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Enviado por André Gonçalves, 29/07/14 9:44:46 AM

Aécio: ele não decola nem no pior momento para Dilma.

Aécio: ele não decola nem no pior momento para Dilma.


Principal adversário do PT na disputa pelo Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB) já sentiu o gosto de exercer a Presidência da República. Em junho de 2001, ele assumiu o lugar de Fernando Henrique Cardoso por três dias. Na época, Aécio era presidente da Câmara dos Deputados e terceiro na linha sucessória.

A curta experiência de Aécio por pouco não teve de ser adiada. Ele só assumiu porque FHC e o vice, Marco Maciel, viajaram para a Bolívia. O Lear Jet que transportava Maciel, no entanto, teve uma pane no início da decolagem e o vice por pouco não continuou no Brasil. Por segurança, presidente e vice sempre viajam em aeronaves diferentes.

Dois meses antes, Maciel havia recusado um convite para viajar com FHC para o Canadá justamente para evitar que Aécio assumisse. As rusgas entre o tucano e o PFL, partido do vice, começaram quando ele ganhou a disputa pela presidência da Câmara contra o pefelista Inocêncio Oliveira. Hoje o DEM (ex-PFL) está na chapa de Aécio.

Enviado por André Gonçalves, 28/07/14 10:26:47 AM
Crédito: Fiat

Crédito: Fiat

Uma das pérolas das declarações de bens dos principais candidatos a governador e presidente à Justiça Eleitoral são os veículos que eles possuem. Chega a ser engraçado pensar que você está parado em semáforo e a presidente Dilma Rousseff de repente estaciona do seu lado com um… Fiat Tipo 1996!

O carro com quase duas décadas de uso está entre os 14 itens do patrimônio da petista. O valor: R$ 30.642. Como não é possível saber quando ela comprou o carro, não se sabe se foi bom ou mau negócio – o fato é que o preço de mercado hoje varia entre R$ 6 mil e R$ 8 mil.

O gosto de Dilma não é tão incomum. Eterno presidenciável do PSDC, José Maria Eymael declarou um Tipo dois anos mais velho, pelo valor de R$ 12.160. O modelo, que hoje parece quadradão, foi sucesso de vendas dos anos 1990, mas caiu em desgraça devido a um defeito na direção hidráulica que provocava incêndios.

Adversário mais competitivo do PT, Aécio Neves (PSDB) tem um carro bem mais luxuoso. O utilitário esportivo Land Rover Freelander 2012 foi declarado por R$ 166.500. Os veículos da marca inglesa são conhecidos pela robustez e exclusividade – apenas 2.402 unidades similares às compradas pelo tucano foram vendidas no Brasil.

Terceira via da disputa, Eduardo Campos é dono de um dos veículos mais compactos à venda no Brasil. O Fiat 500 2012 foi declarado por R$ 35.632. Ele ainda tem um Kia Cerato, cujo ano de fabricação não foi especificado, no nome da mulher, de R$ 55 mil.

Na corrida pelo Palácio Iguaçu, o governador Beto Richa (PSDB) é o mais notório fã de automobilismo, mas curiosamente não declarou ter carro. O único veículo dele é uma moto Harley Davidson 2007, de R$ 50 mil.

Ex-ministra da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) tem um Honda CR-V 2009, de R$ 88 mil. O utilitário faz sucesso entre mulheres, mas não é para qualquer bolso – ficou de fora da lista dos 50 carros mais vendidos do país nos últimos dois anos.

Na busca pelo quarto mandato de governador, o senador Roberto Requião (PMDB) declarou possuir quatro carros. Todos são relíquias: um Passat 1999 (R$ 64.246), um Peugeot 1994 (R$ 15 mil), um Jeep 1951 (R$ 1 mil) e um Ford 1928 (R$ 1, isso mesmo, hum real).

Na avaliação de várias pessoas, o carro diz muito sobre a personalidade do seu dono. Pode até ser. Mas o fato é que cada um tem o direito de fazer o que bem entender com o seu dinheiro – com recurso público é outra história.

Se for para ressaltar um aspecto em comum sobre os veículos de todos eles, o mais interessante é o local de fabricação. À exceção do Tipo de Dilma, cujo ano não permite dizer ao certo o país de produção (em 1996, houve unidades do modelo trazidas da Itália e outras montadas no Brasil), todos os demais foram importados.

A informação vale porque, na campanha, você vai escutar todos defendendo a indústria nacional com unhas e dentes. Na vida privada, a prática acaba sendo bem diferente.

Enviado por André Gonçalves, 23/07/14 11:45:28 AM

AecioEduardo

Prepare-se: tanto quanto PT, PSDB e PSB, a sigla que vai estar no centro do debate eleitoral pela Presidência é PIB. Você, que não é um inocente que não sabe de nada, sabe bem que o Produto Interno Bruto é a soma das riquezas produzidas pelo país. E que o crescimento dele nos últimos anos está devagar, quase parando – a estimativa é de que o aumento fique em menos de 1% em 2014.

A questão é que o PIB é um dado etéreo. Você não come PIB e não recebe salário em PIB. Você sofre para arcar com os custos da inflação e da queda da renda, além de temer o desemprego.

PIB é um dado macroeconômico, reflexo básico da economia real. O problema é que essa economia do dia a dia anda muito estranha – ao mesmo tempo em que o país não cresce, a taxa de desemprego é baixíssima e a renda média do trabalhador mantém certa estabilidade.

Há tempos os economistas alertam que essa não é uma situação sustentável. Uma hora o pibinho vai deixar todos os outros indicadores fraquinhos. Então, qual candidato tem a melhor solução para essas questões?

A resposta é dificílima. Apesar de o marketing político tentar embalar as coisas de forma diferente, a realidade é que PT e PSDB fizeram administrações com princípios lineares no campo econômico – controle de metas da inflação, câmbio flutuante, desonerações apenas setoriais do setor produtivo. A terceira opção, o PSB, era aliado de carteirinha dos petistas até o ano passado.

Talvez algum deles até proponha algo diferente para o futuro, mas o passado mostra poucas diferenças entre eles. Difícil de acreditar que, em qualquer das opções, a coisa não vai ficar feia nos próximos anos.

Enviado por André Gonçalves, 22/07/14 9:54:43 AM
Crédito: Fernando Bizerra Jr./Gazeta do Povo

Crédito: Fernando Bizerra Jr./Gazeta do Povo

Imagine uma eleição para presidente em que houvesse apenas um candidato. Como forma de protesto, todos os eleitores brasileiros resolvem votar nulo. Apenas o candidato vota nele mesmo. O resultado? Ele está legalmente eleito.

O exemplo extremo é só uma amostra do efeito prático das campanhas favoráveis ao voto nulo. Apesar de ser um direito legítimo, é bom ficar atento no real alcance do protesto que você quer promover.

Outro exemplo: digamos que você quer protestar justamente contra o candidato ou partido com mais chance de vitória.

Imagine uma disputa presidencial restrita a um colégio com 100 eleitores. Se os 100 comparecerem e votarem em algum candidato, serão necessários 51 votos para uma vitória no primeiro turno. Se 10 votarem ou branco ou nulo, ele precisará de 46 votos.

Quer sair por aí pregando o voto nulo? O direito é seu. Mas é bom saber qual é o verdadeiro alcance dessa decisão.

Quer saber mais sobre assunto? Clique aqui e veja matéria publicada na edição de hoje da Gazeta do Povo.

Enviado por André Gonçalves, 21/07/14 10:30:56 AM
Crédito: Viola Jr./Agência Câmara

Crédito: Viola Jr./Agência Câmara

Quando a torcida brasileira queria provocar os argentinos durante a Copa, apelava para uma musiquinha com o lembrete de que “só” Pelé fez mil gols. Não é bem assim. Pelo menos outros dois ex-jogadores têm (ou pelo menos alegam ter) marcas similares – Romário e Túlio Maravilha.

Curiosamente, ambos embarcaram na política. Túlio ainda atuava pelo Vila Nova (GO), em 2008, quando foi o terceiro mais votado para a Câmara de Vereadores de Goiânia. Na incessante busca pelo milésimo gol, renunciou ao mandato em 2011 para jogar pelo Bonsucesso (RJ).

Romário foi mais longe tanto nos gramados quanto nas urnas. Em 2010, foi eleito deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro. Agora, desponta como favoritíssimo na disputa pelo Senado.

De acordo com pesquisa Datafolha* divulgada na quinta-feira, o ex-atacante largou com 29% das intenções de voto, contra 23% alcançados pelo ex-prefeito da capital fluminense César Maia (DEM). Há uma combinação de fatores que explicam o sucesso, mas um deles é fundamental: o Baixinho aplica na política o mesmo oportunismo que usava para balançar as redes.
Você com certeza já elogiou ou ouviu alguém elogiando a postura combativa dele contra os gastos públicos para a realização da Copa no Brasil. Passado o Mundial, aplaudiu a “ética romariana” ao criticar a cartolagem que controla a CBF. Aposto que você seria capaz de fazer os mesmíssimos comentários, com a diferença de que não tem mil gols no currículo.

A tática é tiro e queda. O que um torcedor quer? Gols. O que um eleitor quer? Alguém que fale exatamente o que ele deseja ouvir.

Como em tudo na vida, entretanto, há um enorme abismo entre falar e fazer. Romário é um exemplo bem acabado disso. Em 2008, quando o Brasil havia acabado de ser escolhido como sede da Copa, ele foi garoto-propaganda do primeiro elefante branco produzido com dinheiro público – o estádio Bezerrão, no Distrito Federal.

Na propaganda de televisão paga pelo governo local, o ex-atacante ajudou a vender a ideia de que a obra (que na época custou R$ 55,4 milhões) seria fundamental para que Brasília fosse escolhida sede da Copa. O tal espaço que serviria como centro de treinamentos não foi utilizado por nenhuma das 13 seleções que passaram em Brasília. E o Bezerrão entrou pela história pelo gasto, sem licitação, de R$ 9 milhões para a realização do jogo de inauguração, entre Brasil e Portugal, num escândalo que envolveu o ex-presidente do Barcelona Sandro Rossel e que ajudou a derrubar o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Aliás, um dos grandes “peixes” de Romário é o ex-presidente do Vasco e ex-deputado federal Eurico Miranda. Para quem não lembra, Eurico se notabilizou nos anos 1990 e 2000 como líder da “Bancada da Bola”. O grupo defendia com unhas e dentes no Congresso os interesses, veja da CBF.

Romário, claro, não é o único a agir dessa forma. O Brasil – e o Paraná – está cheio de candidatos-artilheiros. Prepare-se para ouvir político que adora jatinho público ou que acumula aposentadorias pagas com o seu dinheiro posando de guardião da moralidade. Esse pessoal quer muito mais que mil votos.

*Metodologia
O Datafolha ouviu 1.317 eleitores em 31 cidades do estado do Rio, 15 e 16 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo e foi registrada no TSE com o número RJ-00009/2014.

Enviado por André Gonçalves, 07/07/14 9:30:04 AM

Jonathan Campos / Gazeta do Povo

Há dois tipos de torcedor de futebol: aquele que escolhe o time por afinidade (familiar, geográfica, etc.) e o que torce para quem ganha. É mais ou menos o que acontece com os políticos nas eleições. Existe um grupo (pequeno) que apóia candidaturas por semelhanças ideológicas e outro (enorme) que só se dispõe a ficar do lado de quem tem maiores chances de vencer.

A montagem das chapas para a disputa presidencial e o governo do Paraná em 2014 mostra bem como essa lógica funciona. Dos 17 partidos que compõem a coligação de Beto Richa (PSDB), quatro estão na de Dilma Rousseff (PT) e outros quatro na de Eduardo Campos (PSB). Ou seja, metade dos aliados do governador entrou num barco no estado e noutro em Brasília.

Sim, eles só pensam naquilo: um pedacinho de poder, seja na administração estadual, federal e, se pintar uma brecha, até na planetária. Como defesa, há quem diga alianças são toleráveis, já que o Brasil é uma federação e uma mesma legenda pode ter diferenças de visão regional e nacionais. A tese, inclusive, derrubou a verticalização das coligações, experimentada no país em 2006.

Analisada de perto, é a mais pura ladainha. Em primeiro lugar, porque Richa passou toda gestão em guerra com o governo federal, antevendo um confronto com a ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT). A estratégia tucana não deixou brecha: ou você está de um lado ou de outro.

Além disso, os quatro partidos que apoiam Dilma e Beto ao mesmo tempo têm as executivas estaduais presididas por deputados federais. Nelson Meurer comanda o PP, Eduardo Sciarra o PSD, Fernando Giacobo o PR e Cida Borghetti o Pros (a parlamentar é ainda candidata a vice na chapa de Richa). Ou seja, eles votam a favor da administração petista no Congresso Nacional e, no Paraná, dão suporte a um candidato que diz que essa mesma gestão persegue o povo paranaense.

Do outro lado, Beto conseguiu ainda o apoio do PHS, PPS, PSL e PSB, quatro dos seis partidos que compõem a coligação de Eduardo Campos. O próprio presidenciável foi ao Paraná antes das convenções para avalizar o apoio do PSB ao governador. Com isso, Campos aceitou ser a opção número dois do tucano (a primeira, claro, é Aécio Neves) e inviabilizou a candidatura do deputado federal Rubens Bueno (PPS), que daria palanque exclusivo ao socialista no estado.

Engana-se quem pensa que há santo nessa história. Dilma apanhou o tempo inteiro dos aliados no Congresso e demitiu ministros de PMDB, PDT, PR, PCdoB e PP por suspeitas de corrupção. No frigir dos ovos, não dispensou o apoio eleitoral de nenhum deles – muito pelo contrário, fez ainda mais concessões.

Seria muito prático encerrar a análise dizendo que tudo isso se resolveria com uma reforma política para disciplinar as coligações. A experiência da verticalização mostra que os caciques partidários dariam um jeito de subverter tudo de novo. Mais eficaz seria uma reforma pelas urnas, tirando poder daqueles que topam qualquer parada para se manter nele.

Enviado por André Gonçalves, 30/06/14 12:02:31 PM

BenettCopa

Aldo Rebelo dá uma coçadinha no bigode com uma mão, com a outra segura uma mala preta. “Messi, compañero, precisamos chegar a um acuerdo”, diz o ministro. “Un milhón de dólares y la Cuepa es nuestra!”

Se o hexa está no bolso do Brasil, inevitavelmente precisaria desse tipo de negociação para chegar até lá. E, para comprar a Copa direito, muita gente teria de receber a sua parte – dezenas (ou centenas) de jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes. Haja grana.

Imagine qual seria a resposta do craque argentino. Não faça um cálculo moral, mas financeiro mesmo. No último dia 17, a revista Forbes divulgou a lista com os 10 jogadores mais bem pagos do mundo – Messi é o segundo do ranking.

O craque do Barcelona ganha 64,7 milhões de dólares por ano entre salário e participação em campanhas publicitárias. Na frente dele aparece o português Cristiano Ronaldo, com 80 milhões de dólares. O décimo é o meia alemão Özil, com reles 18,8 milhões de dólares.

Sim, Messi daria risada até com uma oferta dez vezes superior à inicial. E tem outra: para que se vender, mesmo que seja por 100 milhões, se ele pode ganhar muito mais dinheiro, por muito mais tempo, sendo campeão mundial? Complicado esse negócio de comprar uma Copa, não?

Ainda assim, muita gente (inclusive “esclarecidos” de plantão) insiste na bizarra tese de que o governo negociou a taça para o Brasil. O objetivo, claro, seria ajudar a campanha da presidente Dilma Rousseff. O Brasil ganhou, Dilma se reelegeu.

Por mais que seja complicado descrever o tamanho dessa bobagem, ela carrega uma percepção interessante sobre o atual cenário político do país. As duas décadas de polarização entre PT e PSDB nas eleições presidenciais colaboraram para um processo de idiotização do debate eleitoral, que parece ter chegado ao seu ápice. Toda informação passa por um processo de simplificação irracional.

Para quem detesta o petismo, Dilma se transformou na vilã para tudo. Havia gente jogando no colo da presidente o tamanho das filas para entrar no Mané Garrincha nos jogos em Brasília. Se falta comida nos estádios, também é culpa da presidente – inclusive para aqueles que outro dia pregavam o #nãovaitercopa.

Do outro lado, Lula inflama os petistas na idealização de uma “elite branca” que impede o desenvolvimento do país. Esse povo do mal quer acabar com o Bolsa Família e recolocar o Brasil em uma era desemprego e recessão. Um grupo preconceituoso que não tolera a ascensão social.

No fundo, ambos os lados jogam com a incapacidade de reflexão das pessoas. Mais fácil falar de ódio ao oponente do que tentar entendê-lo. No futebol, isso acaba em briga de torcida, na política, em governos que precisam comprar apoios para se manter de pé.

Curioso que você deve ter ouvido mais sandices relacionadas à compra da Copa na semana passada do que à última troca na Esplanada, em que Dilma cedeu às pressões do PR de Valdemar Costa Neto para substituir o ministro dos Transportes – César Borges foi para a Secretaria dos Portos, substituído por Paulo Passos. Está aí o exemplo perfeito: o governo merece, sim, ser criticado pelo que faz de errado. Mas não por qualquer boato mirabolante.

Enviado por André Gonçalves, 23/06/14 12:01:17 PM

J. Freitas/Ag. Senado

Ouvi dizer em Brasília que seria mais fácil a Costa Rica passar pelo grupo da morte na Copa do Mundo que Roberto Requião vencer a convenção estadual do PMDB. Eis que os Ticos se classificaram às oitavas-de-final com uma rodada de antecedência e o senador será candidato a governador do Paraná. Mas não seja ingênuo: apenas o desempenho dos costarriquenhos pode ser considerado uma enorme zebra.

Nas últimas seis eleições para governador do Paraná, Requião só não participou das duas em que esteve legalmente impedido de se reeleger (1994 e 2010). Nas quatro que disputou, ganhou três (1990, 2002 e 2006). Perdeu apenas em 1998 para Jaime Lerner – aliás, a única derrota em uma carreira com oito mandatos disputados desde 1982.

Requião é, inegavelmente, uma máquina de fazer campanhas. Ao longo de tantas disputas, ele passou por todo tipo de situação. Foi azarão em 1990, contra José Richa (PSDB) e José Carlos Martinez (PRN), e em 2002, contra Alvaro Dias (PSDB).

Por outro lado, era favoritíssimo em 2006 e por 10 mil votos não foi desbancado por Osmar Dias (PDT). No último pleito, em 2010, quase não conseguiu a segunda cadeira para o Senado. Após dois mandatos seguidos no Palácio Iguaçu, fez só 24,84% dos votos válidos contra 23,1% de Gustavo Fruet (então no PSDB).

Qualquer análise história ou estatística comprova que eleição com Requião tem emoção. A dúvida é saber se ele vai acrescentar qualidade ao debate ou apenas posicionar-se como o jogador de sempre. Com o senador, não há meio termo, a disputa sempre se transforma em um vale-tudo.

Em 1990, desconstruiu a imagem de José Richa mostrando o acúmulo de aposentadorias do tucano. Chegou ao segundo turno e derrubou Martinez, candidato amparado pelo então presidente Fernando Collor, com o caso Ferreirinha. Em 2014, ele entra no confronto como ex-governador beneficiado pela obesa aposentadoria de R$ 26.589,68 mensais (e sabe-se lá como vai explicar a situação).

Olhando o lado meio cheio do copo, a vantagem da candidatura do peemedebista é romper a polarização entre Beto Richa (PSDB) e Gleisi Hoffmann (PT). A dupla se encaminhava para um debate monotemático sobre uma suposta perseguição do governo federal à gestão tucana. O “coitadismo” transformaria a campanha em algo, além de chato, improdutivo.

Agora a discussão será inevitavelmente local. Requião e Beto vão precisar comparar feitos administrativos. Gleisi terá de apresentar o que tem condições de fazer diferente dos dois.

A propósito, vale lembrar que Beto venceu no primeiro turno em 2010 justamente porque se posicionou como candidato da mudança, que acabaria com a era de bravatas instalada ao longo dos dois mandatos de Requião. Três anos e meio depois, o clima institucional melhorou, a economia paranaense é a que mais cresce no país, o governo bate recordes de arrecadação, mas o estado sofre para manter as contas em dia e conseguiu diminuir a proporção dos investimentos em relação à receita.

Nesse cenário, o certo é que nenhuma das três opções entra na disputa como zebra. E que Beto, apesar do favoritismo de quem está com a máquina na mão, precisa tomar cuidado para não dar uma de Espanha ou Inglaterra. O primeiro turno no Paraná será em ritmo de grupo da morte.

Enviado por André Gonçalves, 17/06/14 8:33:05 AM

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Pelo menos um lugar do Brasil já reunia gente dos 32 países que disputam a Copa antes de a competição começar. A dois quilômetros da Praça dos Três Poderes, o setor de embaixadas de Brasília abriga um pedaço de quase todos os cantos do planeta. Por lá, o Mundial caiu como uma luva.

Cada representação diplomática tem vivido a Copa à sua maneira – e de acordo com a história do país que representa. Hoje, a embaixada alemã celebra os 40 anos da partida de futebol mais emblemática dos tempos da Guerra Fria, o confronto entre a República Democrática da Alemanha e a República Federal da Alemanha, no Mundial de 1974.

A Alemanha Oriental será representada por jogadores “importados” da Saxônia, um dos estados do país que existiu entre 1949 e 1990. O time ocidental será formado por funcionários da embaixada. Há quatro décadas, a vitória por 1 a 0 ficou com os comunistas, mas o título com a equipe ocidental.

Na semana passada, a Aliança Francesa, com apoio da embaixada da França, levou o ex-jogador Liliam Thuram a Brasília. Autor dos dois gols da semifinal da Copa de 1998, contra a Croácia, ele é ativista contra o racismo e falou sobre seu livro – “As minhas estrelas negras – de Lucy a Barack Obama”.

Peladas e literatura à parte, o glamour da diplomacia em tempos de Copa (e em qualquer outra época) são as festas. Empolgado com a participação da Suíça no Mundial, o embaixador do país, André Regli, abriu as portas da representação diplomática para todos os suíços do Distrito Federal e Goiás que não conseguiram ingresso para ir ao Mané Garrincha acompanharem a estreia da seleção contra o Equador.

Deu sorte: os europeus venceram os sul-americanos por 2 a 1, com uma virada espetacular no último minuto. O resultado ampliou a febre de Copa que toma conta do país – 17.772 suíços compraram ingressos para a competição. Proporcionalmente à própria população, o número é bem superior ao dos norte-americanos e alemães, estrangeiros recordistas em bilhetes comprados.

A maioria dos diplomatas, contudo, é reservada sobre os eventos que vão realizar. Amanhã, quando jogam contra o Brasil, os mexicanos vão abrir as portas (pelo menos para quem solicitou convite antecipado), com direito a comidas típicas. O serviço consular também vai acompanhar as cidades onde a seleção joga na primeira fase – Natal, Fortaleza e Recife.

O embaixador alemão, Wilfried Grolig, quer reunir gente na sua residência para acompanhar todos os jogos da seleção do país – o convite está publicado na página da embaixada no Facebook. Os eventos, no entanto, são chamados de “private exclusive viewing” (algo que pode ser traduzido como transmissão privada e exclusiva dos jogos). Mais de mil pessoas pediram para participar desde ontem, no jogo contra Portugal, mas não coube todo mundo.

Enviado por André Gonçalves, 16/06/14 10:43:50 AM
Crédito: Albari Rosa

Crédito: Albari Rosa

Segundos depois que o japonês Yuichi Nishimura deu o pênalti mandraque em cima do Fred, um amigo disparou: “esses croatas achavam mesmo que viriam ao Brasil e não seriam assaltados em algum momento?” Neymar converteu a cobrança e desafogou o Brasil. Nos vestiários, o técnico da Croácia desabafou: se a arbitragem continuar assim, a competição vai virar “um circo”.

Claro que a torcida brasileira no Itaquerão não protestou contra o Fred. Os apupos ficaram com a presidente Dilma Rousseff. Xingada em vários momentos da partida, Dilma fez de tudo para permanecer invisível e não conseguiu.

Por que a hostilidade contra a presidente? Todos sabem os motivos básicos para a revolta – gastos públicos com o Mundial, problemas no planejamento e execução das obras, subserviência em relação à Fifa. Em suma, ninguém gosta de ser feito de otário. Some-se a isso o fato de que, em estádios, sempre há um incontrolável (e deplorável) comportamento de manada.

Engraçado como a situação muda quando é o brasileiro que faz alguém de trouxa, ainda mais no futebol. Em quase todos os Mundiais conquistados pelo Brasil há “façanhas” como as de Fred. Em 1962, em jogo contra a Espanha na primeira fase, um passinho de Nilton Santos ludibriou o juiz e transformou um pênalti claro em falta fora da área.

Estava 1 a 0 para os espanhóis. O pior é que na cobrança da falta, Puskas acabou fazendo um gol de bicicleta – anulado por suposto jogo perigoso. No segundo tempo, o Brasil virou para 2 a 1.

Em 1970, Pelé acertou uma cotovelada criminosa no meio do nariz de Fontes, na semifinal contra o Uruguai. O juiz deu falta do uruguaio. O Brasil ganhou, novamente de virada, por 3 a 1.

Em 2002, numa estreia duríssima contra a Turquia, Rivaldo levou uma bolada na perna e fingiu que foi no rosto. Resultado: o juiz expulsou o turco que deu o chute. E o Brasil venceu por 2 a 1 – para não fugir à regra, de virada.

Voltando à política, até Dilma sabia que tomaria uma vaiazinha básica na quinta-feira. Mas vaiar é uma coisa, mandar uma senhora de 66 anos acompanhada da filha tomar caju é outra muitíssimo diferente. Alguém normal faria uma coisa dessas se não estivesse protegido pelo anonimato em meio a uma multidão de 61 mil pessoas?

E é curioso que isso tenha acontecido logo em São Paulo, a terra que se gaba de ser a locomotiva do Brasil, mas onde nasceu o rouba-mas-faz na política.

Quer protestar para valer? Comece votando direito. E não só para o presidente, mas para vereador, deputado, senador… Muitos dos que xingaram Dilma com certeza votam em alguém porque “ele traz recursos para o meu bairro ou cidade”. Se ele só apresenta projetos cretinos, desvia dinheiro de emendas parlamentares e vota contra o interesse do povo, não tem problema – desde que eu supostamente me dê bem de alguma forma.

Não é preciso ser técnico da Croácia para saber quem acabam sendo os verdadeiros palhaços desse circo.

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