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Chileno, polonês e britânico são os favoritos no Festival de Berlim

Premiação acontece neste sábado (18)

  • Berlim
  • Carlos Augusto Brandão Especial para a Gazeta do Povo
Atriz transexual Daniela Vega protagoniza “Una Mujer Fantástica” | Divulgação
Atriz transexual Daniela Vega protagoniza “Una Mujer Fantástica” Divulgação
 
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A 67ª edição do Festival de Berlim anunciará neste sábado (18) os vencedores dos Ursos de Ouro e Prata, cujo júri é presidido pelo cineasta Paul Verhoeven. Embora considerando que premiações sempre pode trazer surpresas, alguns títulos lideram a bolsa de apostas para os cobiçados troféus.

Um dos mais cotados é “Una Mujer Fantástica”, do chileno Sebastián Lélio, que impactou a Berlinale na sua estreia. O filme é sobre Marina, uma transexual que convive com o repúdio da família do noivo.

Também agradaram crítica e público o thriller de humor negro “Spour”, da polonesa Agnieszka Holland, e a irônica comédia em preto e branco “The Party”, da cineasta britânica Sally Potter, que vai fundo nas alfinetadas políticas ao falar das hipocrisias dos ingleses (e de outros povos).

Embora dividindo opiniões, estão ainda no páreo: “The Other Side of Hope”, de Aki Kaurismaki, mais uma investida do cineasta finlandês no seu recorrente tema da exclusão, por sinal alinhado com o perfil político da Berlinale, que vem repudiando os maus tratos a imigrantes; e “Félicité”, do senegalês Alain Gomis, sobre a luta de uma mãe para levantar recursos e conseguir salvar seu filho que sofreu um acidente.

“Joaquim”, de Marcelo Gomes, drama histórico sobre o amadurecimento politico de Tiradentes, foi bem recebido e tem chance.

Para melhor atriz, uma das mais cotadas é a transexual Daniela Vega, que interpreta uma personagem trans em “Una Mujer Fantástica”. Seria uma escolha corajosa num festival que sai na frente na luta pela adoção da diversidade e contra o preconceito e a exclusão. Também está sendo falada Véro Tshanda Beya, a dramática personagem título de “Félicité”.

Para ator, as opiniões se dividem e os comentários giram em torno de Mircea Postelnicu, por seu papel em “Ana Mon Amour”, de Calin Peter Netzer, e o brasileiro Julio Machado, em “Joaquim”.

No mais, é aguardar a premiação, já que cabeça de júri sempre traz surpresas e pode escolher um azarão.

Romeno bem recebido

O diretor romeno Calin Peter Netzer está novamente na disputa pelo Urso de Ouro, após ter conquistado em 2013 o troféu máximo da Berlinale com “Instinto Materno”.

Ele retorna agora com “Ana, Mon Amour”, que foi bem recebido na sessão prévia para a imprensa.

O fato é que filmes romenos, cada vez mais, têm atraído muita gente nos festivais. A qualidade do cinema mais recente da Romênia, que vem sendo chamado de Onda Romena, não é mais um caso isolado, como comprovam os filmes de Radu Jude (“Aferim!”), Cristian Mungiu (“Graduation”), Cristi Puiu (“A Morte do Senhor Lazarescu”) e Corneliu Porumboiu “(Polícia, Adjetivo”), apenas para citar alguns.

O novo filme de Peter Netzer é baseado no romance de Cezar-Paul Bädescu e explora os momentos tensos da relação de um casal formado por Ana e Thomas.

Eles se conhecem na faculdade, se aproximam e iniciam uma relação amorosa que rapidamente se torna uma batalha para ambos.

Devido a problemas na infância, Ana tem frequentes ataques de pânico e Thomas assume o papel de seu protetor. Embora pareça ter o controle da relação, tempos mais tarde ele se encontra gravitando em torno de uma mulher que não consegue entender, forçando-o a um limite extremo na tentativa de salvá-la.

A revelação do filme é Mircea Postelnicu, que desempenha seu primeiro papel no cinema, depois de estrear peças em teatro.

Na coletiva após a projeção, Peter Netzer esclareceu que não quis fazer um filme-terapia porque cairia em clichês.

“Eu quis fazer um filme que discutisse sexo/religião/psiquiatria e acho que fizemos um bom trabalho. Mas o coração deste filme é o roteiro e o trabalho dos atores”, ressaltou, definindo o cerne da trama.

“‘Ana, Mon Amour’ é uma história sobre um homem que tenta descobrir o que não é visto, o que não é dito, nem mesmo o que ele pensava”, explicou o diretor, ressalvando que o filme não explora a erosão do relacionamento de Ana e Thomas.

“A história mostra a incapacidade de construir corretamente um relacionamento”, sintetizou Peter Netzer que, com “Ana, Mon Amour”, chega ao seu quarto longa-metragem depois de “Maria” (2003), “Medalha de Honra” (2009) e o premiado “Instinto Materno” (2013).

Guaranis na Berlinale

A cineasta Anna Azevedo é uma habitue do Festival de Berlim, onde por várias vezes apresentou seus trabalhos.

Nesta ótima edição do festival para o cinema brasileiro, ela apresentou seu curta “Em Busca da Terra sem Males”, selecionado para a mostra Geração.

O filme é uma obra infanto-juvenil com a proposta de mostrar o cotidiano de uma aldeia indígena.

Antes da sessão, Anna conversou com a Gazeta do Povo sobre o filme e suas muitas participações no evento.

O que representa mais uma vez lançar um trabalho seu em Berlim?

Estive na Berlinale em 2005, no Talent Campus; em 2006, concorrendo ao Berlin Today Award (BerlinBall; em 2008, com “Dreznica (Berlinale Shorts)” e, desde então, tenho vindo quase todo ano, quase sempre fazendo curadoria para festivais brasileiros. Voltar agora com filme é um momento imensamente feliz, pois a Berlinale – um dos três festivais mais importantes do mundo – foi fundamental na minha trajetória profissional, além de ser um lugar onde (re) encontro amigos.

E o que significa estrear “Em Busca da Terra sem Males” no festival?

De fato, sinto-me em casa em Berlim e nada melhor do que iniciar a carreira de um filme querido em um espaço igualmente querido, que é este festival, onde vive-se o cinema sem glamourização e sim com muita paixão, alegria, descontração. E é isso o que mais me deixa feliz em estrear na Berlinale: um lugar descontraído, onde tudo é organizado para nos sentirmos bem de estar ali.

Como você define o filme?

É um filme que observa o dia a dia das crianças da aldeia, mas temos material o suficiente para um dia, quem sabe, fazer um longa-metragem que aborda também na vida adulta.

Como foi a relação com os índios durante as filmagens?

É um documentário com procedimentos de ficção e não há entrevistas nem interferências minhas. A abordagem foi tranquila. Buscamos formas de aproximação com as crianças antes de começarmos as filmagens e, com o tempo, elas se sentiram mais à vontade.

A Geração tem um público jovem e muito engajado. Qual reação espera desse público?

Ele está sendo mostrado na competitiva Generation KPlus, cujo foco são crianças de até 14 anos. No mínimo, acho que os meninos e meninas alemães vão sentir curiosidade para saber mais sobre a vida das crianças indígenas do meu filme. Pois ao contrário da visão tradicional da vida indígena – pessoas que vivem isoladas da tecnologia – meus personagens (são Guaranis) vivem entre dois mundos: têm acesso aos mesmos videogames de uma criança alemã, mas por outro lado têm uma liberdade e vivem em contato com a terra, com os rios, com os animais de uma forma que não é comum no universo das crianças que crescem em apartamentos, por exemplo.

Qual sua principal expectativa em Berlim?

Com os meus filmes, procuro sempre conversar, bater um papo com o público. As imagens são a minha parte nessa conversa. E eu aguardo a resposta silenciosa (ou não) da plateia à conversa iniciada. Ainda bem que a arte é uma linguagem universal, assim consigo conversar com todo mundo, no Brasil, na Alemanha, no Irã... Essa é a minha única expectativa: conversar com o público de Berlim.

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