2019 será o novo 2003? - Leandro Narloch | Criptomoedas e Mercado Financeiro
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2019 será o novo 2003?

Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Em 2003, primeiro ano do governo Lula, investidores perceberam que o presidente falava a verdade quando prometeu seguir a linha econômica de FHC. Como resultado, o índice da Bolsa de São Paulo subiu 97% e o dólar caiu de R$ 3,55 para R$ 2,90 naquele ano.

Eu já disse na semana passada e repito: é grande a chance de tudo ocorrer conforme o esperado e a Bolsa de São Paulo repetir 2003 e sair dos atuais 85 mil pontos para se aproximar dos 200 mil pontos nos próximos anos.

Alguns leitores disseram que estou pecando por um otimismo ingênuo. Acho que não, pois veja só:

  • O próximo Congresso dificilmente será mais à esquerda que o de hoje. Os deputados atuais foram eleitos em 2014, quando o PT era um partido relevante e cheio de petrodólares para a campanha. É razoável acreditar que PT e partidos aliados perderão cadeiras este ano. Será mais fácil aprovar as reformas.
  • O próximo presidente não terá escolha: terá que enfrentar o problema do rombo das aposentadorias. Os gastos da Previdência já consomem 60% das receitas da União: em pouco tempo não haverá dinheiro para gastos não obrigatórios.  E a PEC do Teto impede aumentos de despesas. 
  • A vitória de Alckmin, Meirelles e até mesmo de Bolsonaro será uma festa para o mercado. Bolsonaro ainda é uma incógnita, mas seu ministro da Fazenda, o “Chicago boy” Paulo Guedes, dá muita certeza a investidores de que não fará nenhuma loucura.  
  • Dos candidatos atuais com alguma chance de vitória, Ciro Gomes é o pior para o mercado. (Já considero Lula fora do páreo.) Ciro não é bobo – sabe que existe um rombo fiscal e previdenciário, e sabe que Dilma caiu principalmente por ter arruinado a economia. Nesta segunda-feira, no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, Ciro disse até que a reforma da Previdência proposta por Temer era suave demais, pois diminuiria muito pouco o buraco das contas das aposentadorias. Aposto que ele vai tocar a política como se toca um violino, como diz Espiridião Amin: se apoiará na esquerda mas tocará com a direita. Vai manter alguma sensatez na política fiscal.

Ou seja: com direita, centro-direita ou centro-esquerda, é bem provável que a reforma da Previdência seja aprovada meses após a eleição. Se isso acontecer, os juros cairão ainda mais e as agências de risco elevarão a nota de crédito do governo federal. O PIB vai deslanchar. 

Vivemos nos últimos anos o pior de todos os gráficos do PIB: o gráfico em “L”, uma longa queda seguida por crescimento baixo. Agora parece que tudo está configurado para termos um gráfico em “U” – uma alta acentuada depois da crise, como aconteceu a partir de 2003.

Eis uma bela vantagem em termos passado por Dilma Rousseff: sabemos que dificilmente teremos um presidente pior. Diante desse passado recente, há, sim, uma ou outra razão para ser otimista com o Brasil.