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Pix
| Foto: Divulgação

A tão comentada cédula do lobo-guará mal entrou em circulação e uma novidade já revive a discussão sobre o fim do dinheiro físico no Brasil. A implementação do PIX no país promete não só acelerar a digitalização, mas também ampliar a oferta de serviços financeiros e proporcionar um ambiente mais favorável para surgimento e desenvolvimento de novas soluções.

Considerando a importância do tema para o ecossistema de tecnologia, convidei para um bate-papo sobre o assunto o analista de serviços financeiros na área de equity research do Itaú BBA Marco Calvi.

Abaixo, leia os principais pontos discutidos e nossas perspectivas para o impacto do PIX no sistema financeiro e no ecossistema de fintechs.

Temos visto transformações relevantes no sistema bancário brasileiro nos últimos anos. O PIX é mais um capítulo dessa "corrida digital", que vem para substituir e simplificar os modelos usuais de transação. Como ele vai funcionar e por que sua implementação é tão significativa? Esse começo promissor de cadastros no sistema é um indicativo que o brasileiro está aberto a disrupções em serviços financeiros?

O PIX é o novo arranjo de pagamento regulado pelo Banco Central, que vai permitir transferências financeiras de forma instantânea e segura entre pessoas, empresas e entidades públicas. Efetivamente, indivíduos poderão fazer transferências financeiras para outros indivíduos 24/7 de forma segura, sem custo algum, com os recursos sendo transferidos em até 10 segundos.

Além disso, indivíduos também poderão fazer pagamentos para empresas por meio do PIX, sem nenhum custo para o pagador – e com custo ainda a ser definido pelo mercado para o recebedor. Por fim, o PIX também permitirá pagamentos de empresas para empresa, assim como possibilitará transferências envolvendo entidades públicas (por exemplo, será permitido que paguemos nossas contas de energia ou gás envolvendo entidades públicas por meio da plataforma de pagamento instantâneo).

Certamente o lançamento do PIX traz disrupções importantes para as indústrias de bancos e pagamentos, pois possibilitará uma nova forma de pagamento que tem todas as características para ter uma implementação e jornada de sucesso no país (considerando suas características técnicas – sobretudo as que envolvem custo para o sistema e usabilidade - e alguns aspectos característicos do Brasil envolvendo penetração de smartphones e contas bancárias).

De acordo com as últimas informações divulgadas pelo BC, mais de 30 milhões de chaves já foram registradas por meio de CPF/número de celular para fazer transações PIX. Esse número é muito animador para o sucesso da implementação da plataforma, considerando que as o período de registro iniciou-se em 5 de outubro.

Como você vê o potencial dessa funcionalidade para transformação da indústria financeira e quais são os potenciais impactos no sistema financeiro?

Nosso time vê algumas mudanças imediatas: primeiramente, devemos ver uma aceleração na queda de transferências de dinheiro físico. Esse movimento já vem acontecendo ao longo dos últimos anos com a expansão da base de cartões no país, mas acreditamos que deve se acelerar com a implementação do PIX.

Além disso, vemos as transações de DOC/TED naturalmente sendo substituídas pelo PIX, visto que as transferências por pagamento instantâneo são mais baratas, rápidas e amigáveis do ponto de vista de experiência para os indivíduos.

Vemos também as transferências de cartão de débito serem gradualmente substituídas por transferências PIX, já que acreditamos que a nova alternativa será substancialmente mais vantajosa do ponto de vista de custo para o varejista.

Adicionalmente, acreditamos que o PIX ocupará um espaço importante nas transações de e-commerce – principalmente no share de mercado hoje ocupado pelos boletos bancários (uma alternativa, em nossa opinião, pouco eficiente de pagamento para indivíduos e e-commerce players).

Por fim, por acreditamos que a interoperabilidade de contas bancárias deve ficar mais fácil, barata e rápida. Sendo assim, vemos uma redução do custo atrelados a tarifas de contas correntes, tanto para a pessoa física como para corporações.

A consolidação do PIX deve alavancar outras transformações dentro e fora do setor e ajudará a abrir portas a novas iniciativas tecnológicas. Conseguimos prever as tendências que a chegada do PIX pode alavancar?

Certamente a implementação do PIX trará uma série de oportunidades para as empresas de tecnologia / fintechs, pois possibilitará criação de novos negócios atrelados a esse arranjo de pagamento. Para citar alguns exemplos, vemos um espaço importante para empresas de gateway/validação em transações de e-commerce.

Para citar outros exemplos, o PIX permitirá que indivíduos agendem pagamentos em um certo espaço de tempo sem a possibilidade de cancelamento. Esse é um primeiro passo para eventualmente termos uma alternativa ao pagamento por meio de cartão de crédito.

Naturalmente, essa alternativa permitirá que outras empresas intermedeiem esse processo (por exemplo, uma fintech poderia pré-pagar esse valor para um varejista, cobrando um valor – atividade similar ao que as adquirentes já fazem em transações de cartão de crédito).

Por fim, o BC planeja lançar a figura do iniciador de transações de pagamento em breve, o que possibilitará que um intermediário possa intermediar transferências entre duas contas digitais/bancárias sem ter necessariamente uma conta transacional registrada no BC. Efetivamente, poderemos transferir de uma conta bancária para outra por meio de intermediário – que nesse caso pode ser app de qualquer tipo como os de mensagem, delivery ou dos próprios varejistas.

Sendo assim, acreditamos que uma série de possibilidades nascerá com a implementação do PIX e necessariamente isso trará uma nova velocidade para inovações tecnológicas envolvendo essa nova alternativa de pagamento.

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