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Classe emergente move o Condor

Assédio de compradores diminuiu, diz Zonta: “Talvez porque saibam que a resposta é não” |
Assédio de compradores diminuiu, diz Zonta: “Talvez porque saibam que a resposta é não”
 
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No fim da década de 90, o empresário Pedro Joanir Zonta passou várias noites sem dormir. Em meio ao assédio de grandes grupos, que compravam várias redes locais, como Mercadorama e Parati, ele estava em uma encruzilhada. Ou vendia a rede ou modernizava a operação – mas, para esta opção, precisaria de capital. Optou pelo segundo caminho e, pouco mais de uma década depois, o Condor cresce a taxas anuais próximas de 20%. A empresa deve encerrar este ano com 35 lojas e se prepara para romper, até 2016, a barreira dos R$ 4 bilhões em faturamento. Até lá, pretende fazer sua estreia fora do estado – interior de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão na mira.

Mesmo com a economia andando devagar, o empresário diz que as vendas vão bem, boa parte devido ao apetite da nova classe C. “As pessoas não compram mais só a cesta básica. É a vez dos congelados, dos produtos mais caros. Em vez do suco em pó, o suco pronto. Houve uma sofisticação do consumo”, diz ele.

Menos assédio

O assédio para vender a empresa diminuiu, segundo Zonta. “Talvez porque saibam que a resposta é não”, diz ele. O varejo sempre foi terreno cobiçado por grandes grupos e de disputas acirradas, como a protagonizada entre o Pão de Açúcar e seu sócio francês Casino. O setor de supermercados viveu uma onda de fusões e aquisições na última década, mas, segundo a consultoria AT Kearney, não deve atrair novos investimentos estrangeiros nos próximos anos. O motivo é que, depois de irem às compras nos últimos anos, as redes internacionais já estabelecidas aqui estão na fase de arrumar a casa e não devem fazer novas aquisições.

As redes regionais vêm achando um caminho para concorrer. “Hoje competimos de igual para igual com as grandes redes”, costuma dizer Zonta, que disputa, com o grupo Muffato, o posto de maior rede paranaense do setor.

Segundo ele, o grande varejo se beneficia do ticket relativamente baixo dos produtos, o que ajuda a explicar porque as vendas ainda não foram afetadas pelo desaquecimento da economia. “Os preços dos produtos são mais baixos e as parcelas, menores do que as pagas em financiamentos maiores, de automóveis, por exemplo. Além disso, o aumento do salário mínimo ajuda. E agora vemos que muitas pessoas da classe C estão indo para a classe B. Esse movimento favorece as vendas do varejo”, diz o empresário.

Investimentos

Neste ano o grupo está investindo R$ 120 milhões – 20% mais que em 2011 – na abertura de novas lojas e na compra de terrenos. Neste mês, inaugurou a primeira loja em Pinhais, com investimentos de R$ 30 milhões. Na sequência serão abertas uma loja no bairro Campo Comprido, em Curitiba, e outra em Paranaguá – ela substituirá a atual, no centro da cidade, que funciona em local alugado. O faturamento no ano deve ficar em R$ 2,5 bilhões.

Câmbio preocupa

Mas se o consumo mantém o fôlego e não preocupa o varejo, o câmbio começa a incomodar. “O dólar a R$ 2,05 é preocupante”, diz. O aumento da cotação do dólar deve pressionar preços. “A previsão é de que a cotação diminua até o fim do ano, mas já fizemos a maior parte das compras de importados para o Natal”, diz. Mas o repasse de preços, porém, não é tão simples: “Até porque o meu concorrente pode colocar um preço menor e aí eu terei que baixar”.

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