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perigo no parque

Abandono do Parque Marumbi faz acidentes dispararem na Serra do Mar

Cerca de 40 voluntários querem ajudar nos atendimentos, mas burocracia impede atuação

  • Jadson André, Tribuna do Paraná
Grupo Cosmo reunia voluntários para atender  ocorrências no parque — mas parceria se encerrou há seis anos | Lineu Filho/Tribuna do Paraná
Grupo Cosmo reunia voluntários para atender ocorrências no parque — mas parceria se encerrou há seis anos Lineu Filho/Tribuna do Paraná
 
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Um dos pontos mais famosos da Serra do Mar, o Parque do Pico do Marumbi está abandonado. Quem visita a maior unidade de conservação aberta ao público do Paraná para se aventurar em suas trilhas encontra pouco suporte e quase nenhuma orientação. Não há guias preparados indicando os melhores caminhos para que os visitantes não desapareçam na mata ou agindo na prevenção de acidentes.

A manutenção das trilhas também está precária, com correntes e outros equipamentos de apoio desgastados e oferecendo risco. De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão responsável pela administração do parque, apenas dois funcionários permanecem no local: um no controle de entrada pela estrada e o outro na Estação Marumbi, fazendo o cadastro dos visitantes que lá se apresentam. Não por acaso, o número de ocorrências disparou.

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Segundo dados do Corpo de Bombeiros, somente nestes primeiros meses de 2018, foram oito casos: seis pessoas ficaram feridas em acidentes no parque e outras duas precisaram ser resgatadas após se perderem. Isso significa que, somente nesse trimestre, já foram realizados mais da metade de todas as ocorrências feitas em 2017, quando os bombeiros atenderam nove pessoas feridas — a maioria após sofrer algum tipo de queda — e resgatou outras quatro.

O último acidente aconteceu no domingo (18). Duas mulheres, de 46 e 27 anos, sofreram queda nas proximidades da Estação Marumbi. A mais velha teve traumatismo craniano e fratura no nariz, enquanto a outra apenas torceu o pé. A visitante que ficou em estado mais grave foi socorrida pelos bombeiros do 8.º Grupamento e encaminhada pelo helicóptero do Batalhão de Operações Aéreas da Polícia Militar ao hospital. Segundo familiares, ela recebeu alta após passar por procedimentos médicos e se recupera em casa.

Dificuldade de atendimento

Diante dessa falta de estrutura, o próprio atendimento do Corpo de Bombeiros acaba comprometido. Em caso de acidente e nas situações de pessoas perdidas na mata, é necessário acionar o posto mais próximo, que fica em Morretes. O problema é que, para chegar até a Estação Marumbi, as equipes precisam seguir por cerca de 40 minutos em uma estrada acidentada e que exige deslocamento com veículo tracionado. Caso a vítima esteja em alguma trilha ou cume distante da estação, o tempo para o primeiro socorro pode aumentar ainda mais.

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Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Para tentar ajudar na questão, um grupo de guias e socorristas voluntários passou anos ajudando os visitantes do Parque do Pico Marumbi. Fundado em 1996, o Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) ajudava com suporte, orientação e pronto atendimento em casos de resgate de feridos ou perdidos no parque. Eram cerca de 40 voluntários, entre escaladores, médicos e socorristas, que tinham autorização do IAP para atuar na área.

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Contudo, a parceria se encerrou em 2012, quando obras na estação tiraram a sede do Cosmo e dificultou a ação dos voluntários . Em 2015, o governador Beto Richa assinou novamente o termo de cooperação com o Cosmo, mas entraves administrativos no IAP, que se arrastam há três anos, continuam impedindo que o grupo volte a atuar no Marumbi.

O resultado foi mais trabalho para os bombeiros. Em 2012, por exemplo, último ano em que o Cosmo atuou efetivamente no Parque Marumbi, a corporação precisou fazer apenas cinco atendimentos na região, com quatro pessoas feridas — praticamente um terço dos atendimentos realizados em 2017 e menos ainda que os atendimentos destes três primeiros meses de 2018.

Demora na parceria

Para os antigos membros do Cosmo, retomar a parceria ajudaria a evitar novas ocorrências no parque.“Acidentes acontecem e não é a presença do Cosmo no morro que vai impedir isso. Mas podemos atuar no trabalho de prevenção. Fazíamos manejo nas trilhas, resgates e orientação dos visitantes, tudo de forma voluntária”, explica o biólogo Alexandre Lorenzetto, coordenador geral do grupo e integrante da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Médico do Siate há 20 anos e membro da comissão técnica do Cosmo, Marcos Chesi também critica a morosidade do Estado. “Somos um grupo especializado, com gente que escalou até o Monte Everest. Somando comigo, somos cinco médicos voluntários, mais do que em muito posto de saúde. É patético não termos condições de atuação no Marumbi por causa de um imbróglio burocrático”, afirmou Chesi. “A direção do parque fica nos enrolando. É como se uma empresa recusasse ter quase 40 funcionários, altamente preparados, com força de vontade e trabalhando de graça pra manter o Marumbi mais seguro”, desabafou.

O IAP reconheceu a demora para homologação do termo de cooperação, que dá condições para que o Cosmo volte atuar no parque, mas garantiu que isso deve acontecer em breve. “Temos todo o interesse em ter os voluntários ajudando no parque. A atuação deles é muito importante. Na última vez que consultei, o termo técnico estava em nosso setor financeiro. Acredito que em pouco tempo os últimos ajustes serão finalizados, mas nada que comprometa a essência do acordo”, afirmou Maria do Rocio Lacerda Rocha, chefe do Departamento de Unidades de Conservação do IAP. “Temos dois funcionários lá e o gerente do parque que tem muita experiência e sempre costuma estar na região. Os bombeiros também nos dão total apoio”, comentou Maria do Rocio.

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