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Murais de Poty Lazzarotto no centro de Curitiba: artista refinado e acessível, que estabeleceu uma forte conexão com a identidade visual paranaense |
Murais de Poty Lazzarotto no centro de Curitiba: artista refinado e acessível, que estabeleceu uma forte conexão com a identidade visual paranaense
Entrevista

As raridades editadas de Poty

Oswaldo Miranda (Miran), designer

Texto publicado na edição impressa de 28 de fevereiro de 2012

As raridades editadas de Poty Ampliar

Curitiba ganhará um belo presente de 319 anos no próximo dia 29 de março: uma megaexposição sobre Poty Lazzarotto, que será inaugurada na mesma data, no Museu Oscar Niemeyer. O artista, popular pelos seus painéis nas ruas da capital e que também aniversaria junto com a cidade (completaria 88 anos em 2012) terá a obra revisitada pelo designer Oswaldo Miranda, o Miran, que assina a curadoria, ou, como gosta de dizer, a “edição” da exposição. Um dos designers mais importantes do país, o reservado Miran é o criador das publicações Raposa e Gráfica, esta última considerada a melhor revista sobre design já publicada no país.

Na mostra, que ainda não tem título, será possível ver raridades como os bilhetes e cartões que Poty trocava com a mulher Célia Lazzarotto (entre eles, recados muito bem-humorados), uma versão do retrato do escritor Dalton Trevisan e séries de esboços inéditos e de desenhos “que ele fazia de forma compulsiva”, diz Miran. Além disso, o curador criou painéis gigantes com fragmentos de desenhos de Poty, que formarão um cenário no salão do museu. “O público poderá praticamente interagir com os seus piás, bondes, cavaleiros, carroças e índios da mesma forma que fazem com os seu monumentos”, explica. Confira os principais trechos da entrevista que Miran concedeu por e-mail com exclusividade para a Gazeta do Povo:

O senhor é o criador de grandes obras-primas do design gráfico. Como é “editar” um artista como Poty?

Para mim é o mais conveniente, para não ser comparado ao curador habitual. A curadoria é uma coisa complicada e muito criticada. Mas, felizmente, a diretora do MON, Estela Sandrini, me deu a oportunidade de agir como um editor, fazendo uma leitura diferencial da obra do Poty. Eu me senti honrado, é claro, pois o convite para a curadoria em que está envolvido o nome de um artista tão significativo representa confiança no meu critério e na minha trajetória como editor de imagens.

A mostra já tem nome definido?

Não posso divulgar o nome da exposição, pois ofereci um grande número de títulos para que selecionassem. Ainda não sei o resultado. Mas basta o nome “Poty” estar na frase. Já é uma atração especial.

É verdade que milhares de itens estarão expostos no MON?

Muito mais. Estamos trabalhando há quase dois meses. O MON e outros museus, como o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Muma) e a própria Fundação Cultural, já adiantaram parte da captação dos acervos para a minha seleção (o que abreviou um pouco o tempo). É como se eu estivesse escolhendo as peças a dedo, editando um livro muito especial e imenso.Também tive a oportunidade de retirar e captar muitas peças e imagens que não pareceram tão relevantes em outras mostras e ocasiões, o que demonstra que, desta vez, um outro “olhar” vai fazer a diferença.

Além dos museus, existe ajuda de familiares e colecionadores? Há uma equipe de pesquisa?

Parte do acervo do Poty levou muito tempo para ser organizado graças aos esforços do irmão, o sr. João Geraldo Lazzarotto, que é diretor da Fundação Poty. Ele montou uma equipe com restauradores, pessoas para catalogar e proteger as obras, formando um magnífico e bem cuidado inventário. Trabalho este que começou tempos atrás. Tudo isso somado aos acervos de outras entidades que comentei. O jovem designer Lucio Barbeiro (da Gazeta do Povo) é quem me ajuda no trabalho, faz os contatos e também acompanha a reprodução fotográfica das peças feitas pelo fotógrafo Juliano Sandrini. Estas reproduções são apenas para fazer a seleção, conhecer algumas obras e não tocar nos originais que seguirão para o MON.

Como a exposição será dividida?

Ela inicia com registros da infância do Poty, o desenvolvimento do seu desenho enquanto menino, os estudos durante a Escola Nacional de Belas Artes e da sua bolsa em Paris (onde ficou por dois anos). Passa também por registros com familiares e suas gravuras retratando-os, além do Poty caricaturado por amigos artistas. Haverá um pouco das gravuras, mas explico que nesta especialidade não me concentrei muito (o MON já fizera uma bela mostra). Entretanto, consegui obras inéditas e pertinentes. Os esquetes dos seus cadernos de viagens, seu trabalho de ilustração editorial, esboços e projetos dos murais e uma série de estudos para obras já publicadas ou que não fazem parte do material.

Existe alguma obra ou objeto que o senhor possa destacar?

Os estudos de ilustrações dos mais variados temas, onde conseguimos verificar o grande poder de síntese do artista Poty. Encontramos esboços raros, de quatro a seis variações da mesma situação abordada de maneira e ângulos diferentes, todas com excelente resultado gráfico (mesmo as feitas com caneta esferográfica) e com uma evidente estilização das figuras ou dos objetos, uma característica forte no seu trabalho. Os estudos simples de objetos indígenas e os registros dos movimentos de dança e caça, magníficos, resultaram nas ilustrações do famoso romance Maíra de Darcy Ribeiro. Conseguimos entalhes que Poty produziu, que são poucos, e raridades com um jovem colecionador de Curitiba, Fernando Frantz, como estudo a lápis de painel de azulejos e ilustrações famosas como a do Grande Sertão, Veredas (de Guimarães Rosa).

Chama muita atenção o fato de Poty ser um artista consagrado e acessível – temos seus murais no centro de Curitiba e também algumas gravuras à venda pela internet a preços razoáveis. Esse também é um fator curioso em sua obra?

Sim, isto é mágico. A penetração do seu trabalho, principalmente no povo paranaense, é muito forte. Claro que foram os seus trabalhos nos murais e painéis que o aproximaram do grande público. Na parte literária, onde estão as suas obras com desenhos fortes, às vezes até mais controvertidas para alguns, ganharam uma leitura mais intelectual, mais fechada aos “habitués” da leitura (risos). Eu já adorava a obra, o desenho do Poty. Estou mais fascinado ainda.

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