Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

cinema

Memórias de uma menina assassinada

Um Olhar sobre o Paraíso tropeça em clichês, mas traça um retrato delicado de uma história pessoal interrompida precocemente, a partir de um ponto de vista incomum

  • Annalice Del Vecchio
Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação, encara o papel de Susie Salmon |
Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação, encara o papel de Susie Salmon
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Quem for assistir a Um Olhar do Paraíso (veja trailer e fotos), nova produção do neozelandês Peter Jackson, não pode esperar final feliz. Afinal, a adaptação do romance Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado, de Alice Sebold, conta a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan, a Briony de Desejo e Reparação), uma menina de 14 anos que foi estuprada e assassinada por Harvey (Stanley Tucci), vizinho da família.

Os admiradores do livro, estrondoso sucesso à época de seu lançamento, em 2002, não gostaram nada deste final e de outras infidelidades cometidas por Jackson, cocriador do roteiro com Philippa Boyens e Fran Walsh, suas sócias – com quem também adaptou O Senhor dos Anéis, cuja fidelidade à trilogia de Tolkien rendeu ao diretor o respeito dos fãs do escritor.

Não porque as coisas terminem bem no final. Mas porque Jackson intercedeu por sua personagem ao modificar, de forma simplória, o destino do serial killer em uma história que, originalmente, termina sem concessão romântica: a menina morre, seus pais sofrem, mas acabam por retomar pouco a pouco suas vidas, e Harvey continua à solta por aí.

O filme é narrado de uma perspectiva incomum: quem narra é a própria Susie, que passa a acompanhar do limbo como sua família, o garoto por quem estava apaixonada e o assassino continuam suas vidas sem ela. O local, espécie de sala de espera onde a personagem se prepara para ser levada ao céu, é formado por um conjunto de paisagens que, de tão clichês, parecem retiradas de um daqueles e-mails com mensagens edificantes feitas no Powerpoint ou dos papeis de parede do Office. Uma delas, um dourado campo de trigo, remete ao local onde Susie foi assassinada.

Se o filme escorrega nos detalhes – como a previsível cena em que, pouco antes de ser morta, a menina corre atrás de um bilhete que, com a ventania, vai parar nos pés de seu algoz –, seduz pelo modo delicado com que desvela os sentimentos dos personagens como, por exemplo, o ressentimento de Susie ao ver na terra o que não terá mais a chance de viver: a irmã crescendo, namorando e, por fim, engravidando.

Outras questões surgem com o assassinato: a obsessão de Jack (Mark Wahlberg), pai de Susie, em achar o culpado perturba a esposa Abigail (Rachel Weisz), que reage de modo passivo à tragédia. Se, no livro, ela têm um caso com o detetive que investiga o assassinato, no filme, ela apenas sai de cena em boa parte da trama, deixando no lugar sua mãe, a desbocada Lynn (Susan Sarandon, em grande interpretação), com que não se entende. Por fim, Stanley Tucci, que concorre ao Oscar de melhor ator coadjuvante, dá profundidade ao odioso, mas problemático, serial killer. GG1/2

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Caderno G

PUBLICIDADE