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Cinema

De olho na limpeza dos óculos 3D

Projeto na Câmara obriga a esterilizar e embalar os objetos individualmente. Médicos comemoram, mas redes acham “desnecessário”

  • Alexandre Costa Nascimento - Colaborou Taysa Dias
Flávia Villela, do Imax Palladium, diz que com o processo atual ninguém toca nas lentes dos óculos |
Flávia Villela, do Imax Palladium, diz que com o processo atual ninguém toca nas lentes dos óculos
 
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A popularização dos filmes em terceira dimensão (3D) nos cinemas exige cuidados especiais do consumidor com os óculos usados nesse tipo de exibição. A possibilidade de transmissão de doenças infecto-contagiosas por meio dos óculos compartilhados entre uma sessão e outra exige um rigoroso processo de higienização desses itens.

Um projeto que tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo – não precisa ser votado pelo plenário para poder virar lei – quer obrigar as redes de cinema a higienizar e embalar os óculos utilizados pelo público nas sessões. Pela proposta, os óculos deverão ser esterilizados e embalados em plástico com fechamento a vácuo. A lei estabelece sanções para os cinemas que descumprirem a regra, que vão de advertência a multa de R$ 500, mais R$ 50 por dia de descumprimento após a notificação.

Médicos oftalmologistas aprovam a iniciativa, mas redes de cinema consideram o projeto de lei “desnecessário”. As principais empresas que exibem filmes em 3D no Paraná garantem já fazer a higienização dos óculos, embora o processo empregado pela maioria não atenda às especificações previstas no projeto.

Segundo a analista de marketing do Imax Palladium, Flávia Villela, a rede faz a esterilização de todos os óculos entre uma sessão e outra com o uso de uma máquina importada. “Após o uso, os óculos passam por dois ciclos de lavagem de alta pressão e alta temperatura, com o uso de detergentes especiais e bactericidas. O processo é todo automatizado e ninguém toca nas lentes. Da máquina, eles vão para uma bandeja e são entregues aos clientes por funcionários que usam luvas descartáveis. Não vemos necessidade de embalar em plásticos”, argumenta.

Processo semelhante também é adotado pelas redes UCI e Cinesystem. “Desde o início das exibições de filmes em 3D já fazemos a higienização e a identificação dos óculos”, afirma o diretor da rede Cinesystem, Eduardo Vaz. Segundo ele, o investimento na máquina de lavagem foi de cerca de US$ 8 mil. Das principais redes que atuam na capital, a Cinemark é a única que embala e lacra os óculos após o processo de limpeza, conforme o projeto determina.

Para a médica oftalmologista e professora da UFPR Ana Tereza Ramos Moreira, a simples lavagem dos óculos não elimina por completo o risco de contaminação, já que eles ficam expostos ao contato das mãos de consumidores e funcionários. Segundo o médico oftalmologista Artur Schmitt, sem a devida esterilização o compartilhamento dos óculos representa um alto poder de contaminação, em especial da conjuntivite bacteriana e viral. “Esse tipo de infecção, geralmente, é muito agressiva e pode deixar sequelas na córnea do paciente”, explica Schmitt. O médico diz que o ideal seria se todos os óculos fossem descartáveis. “Como isso, no Brasil, é impossível, o ideal é que o usuário faça a limpeza dos óculos com lenços e álcool em gel antes de usá-los”, recomenda.

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