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Enviado por admin, 18/07/12 5:52:00 PM

Marchem, todos!

Ana Paula Braga Salamon

Apesar das conquistas, em pleno século XXI muitas mulheres ainda sofrem violências e enfrentam dificuldades no meio social em que vivem e/ou trabalham. Essa violência e opressão não são de hoje. Vários autores – entre os quais está Simone de Beauvoir, uma reconhecida filósofa francesa – relatam que o processo de opressão feminina teve início com o surgimento da propriedade, isso ainda na Pré-história.

Analisando as variadas fases da evolução da sociedade podemos observar que, desde o início da história, a mulher passa por um processo de submissão ao homem. Ao dominar a natureza, o homem, que antes era nômade e vivia em grupos, fixa moradia e começa a defender sua propriedade. Nesse processo, a mulher foi tomada como sua propriedade.

Desde a Idade da Pedra até a Idade Moderna as mulheres não conquistaram muitos direitos. Mesmo quando deixaram o espaço privado do lar para trabalhar em empresas, elas se viram aprisionadas nele. Vale ressaltar que o desequilíbrio de direitos sobre a mulher é influenciado pelo modelo familiar patriarcal machista que vigora na maior parte dos lares heterossexuais.

O desrespeito ao gênero feminino ocorre também no âmbito da comunidade e do trabalho. O Brasil não é diferente de outros países, exceto em algumas particularidades. Aqui, a submissão das mulheres aos homens era prevista em lei. O Código Civil de 1916, dizia que no intuito de “proteger a família, a mulher deveria ter autorização do marido para poder trabalhar”. Essa condição de subordinação passou por vários estágios desde que a “segunda onda” do feminismo atingiu o país. Nos anos de 1970, uma sequência de assassinatos de mulheres cometidos por seus parceiros assustou o país e provocou o movimento “Quem ama não mata”.

Passado meio século, pouco mudou. À exceção da criação da Lei Maria da Penha, as brasileiras não têm muito a comemorar: a violência não cessou (basta ver os números), a lei ainda não foi totalmente implementada, continuam levando triplas jornadas de trabalho, ganham menos e ainda têm o corpo mercantilizado.

Além de conviver com o estereótipo de “sexo frágil”, as mulheres ainda são, na maioria dos casos, culpabilizadas pelas violências que sofrem: se apanham do marido é porque gostam; se são estupradas é devido ao fato de “se vestirem como vadias” – aqui parafraseando o policial canadense aqui parafraseando o policial canadense que acabou estartando a Slut Walk (Marcha das Vadias) que chegou a várias cidades brasileiras, como Curitiba.

De fato, os direitos das mulheres nunca foram conquistados de maneira fácil. Do voto à criminalização de seus algozes, tudo foi conquistado nas ruas em marchas ou protestos. Se para construir uma sociedade mais justa e igualitária em que as mulheres tenham seus direitos respeitados é preciso marchar, marchemos juntos!

Alguns números:

- O estupro e a violência doméstica representam cerca de 5% a 16% dos anos saudáveis de vida perdida de mulheres em idade reprodutiva.

- Na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres.

- Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos doque aquela que não vive em situação de violência.

- No Canadá, um estudo estimou que os custos da violência contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em serviços, incluindo polícia, sistema de justiça criminal, aconselhamento e capacitação.

- Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre 5 bilhões e 10 bilhões de dólares ao ano.

- Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento calculou que o custo total da violência doméstica oscila entre 1,6% e 2% do PIB de um país.

- Ainda de acordo com o Portal Violência Contra a Mulher, mais de um bilhão de mulheres no mundo – uma em cada três – foi espancada, forçada a manter relações sexuais ou sofreu algum tipo de abuso, na maioria das vezes, por pessoa próxima, parente ou amigo.

- Um estudo feito pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc no ano passado aponta que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil.

Artigo escrito por Flávio Freitas, colaborador do Núcleo de Educação do Instituto GRPCOM.

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Siga o Instituto GRPCOM também no twitter: @institutogrpcom.

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      Luiz C. Segantini | 23/07/2012 | 17:24

      E pensar que em outro blog aqui do jornal onde foi postado sobre o mesmo assunto, alguns leitores se posicionaram contra a marcha!! Meus deus! Eles continuam na idade média.

      Priscila Candida Soares | 23/07/2012 | 13:32

      Ótimo pensamento. É necessário marchar, lutar, não acomodar com o que incomoda. Porém é necessário, mais do que tudo, entendermos que não conseguimos o respeito, se não transpassarmos este. Esse nome, Vadia, a maneira de protestar está vulgarizada. é necessário que hajam ações mais sérias e maneiras mais respeitosas de protestar. Foi-se o tempo que mostrar o peito era chocar a sociedade. Luta sempre!

      dulce maria raichl | 22/07/2012 | 12:39

      tipo de texto que nos faz repensar...muito bom!

      Janaina Guimarães da Silva | 20/07/2012 | 21:01

      Parabéns pelo texto, muito bom!

      fernanda lianna | 20/07/2012 | 02:11

      Texto ótimo! Parabéns!

      Ana Flávia Gabardo | 20/07/2012 | 02:08

      O texto é ótimo. Parabéns!

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