MERCADO

Quebra ameaça cumprimento de contratos no Matopiba

JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO  | JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO

Texto publicado na edição impressa de 15 de março de 2016

Com lavouras severamente afetas pela estiagem, Helder Cremonese se vê diante de um dilema. Tomando como base a produção que colheu na safra passada na região de Balsas (MA), ele comprometeu antecipadamente com empresas locais 40 sacas por hectare. Mas, com talhões rendendo apenas 20 sacas/ha na abertura da colheita e expectativa de fechar a temporada com média de 35 sacas/ha, teme não colher volume suficiente para honrar os compromissos. “Vou tentar renegociar, ver o que dá para fazer”, lamenta.

“Todo ano a primeira soja que colho vendo no disponível para girar a operação, pagar óleo diesel e outras despesas assim. Este ano não vendi”, relata Francisco Pugliesi, também do Maranhão. Com quebra consolidada de cerca de 30%, toda a produção da temporada já está comprometida. “Foi um ano que todo mundo renovou o maquinário. Eu investi em um silo. Mas vou priorizar os contratos já firmados, entregar toda a soja que conseguir. Tenho que fazer alguma artimanha para cumprir os compromissos, para não sujar o nome e ter crédito para a safra que vem”, diz o produtor.

“Pode me oferecer R$ 120 por saca que eu não vendo mais. Vamos esperar colher para ver o que dá”, conta Gustavo Colombo, gerente da Fazenda Guarida, no município de Peixe, no Sul do Tocantins. Firmadas antes da colheita, as vendas que deveriam cobrir menos de 40% da safra já comprometem metade da produção após quebra de 50% nos índices de produtividade da fazenda.

LG

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