem alterar em definitivo a realidade dos cidadãos. Estamos falando de melhorias da infraestrutura, serviços públicos e políticas que reduzam os custos operacionais para se investir nas cidades, o que acaba por atrair novos talentos e investimentos.

O retorno sobre o investimento em smart cities pode ser mensurado, por exemplo, nos investimentos em infraestrutura viária, com pavimentos de concreto que reduzem de forma significativa os gastos com manutenção de asfalto, evitam acidentes e, consequentemente, os gastos de saúde pública com acidentados. Isso sem falar nos benefícios para a mobilidade urbana, como um todo, que incluem múltiplos modais, como veículos automotores, bicicletas e pedestres.

Ainda sobre a área da saúde, os investimentos em sistemas integrados e inteligentes, via aplicativos ou outras plataformas já disponíveis no mercado, também otimizam gastos com diagnósticos, consultas e exames. É a lógica inteligente aplicada à saúde.

Quanto menos impacto a sociedade sentir nos serviços de saúde, menor será o impacto na economia como um todo – e melhor a perspectiva de retorno sobre o investimento feito nas cidades.

Além disso, a aplicação das novas tecnologias deve contribuir para uma estratégia de longo prazo que conecte, digitalize e otimize os serviços da cidade, também sob os aspectos de inclusão social e sustentabilidade. O investimento em tais aplicativos por uma cidade inteligente deve ser encarado como parte de uma plataforma multifuncional que permita a modernização efetiva dos serviços públicos.

A chegada do novo coronavírus, com a necessidade de implantação de medidas de isolamento social, adaptadas às realidades municipais variadas, acabou por evidenciar quais cidades estavam mais preparadas para encarar uma pandemia dessa proporção.

A visão de smart cities proporciona um enfrentamento mais holístico (social, ambiental e econômico) da crise, com compromisso dos agentes envolvidos no ecossistema público e privado.

*Eduardo Mazzarolo Marques é sócio-diretor e diretor de estratégia e finanças do iCities, empresa que organiza a edição brasileira do maior evento de cidades inteligentes do mundo, o Smart City Expo Curitiba, entre outras iniciativas de fomento ao ecossistema de smart cities no Brasil. Engenheiro de produção civil pela UTFPR e pós-graduado em engenharia de negócios, é conselheiro do Instituto Nacional de Infraestrutura, Construções Inteligentes e Sustentáveis (INICIS). Também é apaixonado por música e desenvolvimento humano.

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