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Enviado por André Gonçalves, 22/08/14 5:48:30 PM

paixaopartidos

Toda eleição é a mesma história. O sujeito diz que não gosta do PT, mas que vota em qualquer indicado pelo Lula. Passa décadas reclamando do Renan e do Sarney e escolhe um governador do PMDB. Acha o xoque de gestão dos tucanos uma piada, mas vota em um senador do PSDB porque parece um bom administrador.

A ideia de que você está votando no candidato e não no partido existe só para fazer o eleitor de bobo. Em qualquer eleição, majoritária ou proporcional, o partido quer dizer tudo. É dele que saem os aspones cujos salários você vai pagar. E esqueça o papo de independência, nem Marina Silva, de passagem pelo PSB até fundar a sua Rede Sustentabilidade, vai conseguir se livrar dos discípulos socialistas.

A maior pegadinha talvez esteja na eleição para deputado e senador. No Congresso, os partidos se organizam por bancadas partidárias. E mais de 90% das votações são ditadas pelos líderes dos partidos. Há inclusive punições para quem trai os colegas – esse pode ser um dos motivos para que a legenda peça o mandato do “infiel” na Justiça.

No Executivo, no entanto, a lógica partidária também é fundamental. Deputados da coligação do governador/presidente são privilegiados na execução orçamentária. Sem contar no preenchimento de cargos do primeiro escalão.

Essa não é uma tese de desqualificação da política, mas de aprimoramento democrático. É normal que o nome do candidato tenha peso no critério de decisão. Só não deixe que isso supere a sua afinidade com esse ou aquele partido.

E se você não tem com nenhum, comece a se decidir. Eles são bem menos iguais do que os políticos entre si.

Enviado por André Gonçalves, 21/08/14 1:28:54 PM

MarinaPaixao

Quando concorreu à Presidência pela primeira vez, em 2010, Marina Silva era uma alternativa “café-com-leite”. Simbolizava o desgosto com a política tradicional e a polarização entre PT e PSDB. Fez um quinto dos votos válidos, mas isso não quer dizer que todo esse contingente realmente acreditava que ela fosse ganhar.

Duvido que a própria Marina tenha achado em algum momento que pudesse vencer.

Nada contra esse perfil de candidatos. Eles são fundamentais para a qualificação do debate. Marina, em si, foi e continua sendo fundamental.

Em 2014, no entanto, tudo indica que ela tem realmente chance de chegar ao Planalto. Está diante de uma oportunidade única, mas precisa concluir uma trajetória tortuosa que começou em uma tragédia. Também duvido que ela goste de estar nesta situação.

Honrar o legado de Eduardo Campos é uma coisa, colocar a faixa de presidente é outra. Não é nem uma questão de preparo – Dilma Rousseff nunca havia sido eleita para nada, nunca teve o menor traquejo político, e aí está. Mas será que ela realmente quer ser presidente? Ou melhor, ela quer ser presidente nas atuais circunstâncias?

Anote aí: essa é uma questão que vai martelar não apenas a cabeça dela, mas de quase todo eleitor brasileiro.

Enviado por André Gonçalves, 20/08/14 1:51:28 PM
Crédito: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Crédito: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Na comparação com os favoritos na disputa presidencial, Pastor Everaldo (PSC) até que não foi mal na entrevista ao vivo no Jornal Nacional. Não há dúvidas de que ele sabe se expressar (não é à toa que é um líder religioso de sucesso).

O pulo do gato de Everaldo é assumir algumas bandeiras econômicas da direita liberal que ninguém topa. Dizer que vai vender a Petrobras é a radicalização delas, mas é coerente com essa vertente.

Há muita gente que se identifica com ela. Duvida? Faça o teste e dê uma olhadinha no posicionamento ideológico dos candidatos paranaenses, segundo o diagrama de Nolan.
Everaldo é liberal na economia e conservador nos costumes. Ou seja, uma versão tropicalizada do Tea Party norte-americano. Vai colar?

Como disse Tim Maia, o Brasil é o único país em que prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita.

O que é incoerente é casar isso com o “socialismo cristão” e com a própria biografia. Everaldo começou a carreira política como apoiador de Leonel Brizola (PDT), como bem frisou William Bonner.

Enviado por André Gonçalves, 20/08/14 10:48:54 AM
Crédito: Orlando Kissnerr

Crédito: Orlando Kissnerr

Uma das primeiras exigências de Marina Silva como candidata pelo PSB é fugir das alianças do partido com os tucanos Beto Richa e Geraldo Alckmin. É a primeira ruptura clara em relação ao estilo Eduardo Campos.

O candidato propunha o novo, mas jogava o jogo velho. Topou ser o segundo palanque de Richa no Paraná, mesmo quando o deputado federal Rubens Bueno queria ser o candidato a governador da coligação no Paraná. O PPS, de Rubens, é o único partido tradicional que está coligado com o PSB.

Quando Campos foi ao Paraná fechar o apoio do partido a Beto, Marina viajou junto. Mas negou-se a participar da reunião com o governador.

Marina tem outros aliados históricos no estado, com quem tem bem mais identificação. Os principais são a deputada Rosane Ferreira (PV), candidata a vice na chapa de Roberto Requião (PMDB). E o próprio Requião, que costuma chamá-la de “minha irmãzinha”.

Uma das qualidades (ou defeitos) de Marina é não esconder esse tipo de desconforto. No fundo, vai ser bom para Richa. É melhor manter uma posição mais clara ao lado de Aécio Neves (PSDB) do que forçar a barra com Marina.

A história de palanque duplo é subestimar demais a inteligência do eleitor.

Enviado por André Gonçalves, 19/08/14 12:27:02 PM

Sérgio Moraes/Reuters

Eduardo Campos gostava de dizer que seria o primeiro presidente pós-1964. A colocação casa com a constatação de que o Brasil carece de líderes jovens. Há tempos o país sente a falta de novidade, mas é uma lástima que estejamos sempre à espera de um messias para nos salvar da política que nós mesmos construímos.

Campos teve uma biografia de cinema. Nasceu em 1965, mesmo ano em que o avô, Miguel Arraes, foi para um exílio de 14 anos na Argélia. De volta ao Brasil, Arraes lançou o neto para a política e o resto da história de final trágico todos conhecem.

Campos podia sim ser considerado o novo, só que forjado pelos velhos conceitos do caciquismo regional brasileiro. Não se trata de um exemplo único: toda “renovação” presenciada nos últimas décadas segue o mesmo modelo. No Paraná, há pelo menos algum Richa, Dias ou Requião nas eleições estaduais desde 1978.

Trocando em miúdos, o fato é que os sobrenomes se sobrepõem aos partidos. É triste ver que, após o desastre que vitimou Campos, o PSB não tenha qualquer quadro para substituí-lo. E não dá para contar Marina Silva, que entrou na legenda apenas de passagem, até que a situação de sua Rede Sustentabilidade esteja regularizada.

É de uma bizarra tradição nacional votar no candidato e não no partido. O curioso é que, no papel, todo sistema político brasileiro é calcado nos partidos. O que existe na hora do voto é um me-engana-que-eu-gosto – o candidato esconde a sua legenda e o eleitor finge que não percebe (apesar de digitar na urna eletrônica o número do partido).

Daí saem pérolas do gênero: gosto do Lula, mas não do PT; Requião está há mais de três décadas no PMDB, mas não tem nada a ver com Sarney e Renan; Aécio Neves é mais neto do Tancredo que tucano. O resultado é um processo de infantilização do debate. Cada político tenta aparecer como “pai” de determinada ação para ser identificado como alguém que “dá” algo à população.

Claro que não é uma questão de “dar”, mas de administrar algo que é público, ou seja, de todos. Esse círculo vicioso impede que o país tenha um desenvolvimento duradouro. E quando se fala em duradouro, se fala em décadas de constância – passamos por uma janela fantástica de oportunidades entre 2005 e 2010, com todas as conjunturas conspirando a favor, mas damos sinais de que podemos cair do trem a qualquer momento.
Semana passada, em uma conversa com o pós-doutor em Administração Pública e professor da PUCPR Denis Alcides Rezende ouvi um raciocínio que ajuda a matar essa charada. A profundidade do problema está no fato de o poder público no Brasil simplesmente abrir mão do planejamento estratégico de longo prazo e viver às custas de programas de governo de quatro anos. Depois do quadriênio, assume uma outra gestão que promove um ambiente de terra arrasada e começa tudo de novo.

Essa descontinuidade existe para deixar tudo como está. Na base do jeitinho, o uso da política para interesses pessoais desta ou daquela família e não para uma discussão de projetos claros de futuro leva a um interminável ciclo de voos de galinha. O país do futuro não consegue se livrar dos tempos das capitanias hereditárias.

Enviado por André Gonçalves, 14/08/14 9:49:12 AM
Crédito: Jonathan Campos

Crédito: Jonathan Campos

Eduardo Campos morreu sem dar tempo ao Brasil de conhecer como deveria um dos personagens mais interessantes da história política nacional. Nada na trajetória dele foi ordinário. Do início ao último capítulo.

Eduardo costumava dizer que nunca teve vida fácil. Ainda na barriga da mãe sobreviveu a uma difícil gestação de gêmeos. O irmão não teve a mesma sorte.

Mas esse ainda não é o começo de tudo. No final de março, eu e o repórter fotográfico Jonathan Campos fomos a Recife com uma difícil missão – produzir uma reportagem que mostrasse com profundidade quem era o jovem governador de Pernambuco que queria ser presidente. Descobrimos que, para decifrá-lo, era preciso mergulhar em mais de meio século de política nordestina.

O centro de qualquer narrativa sobre Eduardo passa pelo avô de Eduardo, Miguel Arraes. Eleito governador de Pernambuco em 1963, Arraes foi deposto um ano depois pelo regime militar. Tornou-se preso político e foi enviado para a ilha de Fernando de Noronha.

Quando estive em Recife, acompanhei uma cerimônia no Instituto Miguel Arraes sobre os 50 anos do golpe militar, uma das últimas agendas de Eduardo como governador. Acompanhado da esposa, Renata, e do recém-nascido quinto filho, Miguel, Eduardo preferiu não discursar. Deixou as palavras para o único irmão, Antonio Campos, que falou detalhadamente sobre o casamento dos pais.

O matrimônio só saiu porque a mãe, Ana Arraes, apelou pessoalmente ao Comando do Exército para que fosse permitida a presença do pai. Cem soldados armados com metralhadoras fizeram a escolta de Miguel Arraes. Libertado em 1965, ele passou 14 anos exilado na Argélia.

Nascido no mesmo ano em que o avô partiu para o exílio, Eduardo começou a fazer política na faculdade. Formou-se em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco em 1985 e, dois anos depois, virou chefe de gabinete do avô, na segunda gestão de Miguel Arraes (1987-1990).

Na sequência, teve uma ascensão meteórica. Em 16 anos, passou de deputado estadual a federal e de ministro de Ciência e Tecnologia a governador. Até que, em abril, renunciou para começar a campanha pelo Palácio do Planalto.

Arraes não acompanhou o auge da carreira do neto. Morreu no dia 13 de agosto de 2009, de uma infecção respiratória. Mesma data da tragédia que encerrou ontem a trajetória de Eduardo.

Enviado por André Gonçalves, 13/08/14 11:08:48 AM
Crédito: Roberto Stuckert/PR

Crédito: Roberto Stuckert/PR

Com 43 membros, o gabinete de governo brasileiro tem o mesmo tamanho que o da Itália (22) e França (21) juntos. Os dados constam da publicação The World Factbook, feita pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, e que traz a relação das principais lideranças políticas mundiais.

O material segue um padrão para a listagem dos gabinetes, que inclui no primeiro escalão todos os ministros dos países, além do presidente, vice-presidente, primeiro-ministro (em sistemas parlamentaristas) e embaixadores na Organização das Nações Unidas e nos EUA. No Brasil, a conta soma 24 ministros “plenos” e outros 19 membros do primeiro escalão, como Dilma Rousseff e Michel Temer.

Na comparação entre os dez países mais ricos do mundo, o Brasil só perde no tamanho do ministério e do gabinete para a Índia. Os indianos têm 35 ministros “plenos” e um total de 60 membros no gabinete. A Rússia empata com o Brasil no número de ministros, mas tem um representante a menos no gabinete. Dentre os demais, os países com mais pessoas no primeiro escalão são China, Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos e Alemanha.

Na comparação entre os cinco países mais ricos da América Latina, os brasileiros lideram no tamanho do gabinete e só perdem para a Venezuela na quantidade de ministros (os venezuelanos têm 30). Todos os países da amostra regional, que ainda inclui Argentina, Colômbia e México, são repúblicas presidencialistas. (AG)

Leia mais sobre o assunto aqui.

Enviado por André Gonçalves, 11/08/14 9:50:28 AM
Crédito: Laura Marques/Agência O Globo

Crédito: Laura Marques/Agência O Globo

De arrepiar a história de que a rede de internet do Palácio do Planalto foi usada para inserir críticas nos perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão na Wikipédia. É o fundo do poço de uma guerra sem noção que parecia só coisa de blogueiro. Um governista ferrenho atacar a “imprensa golpista” de casa é uma coisa, fazer isso de dentro do coração do Poder Executivo é outra bem diferente.

Até os alvos são surpreendentes. Em junho, o vice-presidente do PT e coordenador do partido nas redes sociais, Alberto Cantalice, escreveu um artigo com uma lista dos “pitbulls da mídia”. Constavam da relação nomes como Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo e até humoristas como Danilo Gentili e Marcelo Madureira; definidos como “propagadores do ódio”.

Míriam e Sardenberg não foram citados. Aliás, é muita forçação identificá-los como inimigos do governo ou do PT. Criticar, para um jornalista que preste (e é o caso de ambos), não é se colocar de um lado da trincheira, é fazer o seu trabalho. E como já disse Millôr Fernandes: “jornalismo é oposição, o resto é secos e molhados”.

Em tempos da pulverização de ideias no Facebook e Twitter e de uma porção de incertezas sobre o futuro das mídias tradicionais, fica mais ridículo querer atingir jornalistas. Não concorda com este ou aquele colunista? Há centenas de outras opiniões na internet. Melhor: publique a sua própria visão.

O lado realmente preocupante, por outro lado, é a tentativa de desqualificação do papel do jornalismo profissional. Desde as manifestações de junho de 2013, há grupos que insistem nisso. Sinto muito, mas ainda não inventaram nada que substitua alguns conceitos básicos da reportagem tradicional, como checagem de informações e a preocupação de ouvir todos os lados.

A questão é que isso sempre custou e continua custando dinheiro. Então, uma empresa se dispõe a vender conteúdo noticioso (em qualquer mídia, internet, papel, televisão, rádio) e contrata profissionais para essa função. Funciona da mesma forma como uma padaria contrata padeiros – e há os padeiros ruins e os excepcionais, assim como os jornalistas.

Achar que essas empresas só existem em função de um plano perverso de te manipular é menosprezar a sua própria inteligência e liberdade de escolha. Elas existem para vender um produto, como este jornal. Não gostar do conteúdo é diferente de achar que os repórteres que o produzem merecem virar alvo de bombas, como o cinegrafista que morreu enquanto cobria uma manifestação no Rio de Janeiro.

O melhor exercício para avaliar para onde as coisas caminham é pensar em uma sociedade livre de jornalistas. Nela, os governantes de plantão publicariam suas brilhantes ações no site oficial, em “matérias” ilustradas por fotos em que aparecem beijando crianças pobres. Você, claro, acreditaria em tudo.

Várias experiências do gênero já foram tentadas pelo mundo afora. Na União Soviética, havia o Pravda, jornal oficial do regime comunista que quer dizer “Verdade”. E ai de quem não concordasse com a publicação. Só podia mesmo ser um mentiroso.

Enviado por André Gonçalves, 05/08/14 10:04:13 AM

Waldemir Barreto/Ag. Senado

Já escrevi aqui que o maior erro estratégico da eleição paranaense era acreditar que Roberto Requião (PMDB) era o azarão da disputa estadual, tipo uma Costa Rica na Copa do Mundo. A cada dia que passa, ele comprova o quanto é um adversário encarniçado. Se deixar, atropela.

Todo mundo sabe exatamente como vai ser um governo Requião – belicoso e personalista. Muita gente estava extremamente cansada disso em 2010, quando o peemedebista quase perdeu uma eleição teoricamente fácil para o Senado. Eis que agora ele ressurge como uma nova figura.

Requião foi um dos poucos que pescaram o humor das ruas pós-manifestações de 2013. Engraçado é que ele, por enquanto, consegue se encaixar uma posição de “mudança”, mesmo estando há quatro décadas em todas as eleições que conseguiu participar.

Não é a primeira vez. Em 1990, foi caçador de marajás contra José Richa e anti-Collor contra Martinez. Em 1998, por pouco não derrubou Jaime Lerner quase sem o apoio de ninguém. Em 2002, perdeu o primeiro turno para Alvaro Dias e virou no segundo, graças a uma guinada em que se apressou para entrar na onda Lula.

Em 2006, viu Osmar Dias quase virar e tirou um trunfo de última hora para evitar a derrota – foi salvo com os votos nos menores e mais pobres municípios do estado.

Em cada eleição, Requião foi um personagem diferente. Em nenhuma delas deixou de ser competitivo.

Enviado por André Gonçalves, 04/08/14 10:30:20 AM
Crédito: Gazeta do Povo

Crédito: Gazeta do Povo

Acima dos partidos e de ideologia, os laços familiares estão no cerne da campanha pelo governo do Paraná. É impossível descolar as trajetórias de Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) de parentes próximos que abriram caminho antes deles. O confronto entre o tucano e o peemedebista, em especial, tem todos os ingredientes para a reedição de uma batalha entre clãs.

Beto é filho de José Richa, espécie de “pai de todos” na política paranaense. Eleito governador na efervescência da redemocratização, em 1982, Zé Richa foi para o Senado em 1986, teve papel de destaque na Constituinte de 1988 e era favoritíssimo para voltar ao Palácio Iguaçu, em 1990. Acabou fora do segundo turno, derrubado pela impetuosidade de um ainda jovem Requião e pelos ares de novidade de José Carlos Martinez, candidato do então presidente Fernando Collor.

Requião tem uma trilha sanguínea ainda maior. O bisavô dele, Justiniano de Mello e Silva, trocou Sergipe pelo Paraná no final do século 19 graças a uma indicação política para ser secretário da presidência da província.

Depois disso, o pai de Requião, Wallace Tadeu de Mello e Silva, foi prefeito de Curitiba, cargo também ocupado por Requião entre 1985 e 1989. No primeiro confronto contra a família Richa, em 1990, Requião escolheu uma arma mortal – a aposentadoria recebida por Zé Richa como ex-governador. Em tempos de caçadores de marajás, não houve escapatória.

Em 2002, foi a vez do primeiro duelo direto contra Beto. Ainda café-com-leite nas urnas, o tucano não ameaçou a polarização entre Alvaro Dias (então no PDT) e Requião, que venceu novamente no segundo turno. O resultado não foi exatamente uma derrota para Beto, que somou experiência para chegar à Prefeitura de Curitiba, dois anos depois.

Em 2010, Beto não enfrentou Requião nas urnas, mas foi eleito graças a um discurso de mudança em relação ao rival, que completava o terceiro mandato no Palácio Iguaçu. Beto era o novo, contra um Osmar Dias (PDT) que se enrolou para explicar a aliança de última hora com petistas e peemedebistas. No cargo, repetiu o antecessor cercando-se de parentes no primeiro escalão e fazendo todo tipo de negociação política, inclusive com o PMDB.

Durante mais de três anos, imaginou que Requião era página virada. A disputa seria com o PT de Gleisi. Recordista de votos para o Senado em 2010 e alçada à Casa Civil da Presidência da República, em 2011, a petista também tem a política dentro de casa – é esposa de Paulo Bernardo, ministro com cadeira cativa na Esplanada desde 2005.

Aí misturam-se novos temperos de família: Requião detesta Paulo Bernardo (e vice-versa). Some-se a isso o fato de que agora é o peemedebista quem precisa justificar a polpuda aposentadoria de governador. E que, no contra-ataque, pode lembrar que a pensão de Zé Richa foi herdada pela mãe de Beto.

No final das contas, a campanha que ainda começa a esquentar tem tudo para trazer pouquíssimas novidades sobre o futuro do Paraná. O clima é mais de tira-teima histórico que de perspectiva estratégica. Tomara que a evolução do debate mude esse pressentimento.

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