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Enviado por admin, 08/03/12 10:26:00 AM

Segunda-feira é dia de buchada de bode

Guilherme Caldas
No Morais, segunda é dia de buchada e de casa cheia

Buchada de bode em Curitiba?

Tem sim, senhor. E vai gente da cidade toda, às segundas-feiras, provar a buchada feita pela Lanchonete do Morais, lá no Sítio Cercado, extremo da zona sul da cidade.

Nesses dias, o simpático e animado espaço comandado há 11 anos pelo potiguar José Pedro Morais, também conhecido como Doca, e a mulher dele, a piauiense Leda, fica sempre lotado.

“Saem umas 30 a 40 buchadas por semana”, conta Doca. Pra não ficar sem, então, o negócio é reservar. E foi o que fizemos nós, numa excursão planejada via Facebook. Délio e uns outros sempre falavam do lugar, e resolvemos que já era hora de conferir. Juntamos uns 12 valentes e lá fomos nós.

Guilherme Caldas
Na panela, as buchadas, estrelas da noite

É chão. Do Centro, são mais de 20 quilômetros até o Morais. Mas vale cada minuto. Chegamos lá não eram nem 9 da noite, mas já estava cheia. Doca nos recebe, vai trazendo as cervejas e o tira-gosto – carneiro na brasa e um cuscus nordestino (uma espécie de farofa a base de farinha de milho, coentro e cebolinha que meu Deus do céu…)

Mais cerveja, uma cachaça, e chegou a hora dela – a buchada. Pra nordestino, dizer que é de bode é pleonasmo (por lá, não se faz buchada com mais nada). Por aqui, Doca usa, vez por outra, um cabrito. “ Aqui no Sul, o bode é muito magro, pois ele vai bem no pasto seco, não no verde. Mas diferença de gosto não se nota”, garante o potiguar de São Miguel, em Curitiba desde 1988.

Guilherme Caldas
Fernanda e a buchada, já picada (na mesa, o sensacional cuscus nordestino)

A buchada se faz com os miúdos do bode, que, após picados, recheiam o estômago do animal. Doca explica o processo. “Eu mesmo escolho o animal, ainda vivo. De longe, já sei se é magro, gordo, se tem vermes. Depois de abatido e retirado o couro, ele vem inteiro pra mim. Com uma serra, separo os pedaços que são pra cozinhar e pra assar, e reservo os miúdos pra buchada.”

Ele prossegue – “Pra ficar boa, a buchada exige que sempre os miúdos sejam bem lavados e depois escaldados numas três águas. Daí corta tudo bem miúdo e tempera bem. E precisa saber costurar (se encher demais estoura, se for de menos, a buchada fica murcha, feia)”, diz. Ele e Leda, que é da cidade de Valença do Piauí, dominam os segredos. “É tradição no Nordeste, nossos pais sempre fizeram.”

Doca e Leda se conheceram já em Curitiba. Quando se casaram, ela já tinha um pequeno bar, e foi lá que a tradição da buchada começou. Há 11 anos, o casal transferiu o negócio para o ponto atual. “O antigo dono já tinha a tradição de servir o carneiro e o baião de dois. Mas a buchada fomos nós que trouxemos”, ele conta.

Guilherme Caldas
Além de buchada, também tem baile no Morais, com música ao vivo

Também já era tradicional o baile, com música ao vivo, que anima o salão às segundas. O pessoal que vem pra dançar chega um pouco mais tarde, lá pelas dez – quando os bons de garfo já terminaram a buchada. Daí o salão costuma virar pista de dança, e vai assim até uma e meia da manhã. A dupla que comanda o som toca, claro, clássicos da música nordestina e do brega.

Pra buchada, e pro baile, vai gente até de cidades da região metropolitana. “Tem muito nordestino que mora por aqui e vem matar saudades. Mas uns 80% da clientela é gente daqui do Sul mesmo”, afirma Doca. Donos e funcionários de bares e restaurantes são presença costante por ali – afinal, segunda é dia de folga pra eles, e dificilmente tem na cidade, nesse dia, lugar mais animado que a Lanchonete do Morais.

Guilherme Caldas
Os valentes (com o Morais ao fundo); Guilherme está atrás da câmera

Se seu estômago não é forte o suficiente pra buchada (embora ela seja bem mais saborosa do que o nome sugere), da cozinha também saem o baião de dois, o carneiro ensopado e, da grelha, o carneiro assado.

“Se encomendar, também servimos galinha capira, do jeito que o cliente quiser, inclusive ao molho pardo ou à cabidela, e vatapá.” No resto da semana, a casa fica no trivial – serve as tradicionais porções de fritas, frango a passarinho, calabresa… Mas basta encomendar que Doca garante que faz a buchada ou os demais itens da segunda-feira.

Não deixe de ir. Nós recomendamos.

——————

Serviço

Rua Itaguagé, 284, Sítio Cercado, (41) 3289-6969.

Aceita cartões.

Segundas, a partir das 20:00
Terça a domingo, das 12:00 ao último cliente

——————

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      maria antonia ferro de melo | 25/09/2012 | 17:24

      sou nordestina de minador do negrao, alagoas, conheço todas as iguarias nordestinas, e eu e meu marido, que tbm e alagoano, adoramos a buchada, quero ir conhecer esse restaurante do morais, abraços gente...

      Adriano Koehler | 10/07/2012 | 10:22

      Agradeço ao time do Baixa Gastronomia a dica da buchada. Fui ontem e espero repetir algumas vezes o prato. Delícia!!

      Baixa Gastronomia | 08/03/2012 | 15:34

      Já está corrigido o nome da cidade, Clemilton. E obrigado pela aula de culinária piauiense!

      Clemilton Carvalho | 08/03/2012 | 12:34

      COMIDAS TÍPICAS DO PIAUÍ Baião de dois – arroz com feijão. Maria Isabel – arroz com carne cortada miúda. Arroz com galinha ou guiné (galinha d’angola). Frito – qualquer tipo de carne, passada com farinha. Panelada – tripa de partes do intestino do boi. Sarapatel – miúdo e sangue de criação, com temperos e leite de coco. Cozidão – costelas e carne de boi, temperos, verduras, pirão do caldo de carne. Paçoca – carne-de-sol socada no pilão, misturada com farinha e cebola branca. Come-se com bananas, baião de dois ou Maria Isabel. Carne-de-sol – carne de gado, enxuta pelo sol e assada no óleo. Mão-de-vaca – ossos dos pés, “mãos” e nervos de gado feito cozido. Buchada – feito com bucho de boi. Mungunzá – milho cozido com pé de porco, toucinho e lingüiça. Quibebe – mistura de legumes cozidos e carne moída. Arroz-doce – arroz, leite e açúcar. Mingau de puba – farinha de puba, leite e açúcar. Bolos: Bolo Corredor – feito de goma, ovos, gordura e sal. Suspiro – feito com clara de ovos e açúcar. Pamonha – milho verde ralado, leite, cozido na água, enrolados na folha da bananeira. Bolo frito – feito de goma, ovos, sal e gordura. Cuscuz – massa de milho (ou arroz), goma e sal. Peta – goma, ovos e sal.

      Clemilton Carvalho | 08/03/2012 | 12:34

      Amigo, excelente a matéria sobre a comida tradicional do sertão do Nordeste que é a famosa BUCHADA - uma das iguarias nordestinas. (Há outros tantos pratos típicos: - Mugunzá; - Beiju (tradicionalmente conhecido como tapioca) - Cuscuz de Arroz - Maria Isabel - Paçoca - Creme de galinha (nas festas juninas)e, outros mais. Uma correção: O nome da cidade correto e completo é VALENÇA DO PIAUÍ- PIAUÍ (para ser distinguida da Valença - BA e da Valença - RJ).

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