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Papo de pai
| Foto: Divulgação

No nosso último encontro, eu contei para vocês sobre as comunidades virtuais que discutem com muita propriedade a parentalidade nas redes sociais e como as mamães modernas estão encontrando apoio para “maternar” nos grupos do Facebook.

Como o conceito de parentalidade abrange toda e qualquer pessoa que esteja envolvida no processo de criação de uma criança, onde estão os pais conversando sobre o tema nas redes sociais? Apesar do tema “criação de filhos” ainda ter uma forte ligação com a maternidade, os pais estão trabalhando duro para ganhar espaço onde eles sempre deveriam estar presentes de forma natural.

Ano passado, eu tive o prazer de fazer a apresentação de um evento onde quatro pais muito atuantes na criação de seus filhos discutiram as dificuldades e o preconceito que sofrem ao exercerem esse papel sozinhos.

Nesse dia, eu conheci o Tomás Dotti, fundador do Papo de Pai, e outros criadores de conteúdo sobre o tema, e me surpreendi com as revelações que eles fizeram. Acreditem em mim: não é fácil para um pai criar um filho sozinho. Infelizmente, os pais sofrem um grande preconceito, como se fossem incapazes de exercer a função sozinhos.

Papo de pai: Tomás Dotti
| Divulgação

Conversei com o Tomás Dotti e fiquei encantada com o seu trabalho. A comunidade nasceu em 2018 e já conta com 41 mil membros. Ele administra o grupo com a ajuda de dois moderadores.

Tomás criou o grupo de maneira despretensiosa, quando a sua página "Papo de Pai" tinha mais de um milhão de seguidores e 500 mil pageviews mensais em seu portal. Ele me contou que a comunidade no Facebook se tornou um ambiente com trocas mais ricas entre todos os seus canais e, por isso, ele foi dedicando cada vez mais atenção.

“O Grupo cresceu muito rapidamente e acabou se tornando um lugar de respeito e acolhimento, onde os homens podem falar sobre suas vulnerabilidades, pedir ajuda e trocar experiências, o que é raro de se encontrar. Fomos selecionados pra participar da primeira campanha Global do Facebook com foco em grupos e também para o último Programa de Aceleração de Comunidades, que aconteceu no segundo semestre de 2020. Nossa missão é fomentar a mudança de comportamento dos homens, tornando-os mais conscientes de suas ações, promovendo o autoconhecimento e desenvolvendo competências para que possam participar ativamente na criação de seus filhos”, conta Tomás.

Eu fiquei muito curiosa sobre o comportamento dessa nova geração de pais nas comunidades e perguntei para o Tomás se os homens se sentem mais à vontade para conversar sobre criação de filhos em um grupo específico para eles.

A resposta foi sim e, apesar de o grupo permitir a entrada de mulheres, os homens são a maioria. Como ele conseguiu criar uma cultura de respeito e acolhimento, fez com que os pais se sentissem confortáveis e seguros o suficiente para se abrirem.

Tão confortáveis que eles conversam sobre dificuldades no relacionamento, separação e guarda dos filhos. Também falam muito sobre gestação e tiram dúvidas sobre recém-nascidos em geral.

Juro que fiquei surpresa, de uma forma positiva, ao constatar o quanto o sentimento de pertencimento a um grupo pode fazer maravilhas, como a história de um pai que contou no grupo ter sido pego de surpresa com a menstruação da filha e como improvisou um absorvente com papel toalha.

“Isso me motivou a pedir ajuda para entender melhor de que forma eu poderia me preparar para quando esse momento chegar paras minhas filhas. Estou bem inteirado sobre o assunto. E até criei uma caixinha com absorvente, chocolate e uma cartinha pra quando a Maya, que está com nove anos, ficar mocinha”, confessou Tomás.

Mas nem tudo são flores, e o Tomás tem a mesma dificuldade de muitos líderes de comunidades virtuais: a de encontrar uma marca para se tornar parceiro e ajudar a custear a manutenção e o aperfeiçoamento da experiência dos membros de suas comunidades.

Pais pretos presentes

Outro grupo que me encantou foi o Pais Pretos Presentes. Eu conversei com o Humberto Baltar, idealizador do coletivo Pais Pretos Presentes, e ele me contou que seu trabalho é uma rede de apoio para todas as famílias pretas em busca de letramento racial, aquilombamento, representatividade e educação parental afroreferenciada e afroperspectivada.

“Um dia antes do Dia dos Pais, em 2018, eu recebi a notícia de que seria pai e fui inundado de alegria e emoção. Mas logo depois me dei conta de que precisava de ajuda para empoderar racialmente o nosso filho e prepará-lo para a realidade racista do Brasil. Perguntei nas redes sociais quem conhecia um pai preto presente para me apresentar e os próprios pais marcados na publicação deram a ideia de fazermos um grupo no WhatsApp para falar de paternidades pretas, masculinidades, afeto e empoderamento infantil. O impacto social desta rede de apoio foi tão grande que atraiu a atenção das mulheres pretas, especialmente as companheiras, irmãs, filhas e mães dos pais pretos presentes no coletivo, que vieram agregar à iniciativa”

contou Humberto Baltar.

Fundado em 2018, além do trabalho nos grupos de pais pretos e mães pretas e das ações educativas voltadas a famílias e profissionais brancos visando o antirracismo, eles oferecem palestras, cursos e capacitações no segmento de consultoria étnico-racial para escolas, empresas e organizações públicas e privadas.

Humberto Baltar
| Thiago Lopes

No setor de responsabilidade social, eles mantêm uma ação permanente de arrecadação de fundos pela consultoria e ações publicitárias para doação de cestas básicas para as famílias em situação de vulnerabilidade social.

O Pais Pretos Presentes é muito ativo em suas redes sociais, levando empoderamento racial para suas famílias participantes através de seis grupos no WhatsApp, um grupo de estudos no Telegram, um grupo no Facebook com mais de 25 mil membros, uma página no Facebook com mais de 30 mil seguidores, um canal no YouTube com mil inscritos, além de ter uma programação regular de salas no Clubhouse e um Podcast com diversos episódios e ouvintes assíduos.

“Nós buscamos representatividade, pois a mídia retrata o pai preto como abusivo, criminoso, ausente ou agressivo na maioria absoluta dos filmes, novelas e seriados. A infância preta também é invisibilizada na TV. A mulher preta não tem sua humanidade reconhecida, haja vista as campanhas de amamentação, que raramente trazem mulheres pretas nas fotos”, finaliza Humberto.

Os dois líderes que conversei trazem a importância da representatividade e do sentimento de pertencimento em suas falas e de como isso é importante para os membros de seus grupos. As pessoas são seres sociais que têm uma necessidade de pertencer a um grupo, amar os outros e serem amados. Os grupos do Facebook têm proporcionado um ambiente ideal para que comunidades como a do Tomás e a do Humberto consigam fazer isso, além de impactar de forma tão positiva a vida de seus membros.

No nosso próximo papo, vou te contar um pouco sobre uma comunidade aqui de Curitiba que tem um trabalho lindo preparando o nanoempreendedor para o mercado trabalho. Tem alguma pergunta ou curiosidade sobre as comunidades? Envia para mim no Direct do Instagram, eu vou adorar te responder.

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