cereal do pão

Com mais trigo importado, pães, massas e biscoitos sobem em abril

Quebra na safra nacional do cereal obriga o Brasil a importar maior quantidade do produto, em um cenário de câmbio desfavorável

Fotos: Henry Milleo/Gazeta do Povo Indispensável no café da manhã do brasileiro, o preço do pão será reajustado por conta da quebra na safra nacional de trigo. | Fotos: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Indispensável no café da manhã do brasileiro, o preço do pão será reajustado por conta da quebra na safra nacional de trigo.

Texto publicado na edição impressa de 02 de fevereiro de 2016

A partir de abril, quando o estoque nacional de trigo baixar, o brasileiro vai pagar mais pelo pãozinho. Ainda não é possível saber de quanto será o aumento, mas os produtos derivados do cereal, como pães, massas e biscoitos, serão reajustados em função da quebra nas safras de trigo do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, responsáveis por mais de 90% da produção brasileira. O prejuízo no campo acarreta em desdobramentos para a indústria de panificação, que inevitavelmente irá repassar a alta no custo de produção aos consumidores.

O excesso de chuva na temporada 2015 prejudicou as lavouras de trigo dos três estados do Sul. A pior situação aconteceu no Rio Grande do Sul, onde a quebra na colheita chegou a 1,4 milhão de toneladas. “O estado planejava colher 2,9 milhões (de t), mas conseguiu apenas 1,5 milhão. E a qualidade [do trigo colhido] é muito ruim. Cerca de 1 milhão (de t) é impróprio para consumo humano. Só serve para ração animal”, ressalta Luiz Carlos Pacheco, analista da consultoria Trigo e Farinhas.

No Paraná, a quebra atingiu 700 mil t. A safra final foi de 3,4 milhões de t, segundo a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em Santa Catarina, as perdas foram de 100 mil toneladas.

Importação

A safra menor expõe ainda mais a dependência nacional do trigo importado. Em abril, quando as indústrias precisarem repor os estoques, o Brasil terá que comprar 3,6 milhões de t no mercado internacional – no total, o setor da panificação consume 11 milhões de t por ano. Com o dólar cotado acima dos R$ 4, o custo de importação será alto.

“Com esse dólar, os produtos derivados do trigo irão aumentar. Mesmo quem tem produto irá cobrar mais. Isso irá chegar até o consumidor”, explica Elcio Bento, analista da consultoria Safras e Mercado.

Para desespero de quem não dispensa o pãozinho no café da manhã, a Argentina, principal fornecedor do Brasil, também registra uma safra ruim. Das 10,3 milhões de t colhidas, 95% só têm qualidade para produzir biscoito e massa inferior. “Impossível usar para pão e massa superior”, afirma Pacheco.

A solução será importar o cereal dos Estados Unidos. Porém, o negócio envolve frete de transporte mais caro e o pagamento do imposto de importação, isento no caso do país vizinho. Atualmente, a tonelada do trigo norte americano que chega no Porto de Santos custa R$ 1,2 mil, contra R$ 980 do produto argentino.

Divergência

De acordo com o Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Paraná (SIPCEP), não é possível prever um aumento no preço do pão ao consumidor final em abril. Segundo o presidente da entidade, Vilson Felipe Borgmann, inúmeras variáveis podem influenciar a equação, como a planilha de custos de cada padaria, os estoques de trigo de cada loja e a política do SIPCEP em recomendar prudência dos panificadores em reajustes na atual conjuntura econômica.

“Existem estoques para bastante tempo. Os moinhos trabalham com compra antecipada de seis meses”, diz Borgmann. “O dólar já vem a mais de R$ 4 desde o ano passado e o aumento ficou abaixo da inflação”, complementa.

Ainda segundo o executivo, atualmente existe excesso de trigo no mundo, o que implica em maior oferta do produto para importação.

“Existe uma superoferta e o preço caiu. Essa queda compensa as despesas com frete, cabotagem e impostos com importação de trazer o grão dos Estados Unidos, Canadá e Rússia”, garante Borgmann.

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