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Comunidade “vou de bike e salto alto” reúne mais de 20 mil mulheres ciclistas
| Foto: Reprodução/Instagram

Escrever para vocês sobre as comunidades do Facebook tem sido uma experiência deliciosa. E confesso que, em minhas investigações, ando me apaixonando e me motivando com algumas delas. É o caso da nossa história de hoje: uma comunidade feminina que divide o amor pelo ciclismo.

O grupo “Vou De Bike e Salto Alto”, fundado em 2017 por Viviane Mendonça, hoje conta com um time de mais de 20 mil mulheres ciclistas que transformaram suas vidas pela bicicleta. A comunidade também é membro de um grupo seleto de líderes comandado pelo Facebook chamado Power Admins, sendo a única escolhida de sua categoria para participar.

A história da comunidade da Vivi é tão bacana que vou deixá-la contar para vocês. Fala Viviane!

“Desde 2005, quando comecei a pedalar, eu tinha dois desejos: o primeiro era mostrar a outras mulheres o quanto era delicioso pedalar e como a bicicleta poderia mudar a nossa vida. O segundo era descobrir outras mulheres que pedalavam, já que nessa época era difícil encontrar mulheres ciclistas no Brasil.

Foi então que criei a página no Facebook chamada “Vou de Bike e Salto Alto”. Pela fanpage me conectei com dezenas de mulheres pelo Brasil, mas eu ainda sentia a necessidade de mais conexão, mais trocas. A proposta não era apenas ser vista, mas sim ver e conhecer mais e mais histórias com mulheres de bicicleta.

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Viviane Mendonça, fundadora da comunidade "Vou de Bike e Salto Alto".| Reprodução/Instagram

Mas foi em 2017 que descobri as comunidades do Facebook… e que descoberta, meus amigos! Descobri por meio de um curso de redes sociais indicado por minha enteada Barbara, que sempre me ajudou e me apoiou. E lá fui eu me aventurar e, pela primeira vez, tentar entender quem era esse temido Facebook, seus números e suas imensas e brilhantes possibilidades.

Para minha surpresa, em uma das aulas a professora falou a respeito de criar comunidades no Facebook e citou como exemplo o Clube da Alice. Naquele momento os meus olhos brilharam, e claro que saí da aula com um grupo já feito e cheio de amor para compartilhar.
Ali não nasceu apenas um grupo, ou mais um grupo no Facebook, mas sim um sonho, um laço, um colo, um sorriso, uma simples frase de bom dia, um debate, uma quebra de tabu. Nasceu sem preconceitos, sem classe social, sem religião, sem partido político, sem idade, sem grandes pretensões. Apenas com gênero, para ser seguro e acolhedor.

E assim, uma a uma, elas, as mulheres ciclistas, foram chegando de bike e foram ficando. Trouxeram seus capacetes, suas caramanholas, suas sapatilhas, suas bicicletas, suas experiências, suas aventuras, suas superações, suas frustrações. Fui fazendo amigas, trocando informações, aprendendo e ensinando. Mostrando em cada foto, em cada frase, palavra ou curtida que uma comunidade não é feita apenas de números, mas sim de solidariedade, carinho e respeito.”

Eu amei as palavras da Vivi, mas, curiosa que sou, sempre pergunto para os líderes das comunidades que converso sobre quais foram as histórias marcantes que aconteceram em seus grupos. E a Viviane já veio com várias.

Histórias como a de uma ciclista que passou pela cura de um câncer de mama e a bicicleta foi sua companheira. Mulheres que aprenderam a pedalar após os 40, 50, 60 anos de idade e hoje parecem crianças novamente. Mães que descobriram o prazer de pedalar com os filhos e até mulheres que se casaram de bike, salto, véu e grinalda. Não me canso de dizer quanta coisa maravilhosa pode acontecer dentro de uma comunidade do Facebook.

Eu fiquei muito feliz de conversar com a Viviane e ver como ela leva muito a sério seu trabalho como líder dessa comunidade. Ela tem valores bem definidos como a paixão pela bicicleta e suas transformações (o que une todas essas mulheres), além da responsabilidade de incentivar o uso da bicicleta como lazer e meio de transporte, educando para um trânsito mais seguro. Ou, ainda, a diversidade, quando fala em democratizar o uso da bicicleta para todas e, principalmente, o respeito e a igualdade. “Seremos incansáveis na busca pelo respeito no trânsito e igualdade de gênero no ciclismo brasileiro”, cita Vivi.

E, claro que não para por aí. A Viviane tem grandes planos para o seu grupo. Entre eles, está ter sua comunidade reconhecida no mundo da bicicleta como um espaço que desenvolve práticas que contribuem para transformação social, qualidade de vida e empoderamento de mulheres ciclistas. Ela também almeja que a "Vou de Bike e Salto Alto" possa ser lembrada como referência em informação, inspiração, responsabilidade e segurança para mulheres que pedalam.

| Reprodução/Instagram

E não é que seus sonhos já começaram a se tornar realidade? No mês passado, a comunidade "Vou de Bike e Salto Alto" foi destaque na página do Facebook, onde contaram a história de como o grupo ajudou a Mariana Garcia a viver sua paixão: a handbike. Hoje, ela é uma campeã e também inspiração, ajudando outros atletas a descobrirem sua própria forma para chegar ao topo.

Continuar conectando mulheres ciclistas para que outras vidas possam ser transformadas e impactadas por meio do uso da bicicleta é o que move a Viviane. Mas eu vejo muito mais que isso em sua comunidade. Vejo a sororidade acontecendo e uma força enorme entre elas se formando.

Quando mulheres se unem por um propósito, nada pode segurá-las, principalmente para lutarem contra agressões como aquela sofrida por Andressa Rosa Lustosa, ciclista que se acidentou após ser importunada sexualmente, e que fazem com que muitas mulheres deixem de pedalar, pois são diários e frequentes os relatos de ciclistas que são assediadas enquanto pedalam.

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| Reprodução/Instagram

Se você quiser fazer parte do grupo da Viviane é só procurar no Facebook por “Vou de Bike Salto Alto” e solicitar a participação. Mês que vem eu volto para te contar que comunidade não tem idade e que tem muita gente boa provando isso na rede social mais utilizada do mundo. Até a próxima!

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