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O escritório que Wilson Martins usava em sua casa: rotina disciplinada de leituras e apego à máquina de escrever |
O escritório que Wilson Martins usava em sua casa: rotina disciplinada de leituras e apego à máquina de escrever
Cinema

O afável senhor das letras

Estreia na próxima sexta-feira, no Museu Oscar Niemeyer, o documentário Wilson Martins – A Consciência da Crítica, que levou dez anos para ficar pronto

Texto publicado na edição impressa de 05 de fevereiro de 2012

O afável senhor das letras Ampliar

Há exatos dois anos e seis dias, o Brasil perdia um de seus grandes críticos literários: o paulista naturalizado curitibano Wilson Martins, morto em janeiro de 2010, aos 88 anos. Pensador da cultura brasileira de posições firmes, por vezes polêmicas, ele dividiu opiniões, mas deixou ao país um legado inestimável de reflexões sobre nossa produção intelectual, construído ao longo de mais de meio século de uma disciplinada rotina de leituras diárias.

Em homenagem a esse homem apaixonado pelas letras, que por muitos anos foi colunista da Gazeta do Povo, o cineasta piauiense Douglas Machado realizou o documentário Wilson Martins – A Consciência da Crítica, que fará sua estreia na próxima sexta-feira, dia 10 de fevereiro, no Museu Oscar Niemeyer (MON).

Mas não foi a morte de Martins que motivou o diretor a fazer o filme. O projeto nasceu oito anos antes, quando Machado preparava o documentário H. Dobal – Um Homem Particular, sobre o poeta do Piauí muito admirado pelo crítico. Por meio de seu irmão, o jornalista Marden Machado, que há 20 anos vive em Curitiba, marcou uma entrevista. E o encantamento de Douglas e Marden com o senhor que os recebeu em seu apartamento à Avenida João Gualberto, no bairro Juvevê, fez com que ali nascesse o desejo de transformá-lo em protagonista de um filme inteiro dedicado a ele, também a ser inserido na série Literatura: Brasil (leia quadro nesta página), focada em nomes das letras nacionais.

Wilson Martins – A Consciência da Crítica, cuja direção de produção é assinada por Gardênia Cury, teve como base e ponto de partida uma longa entrevista gravada com Wilson Martins, em 2002. Os irmãos Machado contaram que, embora soubessem da enorme importância de Martins e de sua obra, não a conheciam tão a fundo. Recorreram, então, ao escritor, crítico e também colunista da Gazeta do Povo Miguel Sanches Neto, que serviu como uma espécie de guia interlocutor dessa entrevista e do projeto como um todo.

Nos anos seguintes, foram promovidos novos encontros com Martins e entrevistas que ajudaram Douglas e Marden, também produtor associado do filme, a alinhavar o que eles chamam de “tecido de memórias” sobre a trajetória do crítico, que jamais abandonou a máquina de escrever e desconfiava dos computadores.

Além de Sanches Neto, foram ouvidos os escritores Moacyr Scliar, Luiz Antonio de Assis Brasil, Affonso Romano de Sant’anna e um dos ex-alunos de Wilson Martins na New York University, onde o crítico lecionara por três décadas, entre os anos 1960 e 1990: o hoje professor Kenneth Krabbenhoft. Também são fontes importantes os jornalistas José Carlos Fernandes, da Gazeta do Povo, e Márcio Renato dos Santos, também escritor.

Indagado se o contato pessoal com o autor da monumental coleção História da Inteligência Brasileira havia, de alguma forma, alterado a percepção que tinha de Martins, Douglas é enfático. Já no primeiro contato, ficou desconsertado com a forma calorosa e inusitada com que o crítico o recebeu: “Não é todo dia que um cineasta piauiense bate à minha porta”.

Logo caiu por terra a ideia preconcebida, construída a partir da leitura dos textos densos de Martins, de que enfrentariam um intelectual sisudo e erudito, pouco afeito a bate-papos. “Nos deparamos com um homem extremamente afável, educado e gentil”, diz o cineasta.

Partidário

O poeta Affonso Romano de Sant’anna afirma no documentário que talvez seja inédito no mundo o incansável trabalho de Martins de não apenas escrever por décadas sobre os livros publicados no país, mas também de inseri-los em um fluxo histórico e social maior e mais complexo. Apesar de reverenciado por muitos, o crítico também teve seus muitos detratores ao longo da vida. Douglas disse que, como seu documentário não tem cunho jornalístico, ele preferiu manter-se fiel à linha autoral adotada em todos os filmes que integram a série Literatura: Brasil: “Sou partidário do escritor que escolhi”.

Com Martins, o cineasta diz ter aprendido, sobretudo, a importância de “não passar recibo”. No próprio documentário, o crítico afirma, em uma das entrevistas, que sempre buscou manter um distanciamento das reações positivas ou negativas que seus textos pudessem provocar – e, de fato, causavam. E, em um dos seus depoimentos mais marcantes, diz que já havia escrito críticas positivas sobre livros de escritores de quem pessoalmente não gostava muito, e tinha apontado defeitos nas obras de autores de quem era amigo. Ossos de um ofício de fé.

Serviço:Wilson Martins – A Consciência da Crítica. Direção de Douglas Machado. Dia 10 de fevereiro, às 20 horas, no Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999, Centro Cívico), (41) 3350-4400.

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