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“a culpa é das abelhas”

Europa proíbe inseticidas mais comuns na agricultura

A decisão se baseia em um estudo encomendado pelo bloco de 28 países concluindo que os produtos traziam risco a diferentes tipos de abelhas

Macroscopic Solutions/ Flickr Commons/Fotos Públicas As populações de abelhas, que têm um papel central na polinização de colheitas, contribuindo a 90% da produção mundial de alimento, têm diminuído progressivamente nos últimos anos. | Macroscopic Solutions/ Flickr Commons/Fotos Públicas

As populações de abelhas, que têm um papel central na polinização de colheitas, contribuindo a 90% da produção mundial de alimento, têm diminuído progressivamente nos últimos anos.

  • Folhapress

A União Europeia decidiu nesta sexta-feira (27) proibir o uso de três dos inseticidas mais comuns na agricultura: imidacloprid e clotianidina, da Bayer, e tiametoxam, da Syngenta. Esses produtos já eram restritos desde 2013 em parte das colheitas europeias, mas o veto agora é a qualquer uso externo.

Esses inseticidas de tipo neonicotinoide - derivados da nicotina, daí o nome - só poderão ser utilizados dentro de estufas fechadas a partir do fim do ano.

Isso significa que importantes colheitas, como milho e algodão, terão de ser repensadas na União Europeia, região em que vivem 500 milhões de pessoas.

No Brasil, os neonicotinoides são permitidos apesar das ressalvas de grupos ambientais, mas o uso por vias aéreas já foi restrito.

A decisão europeia se baseia em um estudo encomendado pelo bloco de 28 países concluindo que tais inseticidas representam um grave risco para diferentes tipos de abelhas.

As populações de abelhas, que têm um papel central na polinização de colheitas, contribuindo a 90% da produção mundial de alimento, têm diminuído progressivamente nos últimos anos -no jargão científico, isso se chama “distúrbio do colapso das colônias”.

Cientistas acreditam que o declínio esteja relacionado ao amplo uso de inseticidas nas colheitas ao ar livre. Um estudo publicado pela renomada revista científica Science em 2017 identificou neonicotinoides em 75% das amostras de mel coletadas ao redor do mundo, incluindo em ilhas isoladas.

Um dos efeitos desses inseticidas, que atuam no sistema nervoso das abelhas, é danificar sua memória e reduzir o número de rainhas na colônia. Acredita-se que outros insetos possam ser afetados da mesma maneira.

Uma petição circulada pela organização ativista Avaaz recolheu quase 5 milhões de assinaturas apoiando o veto a esses inseticidas, evidenciando o apoio público. Por outro lado, fabricantes de inseticidas contestam os estudos de risco e afirmam que as colheitas vão ser afetadas negativamente.

Estudos realizados no ano passado e apoiados pelos próprios fabricantes confirmaram a redução de abelhas em regiões europeias com o uso dos inseticidas. Mas houve decréscimo também nas áreas onde o produto não foi utilizado e, em algumas partes do continente, cientistas não registraram efeitos negativos.

“A saúde de abelhas é fundamental para mim porque está relacionada à biodiversidade, à produção de alimento e ao ambiente”, disse na sexta-feira Vytenis Andriukaitis, comissário da União Europeia para assuntos relacionados a saúde, alimentação e meio.

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