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Enviado por André Gonçalves, 14/04/14 10:37:53 AM

Marcelo Elias/ Gazeta do Povo

Líder do PPS e uma das vozes mais ácidas da oposição na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno faz os cálculos para se candidatar ao governo do Paraná em 2014. O parlamentar estuda como se encaixar como terceira via em uma disputa que já está polarizada entre o governador Beto Richa (PSDB) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT). O trunfo é a possibilidade de uma dobradinha com o presidenciável Eduardo Campos (PSB); o obstáculo, uma provável candidatura de Roberto Requião (PMDB).

Às turras com a direção estadual peemedebista, que deseja uma aliança com os tucanos, Requião luta com dificuldades para conseguir se viabilizar. Tudo indica que a decisão do partido deve ficar para uma eleição interna embolada, na convenção de junho. O cenário atual é mais favorável a Richa, mas Requião é Requião – nos últimos 24 anos, nunca ficou fora de uma campanha sequer em que estivesse apto a concorrer pelo Palácio Iguaçu.

Com o senador na parada, seria bem mais difícil para Rubens se viabilizar. Sem ele, a situação muda de figura. Até agora, os pretendentes a correr por fora têm pouca densidade eleitoral – o empresário Joel Malucelli (PSD) e a deputada federal Rosane Ferreira (PV) nunca participaram de uma eleição majoritária.

Rubens tem bem mais rodagem. Ex-prefeito de Campo Mourão (1993-1997), já disputou duas vezes o governo do estado (2002 e 2006) e uma vez a prefeitura de Curitiba (2004). Além disso, acumula um mandato como deputado estadual e está no terceiro como federal.

Nas tentativas de ser governador, nunca superou 10% dos votos válidos. Em 2002, ficou em quinto lugar, com 7%. Em 2006, subiu para 8% e a quarta colocação.

Apesar de ter nascido e feito carreira no interior do Paraná, a performance mais interessante ocorreu quando ele concorreu a prefeito da capital. Com 20% dos votos, ele forçou um segundo turno entre Ângelo Vanhoni (PT) e Richa. Aliás, se tivesse disputado a eleição estadual em 2010, quando apoiou o tucano, e repetido os 8% de quatro anos antes, provavelmente também teria evitado que a parada fosse resolvida no primeiro turno.

Rubens sabe que uma candidatura em 2014 quebraria o galho de Eduardo Campos, que vai ter de passar pelo constrangimento de dividir o palanque de Richa com Aécio Neves (PSDB). Falta, contudo, arrumar mais gente que tope engrossar a coligação. Com apenas seis deputados federais, o PPS se transformou em um partido nanico, sem tempo de televisão.

Com o PSB local sob as asas dos tucanos, uma das soluções é buscar partidos que estão aparentemente “soltos”. Um deles seria o PSD de Malucelli, dono da terceira maior bancada da Câmara, com 45 parlamentares. Presidente estadual da legenda, o deputado federal Eduardo Sciarra tem ouvido propostas de todos os lados e parece disposto a aceitar um acordo, desde que seja escolhido como nome da chapa para o Senado.

Rubens está acostumado a fazer campanhas com poucos recursos e aliados. Por outro lado, tem conhecimento de que, apenas na valentia, o máximo que vai conseguir é fazer barulho. Aos 65 anos, ele parece não ter dúvidas de que quer ser candidato, só não quer mais ser figurante.

Enviado por André Gonçalves, 31/03/14 11:03:08 AM
Crédito: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Crédito: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Transcorridos mais de 80% das gestões Dilma Rousseff (PT) e Beto Richa (PSDB), a política paranaense ainda não conseguiu se livrar do seu dilema Tostines. Afinal, o governo do estado não consegue autorização federal para contrair empréstimos porque está mal das pernas ou está mal das pernas porque não consegue empréstimos? O melhor para todos os lados, principalmente o do eleitor, é que o enigma seja resolvido o quanto antes.

Levantamento publicado há uma semana pela Gazeta do Povo mostrou que o Paraná é a unidade da federação com menos autorizações para realizar empréstimos concedidas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) durante o governo Dilma Rousseff. Desde 2011, o estado recebeu aval definitivo da STN para apenas duas negociações, que somam R$ 953,5 milhões. Outras cinco, que chegam a R$ 2,445 bilhões, ainda estão sendo avaliadas.

Todas essas informações são públicas. Aos interessados em cruzar os dados, aí vai o link: www3.tesouro.gov.br/lrf. Uma maravilha de transparência, não?

Longe disso. De nada vale saber esses números, se não se conhece claramente os motivos que levam a STN a liberar ou negar operações. Aí começam os labirintos cinzentos de Brasília.

A cada reportagem produzida pela Gazeta do Povo sobre os empréstimos, a STN, por meio da assessoria do Ministério da Fazenda, é procurada para se manifestar. Há uma resposta padrão, informal (quando há algum tipo de resposta), de que a STN não pode repassar as informações para não expor as condições financeiras do ente. Comumente é usada a comparação de que você, cidadão, não gostaria de ter suas contas expostas em uma negociação de empréstimo bancário.

A diferença é que o que você faz com seu dinheiro, desde que legalmente, é de interesse privado e que o dinheiro do governo do Paraná é de interesse público. A STN não avalia a capacidade de Beto Richa, Sérgio Cabral ou Tarso Genro para contrair empréstimos, mas sim de entes federativos que representam um conjunto de pessoas. Logo, nada mais justo do que saber claramente, ponto por ponto, os motivos para as operações não serem liberadas.

Sem essas respostas, está montado o palco de uma discussão política pautada na desinformação, que leva o nada ao lugar nenhum. Deputados estaduais e federais aliados ao PSDB de Richa têm batido na tecla da discriminação para beneficiar a candidatura de Gleisi Hoffmann (PT) ao governo. Do outro lado, petistas dizem que essa é a prova do descontrole das contas estaduais durante a gestão tucana.

Ao invés de gastar tempo com discursos, seria mais útil se os parlamentares se dedicassem a esclarecer o que realmente está acontecendo. Na semana passada, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a suposta discriminação. A ideia recebeu apoio de Tadeu Veneri (PT), mas parece ter murchado.

Na Câmara Federal, Fernando Franscischini (SDD) tem se dedicado a aprovar um requerimento para convidar o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, para uma audiência na Comissão de Finanças. Ambas as propostas são interessantes e legítimas. Afinal, a função mais nobre e menos exercida pelo Legislativo é fiscalizar decentemente o Executivo.

Se não sair CPI nem audiência pública, outras soluções para os parlamentares são montar um grupo para fazer uma visita oficial à STN ou enviar ao órgão um pacote de requerimentos de informação. Depois disso, é só confrontar as informações com o que diz o governo do estado e o Tribunal de Contas do Paraná. Difícil é saber se todos os campos políticos estão realmente interessados em lidar com a verdade.

Enviado por André Gonçalves, 19/03/14 10:32:29 AM
Crédito: Marcelo Andrade

Crédito: Marcelo Andrade

Na passagem por Curitiba para turbinar a candidatura da senadora Gleisi Hoffmann (PT) ao governo do estado, o ex-presidente Lula aproveitou para desgastar Eduardo Campos (PSB). Durante encontro com empresários, sexta-feira passada, ele disse ter “preocupação” que o Brasil repita 1989, quando um candidato jovem e desconhecido venceu a eleição. “E nós vimos no que deu”, disse o presidente, segundo reportagem publicada hoje pela Folha de S. Paulo.

O que parece é que Lula começa a produzir um antídoto para o caso de Campos subir nas pesquisas. É senso comum em Brasília que o PT já aprendeu como tourear o PSDB, tanto no primeiro quanto no segundo turno, mas que não estaria preparado para uma disputa com outro partido – o que só aconteceu uma vez desde a redemocratização, exatamente em 1989.

Não deixa de ser estranho, porém, a tentativa de grudar em Campos um certo preconceito. Ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Lula e governador de Pernambuco por dois mandatos, ele é mais desconhecido no Sul do país por questões geográficas do que por mérito. No fundo, muito mais do que ser jovem, o que pegaria contra ele por essas bandas é o fato de ser nordestino.

Esse tipo de preconceito é sempre velado, tão mesquinho quanto dizer para não votar em Dilma porque ela é mulher. Não é correto dizer que Lula entrou nessa seara (ele próprio é nordestino), mas será que os petistas vão desviar esse assunto em um caso de segundo turno contra Campos? É esperar para ver.

Enviado por André Gonçalves, 18/03/14 11:43:08 AM

LulaRequiao

Lula reabriu as gavetas da história recente da política paranaense ao se demonstrar arrependido por não ter apoiado Osmar Dias (PDT) contra Roberto Requião (PMDB) na eleição para governador, em 2006.

Requião não gostou. Segundo o peemedebista, depois de ter apoiado Lula em cinco eleições presidenciais, o ex-presidente agiu com ingratidão. Até Beto Richa (PSDB) tirou uma casquinha no Twitter criticando a declaração do petista.

Os fatos mostram que a “ingratidão” pode ser encarada de várias formas. Em 2002, Requião beneficiou-se decisivamente da “Onda Lula” para vencer Alvaro Dias (PSDB) no segundo turno.

Relembrando: Alvaro estava no PDT e também apoiou Lula. A autoavaliação do hoje tucano é de que, se tivesse pulado primeiro no barco do petista, teria vencido.

Em 2006, Requião fez um jogo ambíguo: se dividiu entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula. Simbolicamente, Requião não compareceu a um comício feito nas vésperas do segundo turno, na Boca Maldita, quando Lula pediu votos ao peemedebista. Quem representou a chapa foi o candidato a vice, Orlando Pessuti.

Há analistas que garantem que os votinhos conseguidos de última hora por Lula foram fundamentais para a apertadíssima vitória sobre Osmar. Outro fato é que Lula tem memória de elefante: nunca esqueceu aquela desfeita de Requião na Boca Maldita, há oito anos.

Enviado por André Gonçalves, 17/03/14 10:42:05 AM

Waldenmir Barreto/Ag. Senado

Após monopolizar o noticiário político do começo de 2014, a rebelião do PMDB contra o governo tende a enfraquecer por falta de munição. Se desertar da aliança com Dilma Rousseff, o que o partido vai fazer nas eleições de outubro? As três opções disponíveis não são lá as mais tentadoras – e indicam que a reconciliação com os petistas é só questão de tempo.

A primeira é encampar as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB). Nunca antes na história desse país, contudo, os peemedebistas se arriscaram como auxiliares de outras legendas em uma chapa de oposição. Aliás, desde a redemocratização, o partido só foi coadjuvante de coligações presidenciais na vice do tucano José Serra, em 2002, e em 2010, com a dobradinha Dilma-Temer.

O segundo caminho é lançar candidato. O incrível é que o mais tradicional partido do país, símbolo da resistência contra a ditadura militar, responsável pela gestão de seis estados, dono da maior bancada do Senado e da segunda maior da Câmara dos Deputados, simplesmente não tem qualquer nome competitivo. De uma hora para outra, a cúpula nacional do partido engoliu o orgulho e ressuscitou até a hipótese de lançar o senador Roberto Requião.

A cena remete a duas décadas atrás, quando começou a aventura presidencial do paranaense. Após o primeiro mandato como governador do Paraná (1991-1994), ele perdeu as prévias para o governador de São Paulo, Orestes Quércia – fez 17,7% dos votos da convenção, contra 77,6% do paulista. Em 2010, voltou à carga e recebeu 14,4% dos votos convencionais em uma disputa na qual se colocou como candidato próprio contra a indicação de Michel Temer para vice-presidente.

Nas duas situações, Requião era o outsider, alguém que nunca chegou a ser considerado como uma alternativa plausível para a cúpula nacional do PMDB. Em 2014, porém, foi justamente o presidente da sigla, senador Valdir Raupp (RO), quem citou o colega como uma possibilidade. Há algo que não se encaixa.

A citação de Raupp é, na verdade, a tentativa de mostrar que o partido não está num mato sem cachorro. Requião, segundo ele, sairia nas pesquisas com pelo menos 10% dos votos. Será?

As duas experiências anteriores do partido com candidatos próprios foram risíveis. Em 1989, Ulysses Guimarães era o “Dr. Constituinte” e fez apenas 4,43% dos votos. Em 1994, Quércia deixava a gestão do estado mais rico e populoso do país para somar 4,38% dos votos e chegar atrás de Enéas Carneiro (Prona).

Estatisticamente, a terceira opção parece a menos traumática – não se coligar com qualquer partido. Depois de perder na chapa de Serra, em 2002, o partido decidiu ficar de fora da eleição presidencial seguinte. Resultado: aumentou o número de governadores (de quatro para sete) e de deputados federais (de 75 para 89). Em 2010, quando aderiu à chapa petista, o partido perdeu um governador e 11 deputados.

Definido (com razão) como uma federação de oligarquias estaduais, o PMDB nunca se pautou por decisões centralizadas. Do seu jeito, aplica com maestria a máxima de Maquiavel de que é preciso dividir para governar – ou seja, fragmenta-se para vender a imagem de partido da governabilidade. Na hora da decisão, o que vai pesar é o instinto de sobrevivência dos caciques estaduais, jamais o interesse nacional.

Dentro dessa lógica, apesar de todo esperneio, o panorama ainda parece melhor com Dilma do que sem ela. Mesmo que seja para acompanhá-la muito mais à distância do que em 2010.

Enviado por André Gonçalves, 14/03/14 4:11:47 PM
Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) anda causando no Facebook pela autopiada sobre o Dia do Careca. Mal sabe ele da maldição dos calvos na política brasileira.

Após inúmeras investigações, este blog sentenciou no dia 7 de junho de 2010 que José Serra (PSDB) não tinha a menor chance de ser eleito presidente da República.

Barbada? Na época, o tucano tinha mais de 10 pontos porcentuais de vantagem sobre Dilma Rousseff.

Serra foi vítima dos fatos. Entre todos os 40 presidentes do Brasil, só um era careca – o marechal Hermes da Fonseca, que governou o país entre 1910 e 1914.

Hermes da Fonseca, no entanto, era até bem menos calvo que Serra. Os mais perfeccionistas vão dizer que vários tinham as suas entradinhas – mas todas são bem menores que as de Serra (não vale citar Tancredo Neves, que não assumiu).

Quem quiser tirar a dúvida é só dar uma bisbilhotada na galeria de fotos dos presidentes.

Sobre as chances de Fruet em uma corrida presidencial de verdade… Só dá para dizer que elas cresceriam exponencialmente se ele desse um jeito de ficar com os mulletts da montagem.

Enviado por André Gonçalves, 13/03/14 11:56:07 AM
Foto: Wenderson Araújo

Foto: Wenderson Araújo

Na única votação em que o “blocão” de descontentes com o governo na Câmara dos Deputados deu realmente a cara para bater nesta semana, apenas um paranaense ficou ao lado dos petistas. Presidente estadual do PP, Nelson Meurer (foto) se absteve na votação que autorizou a criação de uma comissão externa para investigar irregularidades na Petrobras, realizada na terça-feira.

Além dele, três petistas seguiram o mesmo caminho – André Vargas, Assis do Couto e Zeca Dirceu.

Criado pouco antes do carnaval, o “blocão” reúne seis partidos governistas: PMDB, PTB, PP, PSC, Pros e PR. Dez paranaenses que são membros desses partidos votaram a favor da comissão.

Ontem, outro destaque paranaense do “blocão” foi João Arruda (PMDB). Foi ele quem presidiu a sessão da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, que aprovou a convocação de quatro ministros – Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Manoel Dias (Trabalho), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Jorge Hage (Controladoria-Geral da União).

Veja como votaram os paranaenses aqui.

Enviado por André Gonçalves, 12/03/14 11:30:33 AM

Dilma Benett

Dilma Rousseff agiu com bom humor (ou ironia mesmo) ao responder pela enésima vez sobre a relação com o PMDB. “Olha aqui, vou te falar uma coisa: o PMDB só me dá alegrias”, disse ontem, sorrindo, a um repórter no Chile.

Não é de hoje, porém, que as alegrias estão minguando.

Em janeiro deste ano, o repórter Euclides Lucas Garcia fez um balanço da fidelidade dos peemedebistas na Câmara. No final das contas, o partido fechou 2013 com o pior índice de fidelidade aos projetos apresentados pelo Poder Executivo ao longo do mandato de Dilma – 60,8%.

A queda é consistente. Em 2011, o índice era de 90,3%. Um ano depois, caiu para 71,2%. E olhe que nesse período não havia blocão…

Os números mostram que os problemas do PMDB com Dilma não degringolaram de uma hora para outra. A situação vem ficando ruim com constância.

Parece casamento em que nenhum consegue olhar para a cara do outro. Nesse caso, a melhor terapia de casal parece o medo de perder a eleição.

Enviado por André Gonçalves, 11/03/14 10:12:02 AM
Foto: Jonathan Campos

Foto: Jonathan Campos

Jozélia Nogueira costuma contar que, quando convidada por Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB) para o primeiro escalão estadual, deu respostas similares. “Falei a mesma coisa para eles: sou técnica, não sou política, não sei fazer política e também não gosto de política.”

Jozélia deixou ontem a Secretaria Estadual da Fazenda (segundo Richa, por questões pessoais), após cinco meses no cargo. Antes, havia durado 10 meses como procuradora-geral do estado, entre abril de 2007 e janeiro de 2008, no último mandato de Requião.

Na gestão Requião, Jozélia decidiu se demitir da maneira mais pública possível: publicou uma carta na internet e anunciou a decisão ao vivo, no telejornal ParanáTV. Foi uma resposta na mesma moeda ao peemedebista, que horas antes havia a criticado publicamente, na frente de jornalistas.

Na época, Jozélia orientou a direção da TV Educativa a cumprir uma decisão da Justiça Federal que impedia a transmissão da Escolinha de Governo, comandada por Requião às terças-feiras. O governador não aprovou a orientação.

Com Richa, Jozélia teve a missão indigesta de colocar as contas do estado no lugar. No ano passado, causou espanto pela sinceridade ao admitir as dívidas de R$ 1,1 bilhão do estado com fornecedores. “Estou apertando o cinto e obrigando as secretarias a adequar as suas contas. É como na vida pessoal de todos nós: eu tenho contas que eu já compromissei, tenho que pagar e outras que eu sei que terei que pagar no futuro”, disse ela, em entrevista em outubro passado.

A mistura de sinceridade com austeridade, porém, parece não ter feito muitos fãs dentro do governo. Jozélia sai de cena de novo talvez por ter sido muito dura com a realidade. Na política, quem encara os fatos como eles são raramente têm vez.

Enviado por André Gonçalves, 10/03/14 11:04:23 AM

Wenderson Araújo

Cada fagulha que sai da crise entre petistas e peemedebistas em Brasília se alastra como incêndio nas negociações das alianças estaduais. O fogo ficou incontrolável no Rio de Janeiro, onde o PMDB de Sérgio Cabral e seu candidato a governador, Luiz Fernando Pezão, não aceita que o PT lance o senador Lindberg Farias. No Paraná, a chama parece pender cada vez mais para o lado do PSDB de Beto Richa.

A sucessão paranaense demorou para entrar no radar da briga nacional porque persiste o impasse sobre uma possível candidatura de Roberto Requião. Mas nada impede um empurrãozinho para desfazer o imbróglio. A estratégia é a mesma de sempre – criar dificuldades para vender facilidades.

Na sexta-feira passada, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RR), massageou o ego de Requião ao citá-lo como alternativa de nome próprio para a disputa pelo Planalto, caso o rompimento com o PT seja inevitável. Nada indica que a hipótese seja viável. Por outro lado, o “engrandecimento” de Requião tira o foco dele do Palácio Iguaçu.

Antecipar a questão do Paraná, como se não houvesse mais alternativa à aliança com o PSDB, pode valer ouro em Brasília. Tanto que caciques nacionais do partido sinalizaram depois do carnaval para lideranças estaduais que as conversas com os tucanos estão liberadas. Trocando em miúdos, deram carta branca para que a dificuldade fosse deflagrada – falta agora calcular o preço da facilidade.

Tudo indica que não vai ficar barato. Ao deixar o principal ministério do governo Dilma Rousseff para concorrer a governadora do Paraná, Gleisi Hoffmann virou bandeira petista. Para os adversários, impor uma campanha desconfortável para Gleisi traz o bônus de atingir o moral da presidente.

Com o PMDB do lado de Richa, a situação da senadora fica complicadíssima. A tendência é que o espectro de alianças com outras legendas seja ainda mais reduzido. Hoje, estão garantidos com Gleisi apenas o PC do B e o PDT do prefeito Gustavo Fruet.

Restam alguns trunfos à petista. O principal deles é o vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB, Michel Temer. Os dois se aproximaram na época em que ela estava na Casa Civil, o que pende para o lado dela no caso de uma decisão final que precise passar pela cúpula peemedebista.

O outro trunfo é Lula, que por sinal desembarca em Curitiba na sexta-feira justamente para turbinar a campanha de Gleisi. O ex-presidente tem peso e canais de diálogos abertos com várias lideranças paranaenses, como Requião. Sem contar que, em caso de uma reviravolta com ele no lugar de Dilma, o tabuleiro eleitoral viraria de cabeça para baixo.

Todas essas conjecturas remetem a 2010, quando Paraná também virou peça-chave na disputa entre Dilma e José Serra (PSDB). Na ocasião, Lula e Temer foram fundamentais nas costuras para que PT e PMDB se juntassem em torno da candidatura de Osmar Dias (PDT). Nos últimos minutos, os dois evitaram que Osmar fosse candidato ao Senado na chapa de Richa.

A diferença para 2014 é a preocupação em adiantar os “minutos finais”. A três meses do início das convenções partidárias, as preliminares – sejam elas para consolidar ou desmontar alianças – tendem a ser mais emocionantes que as partidas principais.

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