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Quanto mais desgastado, melhor!

Grupo de Curitiba, apaixonado por Fusca, adota estilo no qual a marca registrada é a valorização da ferrugem e da pintura desbotada

  • Renyere Trovão
O Fusca 1967 de Vinícius Cannata é alvo de brincadeiras pelo estado da lataria. “As rodas valem mais do que o carro”: é uma delas |
O Fusca 1967 de Vinícius Cannata é alvo de brincadeiras pelo estado da lataria. “As rodas valem mais do que o carro”: é uma delas
 
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Quanto mais desgastado, melhor!

Hoje o Fusca completa 51 anos de fabricação no Brasil. Nesse tempo, o modelo da Volkswagen inspirou a criação de diversos grupos de culto ao carro. Em Curitiba há vários deles, cada qual seguindo estilos surgidos na Europa e nos Estados Unidos e que mantêm viva a paixão pelo mo­­delo mais simpático do mundo. Um desses grupos, o RustedLive, chama a atenção por adotar o conceito Rat­Look (“Aparêcia de Rato”, em inglês). Nele, vale a re­­gra do quanto mais en­­ferrujado e com a pintura desbotada, melhor!

É difícil imaginar que alguém de­­seje para o seu carro um visual assim. Algo que mais parece ter saído de um ferro velho. Porém, a excentricidade é a marca do RatLook: carroceria desgastada pelo tempo, suspensão rebaixada e falta de cuidado no acabamento. O movimento surgiu na Europa na década de 1970 e com o passar dos anos recebeu atualizações, como conjunto de suspensões, rodas e pneus de alta performance.

Um dos adeptos na capital é o projetista Vinícius Cannata, 25 anos. Ele possui um Fusca 1967, com motor original de 1.300 cc. O estilo está por toda a lataria e não passa impune nas ruas. “Quando você vai pintar?” “As rodas valem mais que o carro!” são algumas das brincadeiras que ouve o tempo todo. Até em casa, o Fusca “deteriorado” é alvo de comentários. “Como você tem coragem de andar com isso. O carro vai acabar desmontando”, implica a mãe com frequência. Cannata leva tudo na esportiva. “É bom andar com o Fus­­ca. As reações são as mais diversas”, diz. O projetista lembra que certo dia um mendigo passou direto quando estava pedindo dinheiro num semáforo. “É risada o tempo todo!”

Além de curtir o carro em sua es­­sência, Cannata enxerga vantagens em manter a originalidade por fora. “Não preciso me preocupar com a chu­­va, com a lavagem ou eventuais esbarrões... afinal, visual aqui não é prioridade”, ressalta ele, que usa o Vol­­ks como o seu veículo do dia a dia.

Outro que desfila com um Fusca na linha RatLook é Ronaldo Gallo, 28 anos. Quem vê o besouro 1954, mo­­delo oval fabricado na Alema­nha, com poucos pontos de desgaste na carroceria, não imagina o que reserva o seu interior. Ao abrir a porta, o Volks se revela mais um representante dos “enferrujados vivos”, tradução ao pé da letra para o grupo RustedLive. Os bancos e a forração da porta denunciam o estado real do quase sexagenário Fusca.

O dono conta que não deixa o desgaste excessivo comprometer as partes importantes do veículo, como os pa­­ra-choques, por exemplo. “Pro­­curo manter uma condição mínima para ele rodar com segurança”.

Gallo reprova quem força o “envelhecimento” do automóvel para se enquadrar no RatLook. “Tem pessoas que passam lixa na carroceria. Fica muito evidenciado o desgaste forçado e não natural, como é a proposta do estilo”, enfatiza. Na parte mecânica, a fraca motorização original de 1.200 cc acabou substituída pela 1.600 cc, mais potente e moderna.

Atualmente, o RustedLive congrega 14 membros, que se reúnem aos sábados no Shopping Cristo Rei, em Curitiba. A participação é aberta a qualquer proprietário de VW, sem custo algum. Há quatro anos o grupo também é responsável pela organização do Dia Nacional do Fusca, realizado na semana em que é comemorado o aniversário da primeira unidade fabricada no Brasil (leia box acima).

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