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julio cortázar – 100 anos

Cortázar e o cinema

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Cortázar e o cinema

Embora admitisse que não amava o cinema de paixão, como adorava o jazz, Cortázar, morando em Paris – a cidade com mais salas de projeção por metro quadrado – ia vez ou outra ver um filme no cineminha da esquina. O Anjo Exterminador (1962) de Buñuel, foi uma exceção. Escreveu a um amigo cineasta: “É tão raro que o cinema valha para mim como uma experiência realmente profunda, como aquela que nos dá a poesia, ou o amor, e às vezes um romance ou uma pintura.”

Apesar do pouco entusiasmo do escritor pela “sétima arte,” o cinema sempre foi apaixonado por ele e o transformou num dos autores de língua espanhola mais adaptados para a tela. Já em 1952, seu conto “La Cifra Ímpar” era filmado pelo compatriota Manuel Antín. Outro argentino, Diego Sabanés, filmou, sob o título de Mentiras Piedosas, o conto “La Salud de los Enfermos”, a história de uma família que faz de tudo para ocultar a verdade. Osias Wilenski, também portenho, transpôs para a tela El Perseguidor, em 1965. Outra história curta, “Los Buenos Servicios”, inspirou Monsieur Bébé, dirigido pelo francês Claude Chabrol. “Autopista del Sur”, um relato sobre um engarrafamento apocalíptico, mereceu duas versões cinematográficas: Weekend (1967) de Jean-Luc Godard; e L’Ingorgo: Una Storia Impossibile (1979), de Luigi Comencini. Até um brasileiro entrou na dança: baseado em “Manuscrito Hallado em un Bolsillo”, Roberto Gervitz fez Jogo Subterrâneo, em 2005. Mas o grande hit da seara cortázariana foi um conto de 13 páginas passado em Paris, com a ação transplantada para Londres por um cineasta italiano: Blow Up – Depois Daquele Beijo (1966), de Michelangelo Antonioni.

Em 1980, Cortázar publicou o conto “Queremos Tanto a Glenda”: um grupo de fãs de uma estrela aposentada, Glenda Garson (inspirada em Glenda Jackson) recolhe todos os filmes da atriz e os edita em versões destinadas a eternizar a sua perfeição. Quando a atriz anuncia que vai voltar ao cinema, os fanáticos decidem matar a diva. Num depoimento que só veio à luz agora, Cortázar revela: “Se fosse cineasta me dedicaria a caçar crepúsculos. Na realidade, um só crepúsculo, mas para chegar ao crepúsculo definitivo teria de filmar 40 ou 50, pois se fosse cineasta teria as mesmas exigências que tenho com as palavras, as mulheres ou a geopolítica.”

Seria um filme notável, mas de pouca bilheteria. Nada comparável, de longe, à parábola que Antonioni teceu em Blow Up a partir da genial ficção de Cortázar em “Las Babas del Diablo”.

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