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Cinema

A saga que liga os Alpes à Serra do Mar

O cineasta curitibano Calixto Hakim reconstitui em filme a imigração suíça no Sul do Brasil

  • Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo
Elenco suíço e brasileiro em filmagens no Bosque do Papa, em Curitiba |
Elenco suíço e brasileiro em filmagens no Bosque do Papa, em Curitiba
 
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A saga que liga os Alpes à Serra do Mar

A imigração suíça no Sul do Brasil tem menos relatos do que a alemã ou a italiana, mas sua representatividade é maior do que se pode imaginar. O fato, pouco conhecido, de que os suíços formaram uma das primeiras colônias de europeus na região inspirou o cineasta curitibano Calixto Hakim a produzir o filme Suíços Brasileiros: Uma História Esquecida, espécie de reconstituição cinematográfica dos relatos históricos sobre o tema.

Casado com a produtora Kat­­harina Beck, ela própria uma imi­­grante suíça, o diretor conta que teve a ideia de realizar o projeto quando leu o livro Suíços em Joinville – O Duplo Desterro, do pesquisador Dilney Cunha. Em visita posterior à cidade catarinense, Hakim teve a atenção atraída para dois aspectos: a influência da cultura suíça no município e o desconhecimento que muitas famílias tinham em relação à seus próprios antepassados. Por ali, entre os italianos de sobrenome Madalozzo e Veneto e os ale­­mães chamdos Schmitt e Frie­­derich, existem mais de 50 famílias helvéticas – Mueller, Meister, Mader –, que ajudaram a desenvolver os estados do Paraná e Santa Catarina. “A cultura alemã ficou muito forte aqui no Sul. Essa história esquecida dos suíços me interessou”, conta.

Durante três anos, Calixto esteve envolvido em pesquisas, captação de recursos e negociações com o governo suíço. Foram duas viagens à Europa antes de as gravações começarem. A primeira ida garantiu o patrocínio do governo suíço, que se surpreendeu com o tema. Na segunda vez que esteve por lá, Calixto es­­colheu as locações, a equipe e o elenco. Em 2009, as filmagens começaram para va­­ler. Foram dez dias de gravação internacional, no cantão (estado) Schaffhausen, que renderam imagens para aproximadamente um terço do filme. O restante foi gravado no Brasil.

Reconstituição

Uma detalhada reconstituição de época, baseada em documentos oficiais, cartas, periódicos e entrevistas com descendentes, conta a saga dos suíços que vieram para o Brasil há cerca de 150 anos. Calixto diz ter optado pelo gênero do­­cudrama (no qual atores interpretam fatos que realmente aconteceram) para ser fiel à história, mas de uma forma que fosse instigante e despertasse o interesse do público.

A convite de Calixto, o artista plástico Juarez Machado, personalidade de Joinville, faz uma participação no filme. O diretor explica que tem profunda admiração pelo artista e conta que queria captar a opinião desse catarinense sobre as influências europeias no Sul do país. O cineasta sugere que, além da saga dos imigrantes suíços, o filme mostra que “a história sempre se repete”. “Hoje, muitos brasileiros emigram para a Europa. Mas houve um tempo em que eles precisaram vir para cá. E isso fez muita diferença aqui.”

História de muitos

O roteiro acompanha a história de uma tradicional família de Schaffhausen. Da saída da Europa caótica de meados do século 19, via porto de Hamburgo, à chegada ao Brasil colonial, no porto de São Francisco do Sul, o objetivo é que essa trajetória seja ilustrativa para o caminho percorrido por inúmeros outros imigrantes de mesma origem. A história segue com a instalação dos imigrantes em Colônia Dona Francisca, hoje Joinville, com poucas perspectivas. Eles ajudaram a transformar aquelas terras, na época governada pelo cunhado de Dom Pedro II, em uma cidade. Muitos imigrantes ficaram por lá e outros tantos rumaram ao norte, para se instalar no Paraná.

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