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Amok apavora

Cartunista da Gazeta do Povo, Benett lança o livro Amok – Cabeça, Tronco e Membros, com cerca de 200 tiras do personagem que quer comer a família ao molho pesto

  • Sandro Moser
Benett em momento de reflexão: o cartunista escapou de ser o personagem na adolescência, quando trocou a pretensão pelo humor |
Benett em momento de reflexão: o cartunista escapou de ser o personagem na adolescência, quando trocou a pretensão pelo humor
 
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Amok apavora

Amok é uma palavra malaia que designa as “orgias homicidas ocasionalmente empreendidas por homens solitários da Indochina que sofreram uma perda de amor, de dinheiro ou da honra”. Desta definição, tirada de um famoso manual de picaretagem, Como a Mente Funciona, do canadense Steven Pynker, também se extrai que a patologia é “desencadeada não por um estímulo, não por um tumor, não por um jorro aleatório de substâncias químicas no cérebro, mas por uma ideia”.

Na trágica literatura médica de nossos dias é também o nome da síndrome que acomete francoatiradores que saem matando pessoas a esmo em shopping centers ou escolas.

No caso da caveirinha adolescente de moletom com gorro, protagonista das tiras do cartunista Benett publicadas na Gazeta do Povo, a síndrome se manifestou da “forma mais terrível possível”.

“Amok surgiu como um garoto que tinha sofrido bullying na escola. Tinha sido obrigado a cantar a música do Exaltasamba ou alguma coisa assim”, explica o criador.

Essa tira explicativa está, ao lado de cerca de outras duzentas, publicada no livro Amok – Cabeça, Tronco e Membros, reunião de material inédito e já publicado do personagem que sofre com a felicidade alheia, prefere brincar de serra elétrica e “cemiterinho” em vez de casinha e deseja comer os restos mortais da família ao molho pesto.

“Na verdade, a personalidade dele eu peguei um pouco do Holden Caulfield [protagonista do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger], do Trapo [de Cristovão Tezza], inspirado nessas figuras inconformadas. É quase um Calvin do mal”, afirma Benett.

Psicopata

No prefácio, o cartunista Fernando Gonsales tenta decifrar o segredo de Amok. “O traço gentil e o texto elegante do Benett transformam qualquer psicopata em algo suave. Mesmo seus assassinatos parecem quase singelos.”

O autor parece concordar. “É uma figura fácil de se identificar. Um menino caveira de gorrinho que odeia o mundo. Pensei até em fazer uma linha de fraldas para crianças com a cara dele”, brinca Benett.

O personagem surgiu em 2007, nas páginas da Gazeta do Povo. “Tudo mundo gostou de cara. Menos eu. Eu meio que o abandonei. Mas era sempre cobrado: ‘E o Amok?’ Eu o de senhava, às vezes, irregularmente”, conta.

Benett avalia que Amok é quase uma projeção do que ele acha que poderia ter sido. “Quando adolescente, eu era pretensioso pra caramba. O pessoal ouvia o Nirvana e eu ouvia bebop. Ou seja, não tinha amigo nem mulher e achava que todo mundo era idiota e eu o mais esperto do mundo”, lembra.

“Mas o humor salva. Você pode tirar sarro e não precisa sair matando todo mundo”, diz.

Segundo livro do cartunista, Benett Apavora foi lançado em 2007 pela editora Juruá. Surgiu do convite da recém- fundada Mórula Editorial, que está lançando livros de cartunistas como André Dhammer e Allan Sieber.

“Eu mandei todas as tiras que tinha e eles responderam: ‘Queremos o livro do Amok’”. Assim, de janeiro a maio deste ano, Benett se dedicou a produzir exclusivamente para o livro boa parte do material (no alto da página, duas tiras inéditas que estão no lançamento). “Fiz umas trezentas tiras. Umas duzentas eles aproveitaram. Outras já tinham saído na Gazeta e outras eram impublicáveis”, afirma.

Benett conta que, depois de enviar o material, recebeu um recado da editora: “‘Você não é realmente um psicopata, é?’ Respondi que, se eu fosse, estava desenhando personagem de tira gospel”.

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