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Assédio sexual e machismo marcam árbitra top do MMA: “Já baixei a cabeça por medo”

Foto: Divulgação/Primeiro Round
Foto: Divulgação/Primeiro Round

Charyana Gamballe, 27 anos, teve uma ascensão relâmpago no outro lado do mundo da luta.

Um ano após estrear como árbitra em eventos nacionais, em 2015, a curitibana foi eleita a melhor do país na função (entre homens e mulheres) no Prêmio Osvaldo Paquetá, conhecido como o Oscar do MMA nacional.

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O resultado da votação popular surpreendeu a própria árbitra, que ganhou os holofotes por sua atuação em eventos como Aspera, Immortal e Gladiator.

O sucesso repentino em uma profissão dominada por homens, porém, não veio sem consequências. Ela relata que precisou lutar contra um processo de “destruição” de sua imagem.

Dentro e fora dos ringues.

“Sempre entram na situação da sexualidade, também já fui questionada sobre que fazia para estar nos eventos, insinuações de que trocava sexo para estar em um grande eventos, em lutas grandes…”, lamenta a paranaense.

“Já baixei a cabeça por medo em situações de assédio moral e sexual. Fui até agredida fisicamente por outro árbitro no início”, recorda.

Cantadas consideradas respeitosas são levadas na esportiva pela árbitra. Mas com o passar do tempo, elas praticamente desapareceram. “Hoje é raríssimo. É necessário impor respeito, mas se eu partir para a grosseria só piora a situação”.

Charyana até admite que sua imagem pode ter ajudado a abrir portas. Mas a moça de 1,76 m garante que não seria capaz de se sustentar na profissão sem competência e dedicação.

E ela não caiu de paraquedas no cage. Sua relação com a luta começou cedo. Treinou judô entre os quatro e 14 anos de idade, mas parou na faixa-roxa após a morte de seu mestre.

Em 2014, começou a praticar jiu-jítsu como hobby na academia Gile Ribeiro. E foi a partir daí, depois de assistir ao vivo um evento de MMA, que se interessou pela arbitragem.

Formada em secretariado internacional trilíngue — apesar de falar fluentemente inglês, alemão, espanhol e francês, além do português –, Charyana foi estudar.

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Primeiro, fez o curso do árbitro brasileiro do UFC Mario Yamasaki. Também estagiou na Associação Paranaense de Lutas, onde foi até cutwoman, responsável por ‘remendar’ os lutadores entre os rounds.

Mas viver da arbitragem ainda está a anos-luz de distância. As principais fontes de renda da melhor árbitra do país vêm de seu hostel, inaugurado em 2014, e também da atuação como tradutora comercial.

“O cenário do MMA nacional é bastante restrito em recursos financeiros. Em média, um árbitro ganha entre R$ 50 e R$ 250 para trabalhar em um evento nacional”, diz.

Com cerca de 250 combates arbitrados até aqui, Charyana é uma das cerca de dez mulheres que seguiram o mesmo caminho no Brasil.

Mas apesar de ainda machista, a profissão não distingue sexo dentro do ringue.

“Já levei golpes, sim. Uma cabeçada acidental me deixou um mês sem conseguir fechar a boca direito. A mandíbula saiu do lugar. Também já tomei joelhada na costela”, afirma a curitibana, que nem cogita passar de árbitra para competidora.

“E meu medo de levar soco? Prefiro treinar mesmo”, diverte-se.

Fim de luta!

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