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Sobre a MPB e a Música Pop Brasileira

Fenômenos de consumo de massa no Brasil, novos artistas transitam entre o pop e o popular e causam discussões sobre o real significado desses termos nos dias de hoje

Paula Fernandes recentemente gravou uma música com Taylor Swift: pop ou popular? |
Paula Fernandes recentemente gravou uma música com Taylor Swift: pop ou popular?
 
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Sobre a MPB e a Música Pop Brasileira

Encaixotar bandas e artistas em nichos musicais sempre foi um dos esportes favoritos de jornalistas e palpiteiros. Os termos são inúmeros, compostos, prolixos e por vezes muito específicos ou, ao contrário, abrangentes demais. No Brasil, para dizer se uma banda é assim ou assado, leva-se em conta o estilo da música, mas também a classe social que consome determinado artista, bem como simbolismos históricos de expressões já cristalizadas, como “Música Popular Brasileira”.

Entretanto, fenômenos como Michel Teló e Paula Fernandes – para ficar na recorrência – estão embaralhando essas denominações. Pois uma música repetitiva e fácil, portanto, consegue ser ao mesmo tempo pop – toca nas rádios e foi abraçada pelo que restou da indústria fonográfica – e popular, já que atinge as grandes massas e reverbera mundo afora. Mas, afinal, ainda há diferenças entre esses termos? O que é pop? O que é popular?

“O pop no Brasil começou com o tropicalismo. Eles se apropriaram da cultura popular para fazer música jovem, contemporânea”, diz a jornalista Patrícia Palumbo, especializada em música brasileira, apresentadora do programa Vozes do Brasil e colunista do jornal O Estado de S. Paulo. Popular, para ela, é o gênero que cai nas graças das rádios, “o que a massa consome”. “Mas vale dizer que todo artista, pop ou não, quer ser popular”, reitera.

Mais por menos

Cabe uma outra reflexão sobre o termo “popular”. É válido lembrar que a expressão, no Brasil, também está historicamente ligada a manifestações musicais folclóricas e religiosas – pense em ritmos regionais como maracatu, frevo ou mesmo no cordel. E, ainda, está algemada a algumas correntes academicistas, que veem em símbolos nacionais como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque a expressão máxima – e talvez definitiva – da MPB.

O músico e compositor paulista Romulo Fróes, muitas vezes incluído no rótulo Nova MPB, diz que em algum momento se perdeu a noção de que uma música sofisticada pode também ser popular. “Exemplos dessa junção não faltam na história da música brasileira: Braguinha, Carmen Miranda, Orlando Silva, Noel Rosa, Tom Jobim, Roberto Carlos, Luiz Gonzaga, para ficar em poucos. Essa distorção foi criada pela indústria musical, a partir da lógica instaurada sobretudo nos anos 1990 do muito mais (vendas), por muito menos (tempo)”, diz Fróes, que tem opinião bem clara sobre o que é pop hoje. “Sendo o pop por definição a música que se desenvolve dentro e a partir da indústria do entretenimento, no Brasil, hoje, pop é o chamado movimento sertanejo universitário.”

Para Fróes, o termo pop – abreviação de popular, ora – foi criado por Andy Warhol para dar conta da arte “que lida com a indústria do entretenimento”. Os Beatles, segundo o músico, foram o suporte definitivo dentro do universo musical. Mas haveria espaço para uma suposta Música Pop Brasileira, nos moldes da consagrada MPB?

“Há espaço pra toda e qualquer forma musical. O que acontece é que o protagonismo desse ou daquele artista ou estilo muda com o tempo. A grande riqueza da internet é justamente nos dar acesso a toda a música produzida em qualquer lugar do mundo em qualquer tempo na hora que desejarmos, sem precisarmos aceitar o protagonista da vez”, diz Fróes.

Preconceito

Em um interessante insight, Plínio Profeta, produtor vencedor do Grammy Latino com o disco Falange Canibal, (2001), de Lenine, afirma que o termo pop ignora gêneros populares. “Pop é sinônimo de música para massa, mas aqui no Brasil, principalmente no eixo Rio-São Paulo – que se autointitula a elite cultural do país – parece que a escolha foi de camuflar alguns gêneros populares como o tecno-brega, o axé, o funk carioca e mesmo o sertanejo.”

O fator classe social volta à discussão. Plínio afirma que há um preconceito da elite, e diz que há 30 anos os termos “pop” e “popular” eram mais conectados. “Todos esses gêneros são verdadeiros fenômenos de massa, mas não são aceitos pela elite. Cai na questão do preconceito. Quando nos anos 1980 a música popular do Brasil era feita por jovens bonitos e abastados como Lulu Santos, Kid Abelha etc., os termos se uniam.”

O que não suscita dúvidas, apesar da neblina que paira sobre as definições da música brasileira atual, é a qualidade do que é produzido. Voltando ao caso Teló, Plínio diz que o paranaense, sim, é um exemplo de artista que conseguiu ser ao mesmo tempo pop e popular – mas isso não quer dizer lá muita coisa, apesar de todo o barulho.

“Michel Teló é popular e faz musica pop. Mas, pessoalmente, não presto atenção. Eu recebo vários CDs pelo correio e se recebesse Michel não acharia extraordinário. Não é porque fez sucesso que vou começar a achar incrível.”

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