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Alex Silva Sousa em sua pousada, agora vazia: esperança de novas obras na Repar |
Alex Silva Sousa em sua pousada, agora vazia: esperança de novas obras na Repar
desenvolvimento

Araucária vive a “ressaca” da Repar

Pousadas vazias e barateamento do aluguel de grandes imóveis refletem o fim das obras na refinaria, que chegaram a mobilizar 22 mil trabalhadores

Texto publicado na edição impressa de 06 de julho de 2012

Após experimentar um período de grande crescimento, impulsionado pelo investimento de cerca de R$ 10 bilhões na ampliação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Araucária vive agora um momento de desaceleração em alguns setores da economia com a proximidade do fim das obras.

Além do comércio e do setor de serviços, que se reestruturaram para receber milhares de trabalhadores vindos de outras cidades, o impacto do “esvaziamento” é sentido com mais força na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) e no emprego formal, cujo saldo entre contratações e demissões está negativo desde o ano passado.

No auge das obras, em 2010, a Repar mobilizou, simultaneamente, 22 mil trabalhadores. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o maior número de contratações em Araucária foi registrado justamente naquele ano, quando foram abertos 7.755 postos de trabalho, 4.778 só na construção civil. Em 2011, no entanto, Araucária fechou o ano com o saldo de contratações e demissões negativo, com 442 vagas fechadas, passando da posição da quarta cidade que mais contratou em 2010, para a terceira que mais demitiu.

Dados do Caged atualizados até maio deste ano mostram que o número de demissões continua superando as contratações – o mercado formal perdeu 1.196 postos em cinco meses –, principalmente em razão das demissões na construção civil e no setor de serviços, que refletem o fim das obras na refinaria.

Para Gilmar Mendes Lourenço, presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a mão de obra local dispensada pela Repar deve ser absorvida por outras obras de infraestrutura no estado e pela própria construção civil. “O número de pessoas que ficarão desempregadas é pequeno, sobretudo porque o mercado de trabalho em Curitiba e na região metropolitana continua bastante aquecido”, avalia.

Arrecadação cai

Segundo a Secretaria de Planejamento de Araucária, durante o auge das obras a arrecadação de ISS do município praticamente triplicou, atingindo a marca de R$ 100 milhões em 2010 e R$ 107 milhões em 2011. “Em 2012 devemos chegar a R$ 50 milhões, no máximo, e a tendência é que a arrecadação caia gradativamente para R$ 35 milhões, volume obtido no período anterior às obras”, projeta Leonardo Brusamolin Junior, secretário de Planejamento do município.

Um dos setores que mais sofre com o fim das obras e a dispersão dos trabalhadores da Repar é o de serviços, especialmente pousadas e hotéis de pequeno porte. Segundo Arlindo, proprietário da Imobiliária Odppis, de Araucária, empreendimentos com esse perfil foram os mais procurados para alojar os trabalhadores que vieram de outras cidades, mas agora enfrentam o problema da falta de hóspedes.

Serviços de alimentação e o comércio em geral também registraram redução nas atividades. “Quem investiu tardiamente e sem nenhum planejamento, de olho apenas no contingente de trabalhadores das obras da Repar, agora terá dificuldades para viabilizar o negócio”, afirma Brusamolin Junior.

Entre 2010 e 2011, o aluguel de um imóvel com potencial para virar pousada, por exemplo, saltou de R$ 1,5 mil para R$ 3 mil. “A supervalorização no preço dos imóveis maiores acabou elevando também o valor dos demais, mas a queda na demanda já provocou o recuo dos preços, que estão novamente compatíveis com o mercado do município”, diz o secretário. O segmento de compra e venda de imóveis não sofreu influência das obras na refinaria.

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