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CINEMA

Se não quiser chorar, não vá assistir a “Aliados”, com Brad Pitt e Marion Cotillard

Filme tem no roteiro de Steven Knight e na atuação de Cotillard seus maiores trunfos

  • Ricardo Sabbag
  • Especial para a Gazeta do Povo
Em “Aliados”, Brad Pitt pode estar dormindo com o inimigo. Mas como culpá-lo? | Divulgação
Em “Aliados”, Brad Pitt pode estar dormindo com o inimigo. Mas como culpá-lo? Divulgação
 
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Esqueça “Sr. e Sra. Smith”, em que Brad Pitt e Angelina Jolie, ainda casados na vida real, interpretam um casal de espiões com problemas domésticos. “Aliados” é um filme de espionagem com Brad Pitt em que sua esposa, dessa vez só no filme, também é uma espiã. Mas as semelhanças terminam aí. Dirigido por Robert Zemeckis (da série “De Volta para o Futuro”), “Aliados”, que estreia essa semana nos cinemas, é um filme mais denso e profundo que o primeiro.

A começar pelo roteiro, escrito por Steven Knight, mesmo autor dos excelentes “Senhores do Crime” e “Locke”. “Aliados” conta a história de um oficial canadense que, durante a Segunda Guerra Mundial, encontra-se com uma mulher membro da resistência francesa no Marrocos para executar um embaixador nazista. Terminada a missão, eles se casam, têm uma filha e vivem bem até que uma suspeita recai sobre a personagem de Marion Cotillard: ela pode ser uma espiã alemã infiltrada entre as forças aliadas.

A premissa é suficientemente provocativa para que o espectador fique atento ao filme até que o mistério seja resolvido. Mas há mais em “Aliados”. Especialmente na atuação envolvente de Cotillard, que interpreta uma espécie de Mata Hari moderna, permanecendo com um comportamento dúbio do início até o final (literalmente, até a cena final) do filme. Ela consegue ser necessariamente persuasiva e o tempo todo misteriosa: a personagem pode, de fato, ser uma espiã. Mas isso significa que ela não ama seu marido e sua filha?

O mistério sobre a identidade da personagem permanece vivo ao longo de toda a história. Mas esse é somente um dos artifícios usados por Knight para construir uma narrativa que envolve o espectador em um lado menos usual dos filmes de guerra: o dos oficiais das forças armadas que estão vivendo sob a tensão de um mundo em violenta transformação, mas não necessariamente estão no campo de batalha. O drama, nesse caso, é o da intimidade entre duas pessoas que não se conheceram profundamente, mas vivem juntos com seus propósitos e correm o risco de perder o pouco que conseguiram construir enquanto aguardam o tempo de paz.

Como em todo filme de guerra que se preze, há violência. E embora as lentes de Zemeckis não sejam as mais adequadas para dar o tratamento de imagem que se exigiria em um filme de alta qualidade (quisera Zemeckis ter aprendido um pouco mais com seu mestre Steven Spielberg sobre luz e textura), há cenas de ação suficientemente tensas para não deixar o espectador totalmente confortável na poltrona. Destaque para o abate de um avião inimigo nos céus de Londres que quase cai sobre a cabeça dos protagonistas.

Para os fãs do subgênero de espionagem, “Aliados” é um prato cheio. Personagens misteriosos, seções secretas do exército, técnicas de obtenção de informações e contrainformações. Tudo está lá. Mas estão, sobretudo, Marion Cotillard em uma de suas melhores aparições recentes nas telas, e Brad Pitt numa interpretação sólida. Há, também, o roteiro instigante de Knight que conta uma boa história de guerra. Não é um filme para entrar na história do gênero, mas um bom exemplar para os mais aficionados.

E um aviso: o final vai provocar lágrimas mesmo nos corações mais calejados. Recomenda-se levar um lenço.

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