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Boom do e-commerce
Boom do e-commerce| Foto: Unsplash, Pickawood/Reprodução

A pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social mudaram a dinâmica de consumo e do varejo, levando a uma aceleração relevante do e-commerce, especialmente em países onde ele ainda estava em estágio embrionário, como no caso do Brasil. Segundo dados da Ebit Nielsen, as vendas do e-commerce brasileiro alcançaram R$ 87,4 bilhões no ano passado, um crescimento de mais de 40% em relação a 2019. Em 2021, o e-commerce brasileiro segue batendo recordes. No primeiro semestre do ano, as vendas no segmento alcançaram R$ 53,4 bilhões, uma aceleração de 31% em relação ao mesmo período de 2020. O e-commerce agora passa por um processo de maturação, após o crescimento relevante do ano passado, com os consumidores agora já mais adaptados, consumindo de forma mais recorrente e buscando por novas categorias no comércio online.

Com a reabertura total do varejo físico e a queda das restrições da pandemia, o cenário do segundo semestre de 2021 deve implicar numa desaceleração de crescimento do e-commerce em bases anuais, considerando a forte base de comparação do mesmo período de 2020 em que boa parte do varejo físico ainda estava fechado. No entanto, as expectativas para o crescimento do e-commerce ainda são promissoras. A penetração do comércio online no varejo brasileiro ainda é muito inferior se comparada a países desenvolvidos, mesmo tendo alcançado cerca de ~14% em 2020, ainda fica muito longe do que vemos nos Estados Unidos (~20%) ou China (~27%), por exemplo. Dessa forma, o e-commerce brasileiro deve continuar avançando nos próximos anos de forma a fechar o gap existente com esses países, especialmente considerando os gargalos de logística ainda existentes por aqui. Tópicos como tecnologia, experiência do consumidor e aumento de segurança devem se tornar cada vez relevantes quando falamos de comércio online, de forma atrair cada vez mais consumidores e impulsionar o crescimento nos próximos anos.

Plataformas de e-commerce: apoiando o crescimento das lojas online

A pandemia também teve um efeito muito forte na perspectiva dos empreendedores, mudando muitos dos modelos de negócios do país, uma vez que forçou os varejistas e pequenos negócios a migrar do meio físico para o digital. Hoje, estar presente no mundo digital se tornou praticamente essencial para muitos dos negócios do varejo e o e-commerce tem sido visto pelos empreendedores como um mercado cada vez mais promissor. No entanto, montar uma loja virtual do zero pode ser desafiador, considerando as diversas variáveis por trás de um e-commerce como tecnologia utilizada no website, conexão com meios de pagamentos e empresas de logística, atendimento ao consumidor, entre outros pontos essenciais para o varejo online.

Por conta desses grandes desafios, e ao mesmo passo que vimos a aceleração do consumo online, também houve a expansão e crescimento dos fornecedores de plataformas de e-commerce no Brasil, sistemas que proporcionam a completa construção de uma loja virtual, permitindo que o empreendedor possa gerenciá-la de forma simples e ágil. Essas plataformas têm ajudado grandes e, principalmente, pequenas empresas a se digitalizarem e surfarem a crescente onda do e-commerce no mercado brasileiro. Existem diversos benefícios por trás da utilização de plataformas de e-commerce na construção de uma loja virtual, listamos alguns abaixo:

  1. Facilidade de administração – O uso de uma plataforma de e-commerce permite que o empreendedor administre facilmente o seu website, sem ter que gastar mais tempo do que necessário, por exemplo, com ajustes ou atualizações de software, o que já é feito ou suportado pela plataforma. Além disso, utilizando uma plataforma, o empreendedor não precisa lidar com vários provedores de sistemas diferentes como de contabilidade, gerenciamento de pedidos e estoque, marketing, financeiro, entre outros, uma vez que já são todos integrados pela plataforma. 
  2. Estabilidade da plataforma de e-commerce – As plataformas investem constantemente em sua infraestrutura para garantir funcionamento 24/7 dos seus websites, com poucas chances de erros ou quedas de sistema. Além disso, elas permitem que o website seja lançado de forma rápida ao mercado, muitas vezes permitindo a construção de um website em apenas um dia, no caso de empresas pequenas, ou de poucos meses quando falamos de lojas virtuais mais complexas. A expansão dos websites já em operação também pode ser feita de forma simples dado que as plataformas fornecem implementação rápida de novas páginas, canais, moedas, entre outros. 
  3. Experiência do cliente e acompanhamento de resultados – Os websites construídos através de plataformas de e-commerce normalmente têm um layout focado na melhor experiencia do consumidor, com a possibilidade de pesquisar produtos ou finalizar uma compra de forma fácil e intuitiva, por exemplo, além de sofrerem melhorias constantes. As plataformas também permitem que os empreendedores acompanhem seus resultados através de serviços de análise de dados, fornecendo KPIs como tráfego de usuários, taxa de retorno, volume de transações, entre outros. 
  4. Segurança – além de investirem em suas infraestruturas tecnológicas, as plataformas de e-commerce também promovem melhorias contínuas na segurança dos seus websites, de forma a proteger o consumidor final. Este é um ponto importante para garantir a recorrência de compra dos clientes e a reputação de um e-commerce, por isso, as plataformas também oferecem, muitas vezes, a possibilidade dos websites se plugarem a provedores de soluções antifraude para fortalecer ainda mais a segurança das suas operações. 

As plataformas que lideram a digitalização das empresas no Brasil

Existem diversas plataformas de e-commerce operando no Brasil e América Latina. No entanto alguns players têm se destacado como líderes no segmento. O primeiro deles é a VTEX, uma plataforma focada no desenvolvimento de websites de e-commerce para grandes empresas, que atua mundialmente operando em 32 países. A companhia possui um portfólio de clientes premium, contando com nomes como C&A, Samsung e Carrefour, além de possuir mais de 2.500 lojas ativas e ter visto seu GMV (Gross Merchandise Value) expandir 95% YoY no ano passado com a pandemia. A VTEX realizou seu IPO em julho desse ano, levantando U$ 218 milhões em recursos primários para sustentar sua expansão global além de fortalecer a sua plataforma tecnológica.

Olhando para o ambiente de pequenas e médias empresas, destacamos a Locaweb, cuja plataforma de e-commerce chamada Tray tem atuado com relevância na digitalização de PMEs no Brasil. Para suportar todas as necessidades de uma loja online, a Locaweb possui um ecossistema contando com soluções de pagamentos, logística, marketing, ERP, entre outros, além de se conectar com mais de 20 marketplaces, ampliando os canais de vendas dos seus clientes.

Vale destacar, ainda no ambiente de PMEs, a operação da Nuvemshop, que conta com mais de 90 mil lojas ativas, transacionando um GMV de cerca de R$ 7 bilhões em sua plataforma. A companhia recebeu recentemente um aporte de US$ 500 milhões para sustentar o aumento do seu ecossistema de soluções, além da sua expansão internacional para a América Latina. A captação rendeu a Nuvemshop um valuation de US$ 3,1 bilhões, transformando a companhia em unicórnio e na quinta startup mais valiosa da América Latina.

Essas captações recentes, o positivo desempenho das empresas do setor, e o apetite do mercado público e privado pelos negócios de plataformas de e-commerce também destacam o quão aquecido está esse segmento, que deve continuar expandindo à medida que o e-commerce acelera na América Latina.

* Enrico Trotta é Head de Tech no Equity Research do Itaú BBA. Enrico ingressou no Itaú BBA Equity Research em maio de 2010. De 2010 a 2014, cobriu o setor de Real Estate como membro da equipe de David Lawant, que foi avaliada de forma consistente pela Institutional Investor. Em 2015, Enrico assumiu como analista líder. Em 2018, Enrico foi premiado com a posição de vice-campeão da Institutional Investor por sua cobertura do LatAm Real Estate e classificado em 3º lugar em Real Estate / Brasil e LatAm Cement & Construction junto com a equipe de Marcos Assumpção. Em 2021, assumiu como analista líder no setor de tecnologia. Enrico participou de várias ofertas, incluindo IPOs e follow-ons de BR Malls, BR Properties, Tenda e Infracommerce. Enrico é bacharel em Administração pela Fundação Getulio Vargas em São Paulo.

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