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Open Finance: um grande passo para a sociedade
Open Finance: um grande passo para a sociedade| Foto: Pexels, Karolina Grabowska/Reprodução

Realidade aumentada, inteligência artificial, estações espaciais, computadores que atendem a solicitações por voz e reconhecimento facial são alguns exemplos do que as grandes obras da ficção científica apontavam, ainda em meados do século passado, como “o futuro”. Graças à evolução tecnológica, muitas das previsões se concretizaram e, com elas, diversas portas se abriram para uma série de possibilidades, inclusive em setores pouco privilegiados nas narrativas de então.

Apesar de não se destacarem muito na ficção, a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro e as formas de utilizá-lo ganharam papel de protagonistas nos grandes projetos de tecnologia. O Open Finance, recém-chegado ao Brasil, é uma amostra disso: ele integra e padroniza a troca de informações entre todo o sistema financeiro, permitindo que um volume inimaginável de dados transite entre diferentes instituições, para diversas finalidades - sempre, claro, com a permissão dos clientes.

Apesar de o modelo não ser uma novidade - no Reino Unido, por exemplo, o sistema aberto está em funcionamento desde 2018 -, o trabalho que o Brasil vem fazendo na sua implementação pode ser uma referência mundial nos próximos anos, especialmente para países que ainda estudam a estruturação desse formato, como é o caso do Canadá.

Tornar-se benchmarking internacional é um sonho realizável. Além de o Banco Central ter aplicado uma série de aprendizados a partir da implementação do sistema em outras geografias, a agenda brasileira é a mais abrangente do mundo, fazendo com que seja possível chamar o Open Banking do Brasil verdadeiramente de Open Finance. Aqui, o trabalho proposto para a quarta fase, a próxima a ser implementada, inclui o compartilhamento de informações também em seguros, investimentos, previdência e câmbio. Algo inédito no mercado mundial até o momento.

Além disso, acredita-se que o brasileiro adotará o Open Finance em uma velocidade maior do que aconteceu em outros países. O Pix, que acaba de completar um ano, mostrou que os clientes no País estão bem receptivos a novas tecnologias: ao todo, quase 350 milhões de chaves foram cadastradas ao longo dos 12 meses, segundo dados do Banco Central. Estima-se que aproximadamente 1,6 bilhão de transações foram realizadas no período, movimentando certa de R$ 4 trilhões. Hoje, o Pix já representa mais de 80% das transações de transferências, considerando todas as modalidades disponíveis.

As pessoas estão mais conectadas e propensas a transacionar no meio digital, seja pela comodidade, pela agilidade ou pelas vantagens financeiras. Isso pode ser constatado por meio da Pesquisa de Tecnologia Bancária de 2020, realizada pela Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN).

Segundo o relatório, o número de transações feitas pelo mobile banking cresceu 11% em 2019, comparado ao ano anterior. À época, R$ 39,4 bilhões foram movimentados pelo canal. Além disso, olhando para o recorte dentro do contexto da pandemia da Covid-19, praticamente, a cada 4 transações realizadas no Brasil, 3 foram feitas de modo online, pelo celular ou computador.

O setor como um todo tem entendido esse movimento de modernização da sociedade e aposta cada vez mais em soluções que se adequem às novas necessidades dos clientes. Ainda de acordo com o levantamento da FEBRABAN, a indústria bancária é o maior investidor privado em tecnologia, tanto no Brasil e como no mundo. Os investimentos em software e hardware cresceram, respectivamente, 58% e 38% em 2019, quando comparados aos feitos no ano anterior.

Dentro desse cenário, Open Finance promete ampliar o acesso a uma série de produtos e serviços que apoiem também a gestão da vida financeira dos mais variados perfis de clientes pessoas físicas e jurídicas, fazendo do Brasil uma grande vitrine de inovação com as novas soluções que chegarão. É natural que, em um primeiro momento, haja alguma incerteza por parte do cidadão, especialmente com a segurança desse novo sistema. Entretanto, um dos pilares para todo o seu desenvolvimento tem a ver com segurança e a forma como o compartilhamento dos dados acontece, uma vez que apenas empresas habilitadas pelo próprio Banco Central podem compartilhar as informações dos clientes e somente com o consentimento de cada um.

Ainda é cedo para dizer como será a receptividade dos brasileiros à chegada do Open Finance, mas a expectativa é positiva, considerando todo o cenário que serve de palco para a evolução da tecnologia financeira não só no Brasil, mas no mundo. E, quem sabe, no futuro, a arte imite a vida e, graças à evolução das finanças descentralizadas, seja possível ver em uma obra de ficção científica uma pessoa comprar de forma remota um veículo voador, usando a retina para validar a operação, depois de receber a recomendação de um assistente virtual calibrado com inteligência artificial. E esse nem parece um futuro tão distante assim!

* Marcos Alexandre Pina Cavagnoli é Diretor no Grupo Itaú Unibanco desde 2020, atuando como responsável por Digital Cash Management desde 2019. Atuou também como Managing Director e CEO de áreas de negócio no Brasil e América Latina ligadas a Digital Banking, Pagamentos, Trade Services e Cash Management, em empresas como Adiq, 4Finance, Koin, PayU LatAm, JPMorgan, Citi, DaimlerChrysler e Alstom. É bacharel em Engenharia de Materiais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP); tem especialização em Engenharia Industrial pela E.S.S.A de Paris e MBA Executivo pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).

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