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Por que você deveria prestar mais atenção na Índia
| Foto: Maahid/Pexels

Sempre tentei colocar em prática aquilo que alguns chamam de Contrarian Thinking. Em uma tradução quase literal, isso significa algo como “Pensamento Contrário”. A ideia é simples: pensar - e agir - diferente da maioria. Como quase tudo na vida, fácil de falar e difícil de fazer.

Esse pensamento tem tudo a ver com inovação e negócios. As empresas mais inovadoras do mundo são grandes Contrarian Thinkers, pois rejeitam a maneira tradicional de como as coisas são feitas para, então, criar soluções e produtos não-óbvios que entregam muito valor.

Ser um Contrarian Thinker também envolve buscar olhar para onde ninguém mais está olhando. É o que grandes profissionais fazem ao buscar habilidades que ainda não são tão valorizadas pelo mercado, mas que poderão crescer nos próximos anos. Da mesma forma, é o que acontece quando empreendedores apostam em mercados não-tradicionais e que, à primeira vista, não fazem muito sentido aos olhos da maioria, mas que em alguns anos acabam por se provar uma aposta certeira.

E eu diria que, quem começar a apostar na Índia desde já, pode colher muitos frutos nas próximas décadas

Os Estados Unidos sempre foram conhecidos como o grande centro de inovação mundial. Nos últimos anos, a China vem chamando muita atenção pelo seu salto tecnológico inimaginável e a criação de alguns das empresas mais inovadores do mundo, como Pinduoduo, Alibaba e Tencent, fugindo do estereótipo de que a China sempre copiava as inovações globais para uma posição de líder mundial em diversas áreas. Realmente impressionante.

A inovação, apesar de ter se tornado cada vez mais um fenômeno descentralizado e mundial, ainda está muito ligada à geografia. O Vale do Silício desde os anos 60, a Grã-Bretanha em 1800, a Itália em 1500… Todos foram grandes pólos responsáveis por algumas das inovações mais importantes da história da humanidade. Embora Estados Unidos e China ainda estejam muito à frente de todo o mundo em termos de tecnologia e inovação, eu diria que a Índia tem ótimas chances de despontar como um novo centro global de tecnologia e inovação.

Prestar atenção nisso pode fazer toda a diferença. Enquanto todo mundo fala dos centros já consolidados, aprender sobre aquilo que ainda está a ponto de atingir sua curva exponencial de crescimento é um investimento que pode retornar centenas de vezes.

Como diria Matt Ridley, autor do ótimo livro How Innovation Works: “My money is on India”.

Obviamente, esses são apenas alguns dados. Outra faceta interessante de analisar é ver o número de executivos de alto escalão dentro de algumas das maiores empresas do mundo que são indianos ou possuem ascendência indiana:

  • Satya Nadella, CEO da Microsoft
  • Sundar Pichai, CEO da Alphabet (a gigante dona do Google)
  • Shantanu Narayen, CEO da Adobe
  • Ajay Banga, chairman da Mastercard
  • Arvind Krishna, CEO da IBM
  • Indra Nooyi, ex-CEO da Pepsico

Impressionante, não é? E esses são apenas alguns poucos exemplos. O país não tem apenas exportado grandes executivos, mas também criado gigantes dentro de casa.

Hoje, o país é o terceiro colocado no ranking de unicórnios (são 49 na data em que escrevo este artigo) - startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão - atrás apenas de Estados Unidos (124) e China (108), e à frente de Reino Unido (16), Brasil (12) e França (12).

A lista inclui gigantes como Paytm, OYO e Byju’s, a maior edtech do mundo. Alguns outros cases também chamam a atenção, como o Flipkart, startup de e-commerce que foi adquirida pelo Walmart em 2018 por 16 bilhões de dólares.

Obviamente, nem tudo são flores. A Índia é um país enorme que ainda possui problemas estruturais gritantes, como pobreza e corrupção. Contudo, se conseguir dirimir esses problemas e continuar seus grandes investimentos em tecnologia, o futuro pode ser brilhante e trazer muitas oportunidades para quem apostar neste país muitas vezes esquecido pela mídia mainstream.

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