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Relaxadas? Não, empoderadas!
| Foto: Pexels

Há pouco tempo, deixar os cabelos brancos aparecerem era um tabu na vida da maioria das mulheres, um sinal de envelhecimento e relaxamento com a aparência. Pregamos tanto que o mais importante é a mulher se sentir bonita, não importando se o corte é curto, médio ou longo, então por que será que assumir os fios brancos dá tanta polêmica?

Muitas mulheres têm decidido assumir os seus grisalhos e o que tem as deixado mais seguras é o fato de que mais e mais mulheres estão desfilando orgulhosamente com seus fios alvos nas redes sociais – e recebendo muitos elogios. O que fica claro para elas é que deixar de tingir não é sinônimo de desleixo e que não precisam se adequar aos padrões de beleza.

É claro que esse movimento também se transformou em tema para a criação de várias comunidades no Facebook, na qual mulheres trocam ideias e se apoiam no momento mais difícil do processo, que é a transição da tintura para os fios inteiramente grisalhos.

Conversei com Daniela De Bonis Coutinho, líder da comunidade “Grisalhas Assumidas e em Transição” no Facebook. Ela me contou que começou o grupo em 2016, quando decidiu assumir os seus cabelos grisalhos. Por não encontrar referências na internet, teve a ideia de conectar mulheres com o mesmo propósito, para que pudessem se apoiar e trocar experiências.

A psicóloga e comunicadora Maria Rafart é uma das participantes da comunidade.
A psicóloga e comunicadora Maria Rafart é uma das participantes da comunidade.| Arquivo Pessoal

Uma das participantes ativas do grupo é a nossa querida curitibana multifacetada Maria Rafart. Psicóloga e comunicadora, Maria faz muito sucesso com seus vídeos na sua página no Instagram (@mariarafart1), em que responde dúvidas de seus seguidores. Mas até ela foi criticada pela decisão de se tornar uma grisalha assumida.

“Quem sugeriu que eu deixasse o cabelo branco foi meu noivo e, como foi de uma forma tão natural, eu pensei: por que não? E foi aí que comecei a minha jornada, que eu nem sabia que se chamava transição. A primeira coisa que fiz ao me sentir feia, já crescendo a raiz desordenada, foi escrever 'grisalhas' no Facebook e apareceram várias sugestões de grupos. Quando pedi para fazer parte deles foi que se abriu um novo mundo para mim, primeiro procurando inspirações e, agora, inspirando outras mulheres”, me contou Rafart.

Mulheres que incentivam mulheres

Para muitas, o fator decisivo para se tornarem grisalhas é a exigência de retoques frequentes na raiz. Para outras, foram problemas de saúde como alergias. O que a maioria quer ver é como está seu cabelo natural, depois de anos escondido sob tinturas. Como recebem muitas críticas, pode ser difícil manter a autoestima. Isso pode fazer com que a transição se torne tensa, mas também que seja uma oportunidade de revolução externa e, principalmente, interna. Em momentos assim, nada melhor que contar com uma amiga para desabafar, né?

Daniela De Bonis criou a comunidade no Facebook para conectar mulheres em transição para o grisalho.
Daniela De Bonis criou a comunidade no Facebook para conectar mulheres em transição para o grisalho.| Arquivo Pessoal

Pensando nisso, a Daniela criou o “Confessionário da Madrugada”, um post que ela abre todos os sábados à noite para que as participantes possam desabafar. Entre um comentário e outro, muitos conselhos são dados e muita conversa boa é gerada. Ah, e como o post é excluído no domingo pela manhã, algumas participantes passam toda a madrugada na rede para não perder nada do que está acontecendo.

Perguntei a Daniela qual era o assunto mais recorrente em seu grupo. Não fiquei surpresa quando ela me contou que eram os palpites que as mulheres que passam pela transição capilar recebem. Sim, caros leitores, algumas pessoas acreditam que devem dar sua opinião sobre o cabelo dos outros, mesmo que não tenha sido solicitadas.

O segundo assunto que elas mais discutem são as fórmulas mágicas para acelerar a transição devido às várias cores que começam a aparecer no processo: a tintura desbotando nas pontas, a cor natural e os fios brancos, que começam a brigar, e a vaidade começa a incomodar. Ninguém quer se olhar no espelho e se achar estranha, mesmo que seja por uma boa causa.

Hoje, o grupo Grisalhas Assumidas e em Transição conta com mais de 120 mil participantes que dividiem suas experiências e se apoiam muito, assim como a Daniela sonhou quando começou o grupo. Planos para o futuro? Sim, a Dani tem muitos. Ela quer expandir o grupo para além das fronteiras do Facebook e impactar um número ainda maior de mulheres que têm o desejo de se libertar das tintas, mas ainda não encontraram apoio.

Denise Saraiva sofreu críticas por não querer pintar mais o cabelo.
Denise Saraiva sofreu críticas por não querer pintar mais o cabelo.| Arquivo Pessoal

Antes de fechar a coluna, entrei no grupo para dar mais uma olhadinha e encontrei o post da Denise Saraiva, linda e segura de si, que traduziu bem o espírito dessa comunidade: “Minha filha queria fazer mechas vermelhas e a levei no salão. Fez as mechas que queria. Como eu tinha que esperar, resolvi fazer as unhas. A cabeleireira começou a dizer que eu tinha que deixá-la retocar minhas mechas, porque eu ia me sentir feia com o cabelo branco. Eu disse que já estava há dez meses sem pintar ou fazer mechas e que não estava me sentindo feia, e que não faria isso sem que sentisse vontade. Na hora de pagar e ir embora, ela novamente disse que eu era linda, perguntou minha idade e se espantou com meus 44 anos, mas insistiu que o loiro fica muito melhor em mim. Nem respondi. Estou contando isso porque sempre vai aparecer alguém tentando ditar o que é melhor para sua vida! Não se deixe influenciar! Siga, convicta do que te faz bem! Eu realmente quero ver meu cabelo natural! Estou amando! E se um dia, decidir mudar, será por mim e não para agradar os outros! Seguindo firme para 11 meses de transição.”

Gostou do tema? Mês que vem eu volto com mais uma comunidade do Facebook para vocês. Porque no Facebook tem sempre um grupo que é a sua cara!

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