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Grandes atores amenizam excessos de Potiche

Com Catherine Deneuve, Gérard Depardieu e Fabrice Luchini no elenco, novo longa-metragem do cineasta francês François Ozon estreia hoje em Curitiba prestando tributo à comédia de costumes televisiva

  • Folhapress
Comédia francesa com ares kitsch é repleta de diálogos e situações caricatos |
Comédia francesa com ares kitsch é repleta de diálogos e situações caricatos
 
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Ver grandes atores se comportando como crianças parece agradar o público. Talvez isso, de certa forma, legitime para o espectador um comportamento que, em outros intérpretes, poderia ser considerado caricato ou exagerado. Quem não se lembra de Fernanda Montenegro e Paulo Autran fazendo guerra de tortas? Potiche: Esposa-troféu, do francês François Ozon, que estreia hoje nos cinemas após exibições no Festival Varilux de Cinema Francês, é uma espécie de homenagem a um tipo de comédia de costumes que foi absorvida pelo humorismo televisivo. De fato, o filme parece uma versão estendida de alguma série cômica de tevê. Só faltam as risadas enlatadas.

A história se passa em 1977. Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) é a “potiche’’ do título. “Potiche’’, em francês, significa não só “vaso’’, mas também uma mulher decorativa, que existe apenas para responder “sim’’ a tudo o que o ma­­rido diz. No caso, Robert Pujol (Fabrice Luchini), um rico empresário do ramo de guarda-chuvas que comanda a fábrica com tanta aspereza e mau humor que é chamado de “Hitler’’ pelos funcionários. Robert tem um caso com a secretária e trata a esposa como um capacho. Suzanne vive a típica vida vazia da dona de casa rica: faz seu “cooper’’ matinal num bosque, escreve poesias que ninguém lê e conversa amenidades com a filha (Judith Godrèche) e o filho (Jérémie Renier).

Conto setentista

Até que uma greve de funcionários na tal fábrica leva Robert a uma crise de saúde e obriga Suzanne a assumir a direção da empresa. Como num passe de mágica, a mulher sensível, forte e sedutora renasce, contando com uma mãozinha de Babin (Gérard Depardieu), um líder sindical com quem ela teve um romance anos antes. O filme todo tem cores exageradas, muito vermelho e laranja, buscando um visual meio onírico, quase um conto de fadas setentista. Ozon abusa de músicas românticas e cafonas para realçar o clima kitsch da empreitada.

No todo, o filme não funciona. Os diálogos e situações são caricatos e sem graça. Os personagens são estereotipados, parecem feitos de cartolina. Há inúmeras cenas que não ficariam fora de lugar em um episódio de Sai de Baixo, in­­cluin­­do brigas e pessoas que desmaiam. Não poderia faltar, claro, a cena em que Suzanne e Babin dançam numa discoteca, interpretando uma coreografia que parece ter saído de Os Embalos de Sábado à Noite. Alguns podem achar divertido. Afinal, aos grandes, quase tu­­do é perdoado.

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