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Cena de “Derek”, série disponível na Netflix | Divulgação/
Cena de “Derek”, série disponível na Netflix| Foto: Divulgação/

Ah, o fim de ano. Ceias de Natal. Piadas de ceia de Natal. Reclamações sobre piadas de ceia de Natal. Resoluções de Ano Novo. Ceticismo sobre resoluções de Ano Novo. Nós já vimos de tudo, e se não há nada novo sob o sol, existem maneiras de aproveitar os últimos momentos desse período para embalar as reflexões de fim de ano — não adianta se fingir de indiferente, eu sei que você as faz.

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Se, por outro lado, esse momento de festas definitivamente não agrada, a lista pode ajudar a entreter. Esta não é uma seleção de filmes natalinos, e os dez itens aqui mencionados se encaixam com o período em questão de maneiras distintas, umas mais subjetivas do que outras. Na mais rasa das possibilidades, são bons filmes e séries.

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1. “Derek” (Série, 2012-2014)

Ricky Gervais se consagrou com personagens um tanto rancorosos, ou simplesmente insuportáveis, como em “Extras” e “The Office” — antes de Michael Scott e companhia, seu David Brent era responsável por constranger diariamente os próprios funcionários. Dessa vez, no entanto, Gervais toma o caminho inverso, explicitamente apelativo de interpretar Derek, um rapaz mentalmente atrasado de 50 anos que trabalha em um asilo. Embora sobrem motivos para desconfiar da pieguice – tem até Coldplay na trilha sonora –, a série, uma comédia, não deixa de ser realmente bonita. Como sempre, o inglês não perdeu a mão ao construir contextos desconfortáveis e personagens irritantes porém divertidos. Se você deixou o espírito natalino te encostar, ou procura inspirações para o próximo ano, vá fundo.

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2. “Como Enlouquecer Seu Chefe” (“Office Space”, 1999)

“Desde que comecei a trabalhar, cada dia tem sido pior que o anterior. Isso significa que todo dia em que você me encontra, eu estou no pior dia da minha vida”. “Como Enlouquecer Seu Chefe”, tradução questionável de “Office Space”, fez-se um ícone sobre largar os bets. Parente moral de “O Grande Lebowski”, o filme acompanha um ordinário empregado completamente insatisfeito com a monotonia de seu trabalho em escritório. A comédia rendeu cenas icônicas e personagens marcantes, encaixando-se muito bem com o período em que costumamos repensar a vida com um pouco mais de coragem. Como bônus, também é uma das atuações mais fora do padrão de Jennifer Aniston.

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3. “Distrito 9” (2009)

O período de Natal e Ano Novo é famoso pelo pensamento em renovações, e “Distrito 9”, do sul-africano Neill Blomkamp, pode servir para isso – ao menos para ele. Uma espécie de Robinho da ficção científica, fica difícil determinar até que ponto seu potencial estacionou no início de carreira. Assim como o atacante brasileiro, é quase sempre impossível deixar de acreditar em Blomkamp, diretor do excelente “Distrito 9” (2009), um dos melhores filmes sci-fi contemporâneos. “Elysium” (2013), por exemplo, passa longe do desastre, mas não deixa de ser decepcionante – exatamente como Robinho na seleção brasileira. Por sua vez, “Chappie” (2015) é medonho, e completa uma trilogia de queda livre do sul-africano, quase como a especulação anual de que Robinho voltará ao Santos, insatisfeito onde quer que esteja. Nada apaga o brilho do Brasileirão 2002, digo, do “Distrito 9”, e assisti-lo possibilita uma visão alegórica e incrivelmente imersiva de vários problemas sociais por meio de alienígenas que vivem em meio aos humanos de Joanesburgo.

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4. “Feitiço do Tempo” (“Groundhog Day”, 1993)

A premissa é simples: e se você acordasse sempre no mesmo dia? Bill Murray voa baixo em um dos filmes que mais bem simboliza qualquer evolução pessoal. Longe de parecer um livro de autoajuda, no entanto, “Feitiço do Tempo” é tão divertido quanto imaginativo, dificilmente deixando o espectador indiferente no que tange às próprias possibilidades. Assisti-lo ou reassisti-lo no fim do ano é propício como uma marmota no Dia da Marmota, isto é, o “Groundhog Day”.

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5. “Rocky” (1976)

“Creed” estreia no Brasil em janeiro. O filme acompanha Adonis Johnson, filho de Apollo Creed, antigo rival, parceiro e treinador de Rocky Balboa. O título tem sido muito bem recebido, e trouxe a renovação que a franquia de Sylvester Stallone havia buscado com o último retrato do personagem, “Rocky Balboa” (2006). Reassistir “Rocky”, portanto, corresponde a um rito de preparo (e empolgação) para “Creed”. Quem nunca viu pode aproveitar a oportunidade para cair num vórtice e idolatrar toda a série de filmes do boxeador fictício mais famoso do planeta. Na terceira via, para aqueles que simplesmente se animam com Projeto Verão, nada mais propício do que derrubar lágrimas de endorfina com as corridas de Stallone e a trilha sonora homérica de Bill Conti.

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6. “Black Mirror” (Série, 2011)

O inglês Charlie Brooker passou décadas observando o papel de diferentes mídias até a concepção de “Black Mirror”. Com o cinismo devidamente aperfeiçoado, escreveu todos os episódios de um seriado sem enredo fixo — em comum, as tramas envolvem o mau uso da tecnologia em possíveis futuros. A eficácia da série, todavia, não ocorre por um eventual pessimismo em relação à tecnologia: de luditas e saudosistas o mundo está cheio. Os roteiros reconhecem os próprios exageros rocambolescos, levando o drama com certa comicidade que, aliada às observações astutas sobre a sociedade, geram um produto final marcante. Um seriado adequado para Natal e Ano Novo porque, afinal, adequa-se a qualquer momento dos últimos e próximos anos. Além disso, faz você olhar para o “espelho preto” do celular novo e considerar até que ponto isso tudo vale a pena. Assista antes que produzam uma adaptação americana.

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7. “Archer” (Série, 2009)

Onde foi parar todo o humor dos antigos filmes de 007? Em “Archer”, e com sobras. Archer, no caso, é um espião e alcoólatra de alto funcionamento que trabalha para a própria mãe, dona de uma agência privada de espionagem. Bastante direcionada ao público adulto – os temas sexuais e alcoólicos não deixam mentir –, a animação resgata a irreverência abandonada pelos atuais James Bond, tomando-a em um ritmo tipicamente contemporâneo. As piadas elaboradas se juntam a trocadilhos bobos e anacronismos intencionais na comédia cujos personagens apresentam canalhice proporcional ao carisma. Se você se empolgou com o novo 007 e quer ver tudo que envolvem espionagem, eis seu alívio cômico. Se, pelo contrário, você detesta os recentes filmes de James Bond, ou mesmo qualquer temática espiã, a comicidade ainda virá, pois a criação de Adam Reed já apresenta seis temporadas de humor qualificado.

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8. “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999)

Uma mãe perde o filho de 17 anos logo no início da trama. Após a morte do primogênito, ela decide ir atrás do pai que ele nunca conheceu. Se o enredo parece forte – digo, ele é forte, mas se parece pesado demais –, a abordagem de Almodóvar permite trafegar com naturalidade entre o drama caricato de novela e questões (pesadas) de identidade. O filme dialoga com as antíteses individuais de cada um e, mais do que qualquer outro item desta lista, oferece uma imersão amável a quem tem utilizado o fim de ano para olhar fundo para dentro de si.

Robert Trachtenberg/Divulgação

9. “Hannibal” (Série, 2013-2015)

A ceia de Natal do Dr. Hannibal Lecter pode não oferecer a carne favorita de ninguém, mas continua belíssima. Tão bela, mas tão bela que, na verdade, nenhum seriado desperta tanta fome quanto o mais canibal da ficção. Se o personagem criado por Thomas Harris vinha em baixa – o último filme a adaptá-lo foi o fraco “Hannibal: A Origem do Mal” (2007) – a releitura televisiva de “Hannibal” foi brilhante. Das imagens calculadamente saturadas à trilha sonora estarrecedora, a série se consolidou como a melhor esquisitice da televisão americana. Vale a pena ser vista porque, afinal, a narrativa é eficiente, os atores são ótimos e tudo é visualmente incrível: um ponto fora da curva. Recentemente cancelada por falta de audiência, não envelhecerá facilmente.

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10. “De Volta ao Jogo” (“John Wick”, 2014)

Ressurreição, novas metas, ressignificação: se algum personagem simboliza o fim de ano (incluindo aí assassinatos por aluguel, chacinas e tiros silenciosos) é John Wick, interpretado com acurácia por Keanu Reeves (!). Extremamente prático em seu ponto de partida – um ex-matador de aluguel retorna às atividades forçosamente após a morte da esposa –, o filme se destaca pelas cenas de ação. Isso chega a ser irônico, pois pouquíssimos filmes americanos do gênero, hoje, notabilizam-se por suas sequências de pancadaria e etc — há tantos cortes apressados, explosões irrelevantes e barulhos desnecessários. “De Volta ao Jogo” é uma exceção, e fez por merecer uma sequência não planejada, mas já confirmada.

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