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(A partir da esq.) Loz Colbert, Andy Bell, Steve Queralt e Mark Gardener: quatro discos em oito anos |
(A partir da esq.) Loz Colbert, Andy Bell, Steve Queralt e Mark Gardener: quatro discos em oito anos
Rock

“Curto e doce, autodestrutivo e perfeito”

Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, Andy Bell (ex-Oasis) e Mark Gardener, fundadores do Ride, falam sobre a tempestuosa e prolífica carreira da banda. Disco Going Blank Again, que faz 20 anos, será relançado com DVD extra

Texto publicado na edição impressa de 15 de julho de 2012

Vá para o YouTube, procure por “Leave Them All Behind”, ouça a música e veja se você não concorda com essa mini-resenha: “é um baixo de uma ótima banda punk! Há alguns efeitos novos na guitarra! Novas ideias!” Foi com todas essas exclamações que a revista britânica New Musical Express recebeu o disco Going Blank Again, em março de 1992. O álbum era o aguardado segundo trabalho de estúdio da banda Ride, destaque na cena musical de Oxford, cidade ao nordeste de Londres. A empolgação tem duas explicações principais.

Uma é a expectativa latente que existia na época, já que o Ride, dois anos antes, havia chacoalhado a Inglaterra com Nowhere, seu primeiro disco. A segunda é o próprio álbum. Mark Gardener (guitarra e voz), Andy Bell (guitarra e voz), Steve Queralt (baixo) e Loz Colbert (bateria), em rara sintonia, colocaram em um só pacote letras incríveis, vozes harmonicamente complementares e uma parede sonora inconfundível. Este último é o maior ingrediente da cena shoegaze – que tem o My Bloody Valentine como divindade, mas sempre o Ride como exemplo.

O disco atingiu o Top 5 das paradas britânicas daquela época, confirmando o sucesso-relâmpago de uma banda “autodestrutiva” que terminaria quatro anos depois. Going Blank Again fez 20 anos em 2012 e será relançado em agosto, com um DVD da apresentação que a banda fez em março de 1992, na Brixton Academy. “Os shows ao vivo eram uma espécie de ‘agressão sonora’: o volume era importantíssimo”, lembra Andy Bell, atual guitarrista da Beady Eye e ex-baixista do Oasis. Já Gardener resume a curta carreira de uma banda que mudou a direção de parte da música britânica. “Foi uma época sensacional e maluca.” Bell e Gardener conversaram com exclusividade com a Gazeta do Povo por e-mail.

O Ride foi formado em 1988. Em meio a grupos como Talulah Gosh, The Anyways e Shake Appeal (a futura Swervedriver) a banda se destacou, criou uma legião de fãs e virou marco de um subgênero do rock. O motivo principal era a ousadia musical, já presente na gravação de seu primeiro EP, em 1990. Conta-se que o engenheiro de som, à época, disse que não podia ouvir nada de forma distinguível porque havia “muita guitarra e muito barulho”. “Ótimo, deixa como está”, teria dito Bell.

A humildade – na verdade a falta dela – também foi providencial. “Via o Ride como um grupo pop, na linha dos Beatles. Nunca entendi porque nós não continuamos a crescer depois de ‘Leave Them All Behind’”, cutuca Bell, falando sobre o single do disco. “Ninguém tinha interesse em sair de Oxford até o Ride surgir,” completa.

Para Gardener, a carreira do Ride foi na medida. “Fizemos as músicas do nosso próprio jeito e vivemos no auge da vida. Não havia como acontecer isso se fizéssemos música pensando no mainstream.” Na mesma toada, Andy Bell resume tudo de forma certeira. “Foi uma carreira curta e doce, autodestrutiva e perfeita.”

O quarteto gravou mais dois discos (Carnival of Light, lançado em 1994, e Tarantula, em 1996) e se separou logo depois, abrindo caminho para bandas como Supergrass – também de Oxford – e ajudando a definir a sonoridade até do Radiohead.

“A banda acabou porque Gardener saiu e o resto de nós sentiu que seria errado continuar sem ele,” diz Bell. Mark se justifica. “Nós não estávamos mais caminhando na mesma direção e com as mesma forças. Aquele não era mais um ambiente saudável.”

Além do emblemático Going Blank Again, a “experiência Ride” realmente deixou marcas inesquecíveis na dupla fundadora da banda. “Tenho boas e más lembranças daquele tempo. Foi realmente um período incrível em minha vida. Não tenho desejo de voltar àquela época, mas foi uma grande experiência”, diz Andy. “Sinto falta de ter 20 anos e ser um cara que faz shows com uma banda como o Ride. Mas não é tanta falta assim. Estou feliz aqui e agora”, responde Mark, citando “Here and Now”, música do disco Nowhere.

Hoje, Mark Gardener trabalha como produtor musical em seu próprio estúdio, em Oxford. Montou a quase anônima Animalhouse, e, quando é convidado, compõe e toca suas músicas em festivais pela Inglaterra. Ride, inclusive. O músico pode vir ao Brasil em breve. “Acabei de receber um convite de um empresário, então talvez logo eu vá para aí. Gostaria muito”, diz.

Já Andy Bell passou a última década como baixista do Oasis e, mesmo depois da separação dos irmãos Gallagher, continua ao lado de Liam, agora na guitarra. “Beady Eye estará de volta ao Brasil em 2013”, anuncia o britânico, que elogia o Gallagher polêmico. “Liam é um ótimo cara para se trabalhar, ele é muito talentoso como cantor e compositor – e é muito bom no violão, embora muitas pessoas não percebam isso...”

O baixista Steve Queralt mora em Londres e trabalha para uma indústria italiana de móveis. O baterista Loz Colbert continua tocando e faz turnês com The Jesus and Mary Chain, International Jetsetters e outros grupos.

E, para uma única pergunta, a resposta dos dois ex-Ride é a mesma. “A banda planeja algum tipo de reencontro? Um show, talvez?” “Não, não há nada planejado.”

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